Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e a Henriqueta do VIII

rabiscado pela Gaffe, em 01.06.15

A Gaffe é uma rapariga sofisticada, cosmopolita e com um allure absolutamente internacional, embora - pequenas idiossincrasias de uma rapariga modernérrima - nunca tenha perdido a saudade do embaraçante sabor fronteiriço da alheira e do chouriço.


Lembrou-se dos enchidos, porque acabou de concluir com alguma apreensão que nas suas avenidas a Henriqueta do oitavo continua a ser a catequista.
Neste momento tornam-se necessários esclarecimentos sem os quais esta estonteante rapariga deixa de se fazer entender e é abandonada à sorte madrasta com uma mão atrás e outra nem por isso.
A Henriqueta era - e a Gaffe arrepia-se ao pensar que continua -, uma mulher pequenina, já entradota com buço e sobrancelha a condizer, a lembrar vagamente Frida Kahlo, mas sem talento e sem aquele je ne sais quoi  tão atraente. Anafadinha, rechonchuda, redondinha de cara e papudinha de mãos, de narizito arrebitado e cabeleira rala empolada com laca.

Chamavam-lhe a Henriqueta do oitavo, não porque morasse nesse andar, mas para a relacionar com o monarca Inglês que deu conta de seis mulheres, fora as que a história não fez nota. A Henriqueta, diziam às más-línguas, já tinha aviado um número maior de rapazolas e tinha sido o oitavo a tirar-lhe o apetite de carne demasiado fresca e de hortaliça pouco madura, confessando ao pároco a interpretação bastante ousada que a catequista fazia do livrinho santo.


No dia mundial do petiz, a Gaffe assusta-se ao pensar que existe a hipótese de ter crianças saudáveis e libertas a tropeçar nos sapatos de tacão pequenino, fechadinhos e discretos, de uma Henriqueta qualquer pronta a saltar da caixa de esmolas dos escuros anódinos das sacristias.


A Gaffe conheceu esta, a do oitavo, que lhe chamava coisa boa e que a beliscava sem ninguém dar conta acoitada em catecismos, em morais, em bons costumes, em parolas pagelas decoradas e que do esconso riscado das sacristias ia roendo a vida dos paroquianos.

 
A Henriqueta ainda arrasta os sapatinhos cambados pelo salão paroquial, mas não lhe causa dano.
Nós, raparigas espertas, aprendemos depressa que uma Henriqueta destas não desaparece com facilidade. Pode nem sequer ser a do oitavo, mas continua a tentar catequizar as nossas vidas e ser, sem surpresa, the girl next door.

 photo man_zps989a72a6.png


6 rabiscos

Imagem de perfil

De M.J. a 01.06.2015 às 11:41

Essa parece o Alencar, caramba.
Imagem de perfil

De Gaffe a 01.06.2015 às 11:53

Por amor da Santa! NÃO é a ele que me refiro!

O Alencar é genuinamente queirosiano.
Não se deve insultar o Alencar.

Imagem de perfil

De M.J. a 01.06.2015 às 12:35

tens razão.
:)
como sempre.
Imagem de perfil

De Gaffe a 01.06.2015 às 13:41

Eça doou uma espécie de auréola de magnificência a todas as suas personagens, mesmo às mais asquerosas. Esta Henriqueta jamais poderá almejar até esta medonha sensação.
Imagem de perfil

De Maria Araújo a 01.06.2015 às 18:18


Henriquetas não desaparecem com facilidade e são esquisitas no modo de vestir, o corte de cabelo, sei lá.
Imagem de perfil

De Gaffe a 01.06.2015 às 20:22

:)
Creio que são a nulidade absoluta.

Comentar post





  Pesquisar no Blog

Gui