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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e as declarações

rabiscado pela Gaffe, em 11.03.16

piotr margiel.jpg

Os locais habituais para fazer declarações de amor deviam ser todos arrasados. O mais romântico dos jantares devia por obrigação atear incêndios aos cortinados quando as velas estivessem a pingar estearina nas mãos entrelaçadas dos amantes. A mais idílica das paisagens devia ser invadida por tsunamis quando os pares se enternecem com o azul das águas. Todos os cenários usados por Cupido deviam ser demolidos e as setas desse inconsciente quebradas contra as rochas assassinas.

 

Nós, mulheres, exigimos originalidade nas declarações de amor que nos fazem. Nada de ramos de rosas. Se os anéis de brilhantes são aceitáveis, o mesmo não acontece, de todo, ao joelho no chão numa avenida movimentada ou ao avião pequenino que escreve o nosso nome no ar com fumo cor de malva. As serenatas são permitidas desde que seja usada uma orquestra sinfónica com o coro dirigido por Zhang Jiemin.

Recusamos a banalidade nestes momentos. Repudiamos as cenas que nos fazem lembrar Casablanca que de tão esgotadas nos fazem desejar que o avião da Bergman se despenhe ao sair da pista. Sorrimos e chegamos a comover-nos, mas, no fundo do coração, a desilusão arranja um lugarzinho e ocupa um canto do nosso tão desejado entusiasmo.

Os homens deviam ter percebido isto desde o dia em que tudo o vento levou, mas continuam a insistir na pobreza dos gestos amorosos. Não inovam, não são criativos e acabam por ser secretamente lamentados por nós que consideramos que as nossas declarações de amor são exactamente aquelas que provocam as deles.

Devemos exigir, por exemplo, os nossos nomes escritos nas paredes dos WC das mulheres, no Louvre, com gigantescos corações a toda a volta, provando que, por nós, o macho correu o risco de ser desancado pela senhora de bigode que limpa de hora em hora todas as sanitas femininas. Devemos obrigar os homens a limpar todos os outros de modo a que cintile nos azulejos imaculados apenas o nosso. Não é tarefa fácil e dá pena de prisão até dois anos. Devemos decretar depois que nos dos homens, e sem ser no Louvre, sejam intimados a substituir os cansativos slogans que informam que a Carolle é puta por todos os poemas de Éluard.

Só assim, e talvez então, valha a pena ler numa estação de metro escrito a tinta branca aquilo que se espera:
 
On s’aime!
 
Foto - Piotr Margiel

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Gavetas:


13 rabiscos

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De Salvador a 11.03.2016 às 11:19

Percebesse eu alguma coisa sobre o tema e diria que não é necessário grande inovação. As mulheres continuam a pelar-se - literalmente, inclusive - por todas essas mariquices que enunciou :)
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De Gaffe a 11.03.2016 às 11:29

E os homens, meu querido, com estas mariquices podem ver aumentar as hipóteses de ficarem "pelados" na mesma cama que elas.
;)
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De Salvador a 11.03.2016 às 11:35

Pelados e depenados, caso abusem dos presentes caros ... rsrsr
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De Gaffe a 11.03.2016 às 11:47

Vale sempre a pena (neste a caso, o arranque dela).
:)
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De Salvador a 11.03.2016 às 11:50

Digo mais: vale sempre a pena, quando a carteira não é pequena rsrs
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De Gaffe a 11.03.2016 às 11:58

A Carteira pode ser pequena. É um mito pensarmos o contrário.
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De Salvador a 11.03.2016 às 12:05

:) (E pronto, com este sorriso e a caixa de comentários elevada à categoria de chat - nada chato, note-se - subscrevo-me, de carteira vazia, mas com amizade e admiração, até ao próximo post. Bom fim de semana :) )
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De Maria Araújo a 11.03.2016 às 12:48


Gosto de discrição, sentir-me-ia mal se o gajo fizesse uma declaração de amor e/ou pedido de casamento numa dessas situações.

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De Gaffe a 11.03.2016 às 13:37

:)
Mas há declarações tão engraçadas em lugares tão imprevistos!
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De Maria Araújo a 11.03.2016 às 15:11


Sei que há.
Gosto da imprevisibilidade, dá-me gozo, deixa-me tonta de felicidade, mas dispenso em lugares públicos.
Por exemplo, o casal da imagem.
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De Gaffe a 11.03.2016 às 15:15

O casal da imagem está a falar de mim e a chamar-me tonta, não está a murmurar declarações de amor.
;)
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De Maria Araújo a 11.03.2016 às 15:35


Gostei do comentário!
Mas quando escrevi "o casal da imagem", não me expliquei bem. Queria dizer que uma declaração de amor e uns afagos discretos, ali, sabiam bem.
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De Gaffe a 11.03.2016 às 15:45

Ah! Em Paris todas as declarações de amor sabem muito bem.
;)

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