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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e uma família feliz

rabiscado pela Gaffe, em 15.05.15

F. feliz.jpgSoube por linhas travessas, que são as melhores linhas para se saber tragédias caseiras sem nos obrigar a colocar um ar constrangido, que um casal que conhecia há bastante tempo se tinha separado. O menino, segundo apurei, não se comportou de forma correcta e nos últimos tempos viajava imenso. A menina, esperta, acabou por perceber qual o destino dessas ausências e atirou o menino pela janela juntamente com os dossiers das viagens.

 

Este modo de operar não é o mais conveniente. Há que ter algum discernimento nestas aproximações à ruptura.

Na empresa que ambos tinham, a minha amiga era, por motivos de engenharia financeira que sempre me causaram muita confusão, apenas uma funcionária, embora fosse totalmente dela o capital investido. No processo de separação o rapaz arrecadou a empresa e a minha amiga foi liminarmente despedida, com dois filhos a seu cargo e as despesas de manutenção suportadas pelo subsídio de desemprego.

O menino foi a correr choramingar para os braços que antes o acolheram durante este percurso.


Por princípio não tomo partido. Aprendi que a paleta de cores com que é pintada esta vidinha, nunca está bem definida. É, diga-se, uma mescla salpicada. No entanto, espanto-me quando percebo que, no meio desta trapalhada, quem tem o pincel, ao contrário do que se possa pensar, é a minha querida atraiçoada. Vasculhando com atenção os pormenores, acaba-se por descobrir que a rapariga tem uma conta bancária recheadíssima, embora calada, e que o marmanjo traidor continua como sempre foi: pindérico e pelintra. Casaram com separação de bens e foi só por ela ter depositado uma confiança absolutamente cegueta no homem, é que a empresa fugiu das mãos de quem devia.


É estranho ter de admitir que, neste Século de mulheres, ainda as há dominadas pelo savoir-faire da testosterona. A percentagem de raparigas, espertas como nós, a controlar as decisões mais básicas - em última análise, as cruciais -, é cada vez maior e é confrangedor saber que basta um anjo roto e ranhoso, de arco na mão e pila pequena, disparar uma seta de encontro ao nosso sucesso, para que nos caiam as cuequinhas ao chão e fiquemos tontas e confusas a ver passar navios.
Não podemos abrandar a vigilância e há que observar à lupa todo o movimento do parceiro. Não nos iludamos! A guerra só agora vai no adro.

 photo man_zps989a72a6.png


3 rabiscos

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De Corvo a 15.05.2015 às 14:33

À lupa é muito eficaz, espelha melhor e aumenta a imagem.
E nada está tão bem que não possa ser melhorada. Convém, nestes casos transcendentais para um saudável desenvolvimento humano, saber ver sem ser visto a ver.
E também não custa nada e é muito conveniente, saber-se abrir a porta sem a fazer ranger.
Um excelente fim de semana
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De Gaffe a 15.05.2015 às 14:37

Hummmm...

Não sei se aceitarei a ironia do seu cometário, mas "saber ver sem ser visto" e "saber abrir a porta sem a fazer ranger" são duas reflexões que tento seguir escrupulosamente.
;)
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De Corvo a 15.05.2015 às 15:20

Pois asseguro-lhe, cara Gaffe, que não há nenhum intuito irônico no meu comentário, como nem nunca haverá, no seu ou em quaisquer blogs da minha simpatia. Ou e em outros.
Nem ironia, epigramas ou diatribes.

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