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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe doutorada

rabiscado pela Gaffe, em 15.03.18

Assaf Horowitz.jpg

 

A Gaffe leu arrepiada que 90% do dinheiro que circula no planeta pertence a meia dúzias de famílias.

Extraordinário.

A Gaffe não entende como é que os pobres, com os restantes 10%, conseguem comprar tanta porcaria.

 

É um mistério que carece de estudo aprofundado que com certeza o Professor Doutor Passos Coelhos, na sua qualidade de catedrático, não deixará ao abandono, desde que, no intervalo, o Investigador Barreiras Duarte não se adiante e apresente os resultados obtidos pelas pesquisas que leva a cabo em Berkeley sobre o alto patrocínio de Deolinda Adão, uma querida que gosta imenso de visitas e que dá autógrafos em guardanapos, ou em papelinhos que embrulham um ou outro rebuçado, antes de o ter sentido azedo.

 

A Gaffe lamenta ter ficado um bocadinho irritada com Merkel quando a alemã, depois de estacionar o camião, declarou que Portugal tinha demasiado licenciados. Afinal, a senhora apenas confundiu os graus académicos que neste turístico recanto nascem como Relvas.

O país sofre é de excesso de doutorados, embora tal não constitua embaraço ou defeito. Somos naturalmente um povo sábio. Nascemos com um canudo e com ele vemos Braga. É evidente que as meninas, mesmo algumas de Braga, não trazem à nascença o canudo incorporado - pois que nesse caso seriam meninos -, mas basta que uma reze ao Senhor pedindo chuva, que liberte vapores de eucalipto, ou que seja coadjuvada por Hemingway e Picasso na nobre tarefa de equiparar as touradas à literatura, à música ou ao bailado, para se candidatar a Primeira-Ministra.

 

A Gaffe decide, nas próximas eleições, ir tomar chá com a Bobone e mandar votar por ela a criadagem já domesticada que compra coisas com aqueles 10% tão desperdiçados.

Afinal, meus queridos, é só fazer uma cruz num papelucho!  

 

Ilustração - Assaf Horowitz

 photo man_zps989a72a6.png

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13 rabiscos

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De Pandora a 15.03.2018 às 14:48

Sempre sublime neste douto sarcasmo.
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De Gaffe a 15.03.2018 às 15:24

Sou colega do Passos. Muito douta.
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De Anónimo a 15.03.2018 às 15:32

Minha cara Gaffe,
"Arrepiada", porquê???
Toda a "gente" que é "gente" sabe que os pobres só sabem gastar dinheiro em coisas assim para o inútil, por isso é que não se lhes pode dar muito dinheiro, taditos... nasceram assim...não há nada a fazer... nem os graus académicos que nascem neles como relvas os salvam dessa triste incapacidade...
Essas poucas famílias só estão a evitar que a "gentinha" ande por aí a desbaratar o dinheiro que lhes é dado de forma tão gentil. Eles estão a pensar no bem comum da nossa pobre sociedade.
Também posso ir tomar chá com a dona Bobone, posso? mas só se a senhora que confunde touradas com arte também for convidada... Prometo portar-me bem como é, aliás, meu costume... a Gaffe nem iria notar a minha presença suave;).
Grace
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De Gaffe a 15.03.2018 às 15:38

Minha cara Grace!
Por quem sois?!
Claro que será bem recebida, sobretudo se usar uma Kelly e dentro da Kelly uns tampões a imitar brincos Cartier. A Bobone não nota a diferença, pois que não vai para nova (também não vai para velha, porque já morreu. Foi é mal enterrada) e os tímpanos estão já - como tudo o resto -, furados. Evitamos maçadas.
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De Anónimo a 15.03.2018 às 15:49

Muito obrigada por aceitar a minha humilde presença, fico eternamente grata...
A Bobone não foi mal enterrada, foi antes mumificada que é uma coisa assim para o chique... e como o processo de mumificação requer o esvaziamento total dos orgãos, isso explica a falta de tímpanos e outros orgãos essenciais.
Vou já buscar a minha Kelly que emprestei à criadagem para irem às compras à mercearia da esquina e que elas convenientemente se esqueceram de devolver...Dizem que dá muito jeito para trazer as batatas...
Quanto aos tampões vou ver o que se arranja, mas não vai ser tarefa fácil...
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De Gaffe a 15.03.2018 às 16:07

Com a Betty Grafstein foi a mesma coisa, mas também dá imenso jeito para enfiar as batatas.

Uns incompetentes.
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De Pequeno caso sério a 15.03.2018 às 19:43

Se soubesses o que lamento não pertencer a nenhuma dessa meia dúzia de famílias...
Por outro lado, também não pertenço aos outros 10% dado que tudo que compro me é absolutamente necessário...como todas as gajas aliás.

Tu queres ver que sou adotada?!
Pior.
Tu queres ver que me trocaram na maternidade?!
:/

p.s- a tua capacidade de síntese de mãos dadas com o humor deixam - me sempre a aplaudir - te .Bravo, minha amiga, bravo !
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De Gaffe a 15.03.2018 às 20:35

Meu amor,
Não perdes rigorosamente nada. Diz quem é bom que essas famílias são muito infelizes e o que realmente importa só se vê com o coração.
Pelo sim, pelo não , uso óculos.
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De Carlos Berkeley Cotter a 15.03.2018 às 19:57

Tão bom, mas tão bom!!!
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De Gaffe a 15.03.2018 às 20:28

São apenas facto.
... ou "fatos", já não sei.

Acabo de ler numa recente edição de "Caim" de Saramago. " (...) ele fez um pato com o diabo (...)".

Sinto tanta vergonha.
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De Carlos Berkeley Cotter a 16.03.2018 às 10:51

Não sinta. O pato continua a ser pato e o pacto continua a ser pacto. O Mesmo se passa com facto, mas não com ato (ação).
Contingências.
Bom fim de semana.
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De Maria Araújo a 16.03.2018 às 19:54

Quando em pequena queria ver Braga por um canudo, subíamos à capela de Santa Maria Madalena virávamos as costa para a cidade, abríamos as pernas ( alto lá, que não é nada do que se possa pensar) cabeça para baixo os nossos olhos alcançavam uma vista única da cidade, lá em baixo, um espectáculo lindo de se ver... naquele tempo, que agora, nem pensar!
Se entendi o texto, há alguma menina de Braga que tenha pretensão a candidatar-se a Primeira-Ministra?
Bom fim-de-semana.
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De Gaffe a 16.03.2018 às 20:39

Nunca compreendi esta expressão. Não sei o que a originou. "Ver Braga por um canudo" não parece muito fácil.

Suponho que não há em Braga candidatas à presidência do conselho de ministros. Se existem, que "tirem o cavalinho da chuva" - outra expressão que me deixa intrigada, até porque chove imenso e é uma tortura para o animal deixar o pobre ali, quando há esperança.

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