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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe dos namorados

rabiscado pela Gaffe, em 14.07.15

Dia dos Namorados.pngA Gaffe decidiu escolher algumas das suas paixões que desde menina e moça até à sua faiscante maturidade a encheram de prazer.

Podia seleccionar obras de arte. Encontrar modo de as ligar a todas, um fio que as unisse como num colar de pérolas, mas a linha não passava pelo inevitável Fauno de Barberini e o colar partiu, tornou-se inútil.  

Decidiu então escolher os homens que lhe mereceram a maior das atenções. Amores que vai guardando nas salas enevoadas do seu coração. Encontra-lhes o que a fascinou e é ousada, porque sabe que nenhum percorrerá estas avenidas. Iniciaram já a viagem que termina no esquecimento. Em cada um deles descobriu um pedaço do sonho que quis muito. Se unidos os dispersos retalhos, a Gaffe encontraria o Paraíso.

 

Paul - O rapaz que gostava de navios e que sonhava naufragar nas suas mãos. Nunca uma onda lhe salgou a alma. O macambúzio. Zangado com o Universo inteiro, amava o tigre que dizia ver crescer nos olhos de todas as marés.

 

Asher - Filho de Baruch, o de Israel. Abençoado e perfeito, de olhos sem País.  

 

Guillaume - O aranhiço de olhos negros e livros pesados pousados na mesa redonda de um café junto a Nôtre Dame. Se lhe tocássemos sem cuidado extremo no azul dos olhos, havia estilhaços espalhados pelo chão.

 

Pedro - ... Qui frôlera tes lèvres et vibrant de fièvre surprenant ton corps, deviendra ton maître en y faisant naître un nouveau bien-être, un autre bonheur? Qui? nul ne peut le dire. Qui? Nous n'en savons rien et mon coeur se déchire en pensant que quelqu'un te prendra ce je t'aime et par ce je t'aime, je le sais déjà, Il prendra ta bouche, Il prendra ta couche et m'enterrera pour la seconde fois.

 

Jeremy - … Autumn comes, Summer dies. I see the passing of the years in your eyes, and when we part there will be no tears no goodbyes. I'll just look into your eyes. Those eyes, so wise, so warm, so real. How I love the world your eyes reveal.

 

Ricardo - Uma cicatriz no Douro

 

Escolheu sempre os homens certos, mas sempre os abandonou ao frio desta sua Avenida sem Brasil.

No amor a totalidade não é conta de somar.  

 photo man_zps989a72a6.png


1 rabisco

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De J.S.M.suave e nas tintas a 14.07.2015 às 16:35

Ao ler o seu post , veio-me à memoria Stendhal : "O Vermelho e o Negro"; Baudelaire , para quem o vermelho faz par com o negro; e Rimbaud, que atribui às vogais sons e cores.

Voyelles

A noir , E blanc , I rouge , U vert , O bleu : voyelles,
je dirai quelque jour vos naissances latentes:
A, noir corset velu des mouches éclatantes
Qui bombinent autour des puanteurs cruelles,

Golfes d'ombre ; E, candeurs des vapeurs et des tentes,
Lances des glaciers fiers , rois blancs , frissons d'ombelles;
I, pourpres , sang craché rire des lèvres belles
Dans la colère ou les ivresses pénitentes;

U, cycles , vibrements divins des mers virides,
Paix des pâtis semés d'animaux , paix des rides
Que l'alchimie imprime aux grands fronts studieux;

O, suprême Clairon plein des strideurs étranges,
Silences traversés des Mondes et des Anges:
- O l'Oméga , rayon violet de Ses Yeux!


P.S. Perdoe-me o pretensiosismo.

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