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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe embruxada

rabiscado pela Gaffe, em 22.10.15

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Será esta a única vez que a Gaffe se refere ao Halloween. Não porque não simpatize com a data, mas porque o tema está seguramente exaurido, apesar de, convenhamos, sempre ter sido uma comemoração que a implicou, custe o que custar às egoístas e invejosas defensoras deste festejo.

 

O Halloween foi e sempre será ruivo!

 

É difícil ser-se singular em relação a um tema que se torna viral. As tontices repetem-se de canto para canto e passamos de uma esquina onde se esbardalha uma bruxa para tombarmos noutra repleta de gatos pretos ou abóboras e não adianta muito reportarmo-nos às raízes do tema, porque ainda mais maçadores nos tornamos.

 

Esta incapacidade de tratar por escrito determinado assunto, por estranho que pareça, tem solução.

 

Ao contrário do que é heróico declarar, depositando na ara do mais elevado despojamento de alma o cordeiro do nosso sofrimento interior, a escrita é um processo susceptível de aprendizagem.

 

A escrita não é intrínseca a nós. Não é um código genético. Não nasce connosco. Aprende-se a escrever bem depois de termos aprendido a desenhar as letras doando-lhes sentido. Não incapacita o prazer, elevando a dor profunda ao pedestal do inevitável e é suspeito quem afirma que deixa de respirar se passar um dia sem a dor do parto da escrita.

A Gaffe sempre considerou disparatado o que afiança que sofre horrores todos os instantes com as palavras que abrem chagas nos dedos, descendo e rompendo o peito em ferida aberta, à procura do papel. Transformam escrever num episódio de prisão de ventre. Mesmo os masoquistas sofrem menos. 

É balela. Se estes defensores da autoflagelação deixarem de escrever, não acontece absolutamente nada.

 

A Gaffe sempre pensou que o processo de escrita é um jogo de ligações executado numa oficina de trabalho árduo. As regras aprendem-se, memorizam-se, entranham-se, cumprem-se ou violam-se - para as desrespeitar é preciso que as conheçamos em profundidade -, exigindo depois um esforço hercúleo, que não implica por obrigação a presença da tortura, se tivermos a veleidade ou a ambição de produzirmos, pelo menos, qualquer coisinha parecida com um texto literariamente aceitável.   

 

A Gaffe sempre considerou uma tontice os Cursos de Escrita Criativa, até perceber que um dos seus queridos petizes, filho de um dos seus casais favoritos, tem um professor de Português que é simultaneamente formador neste tipo de actividade que é, assume-se, condenada mesmo por quem se move com perícia nestes meandros.

 

Curiosa, a Gaffe decidiu investigar.

 

As atitudes pedagógicas que subjazem à escrita criativa vocacionada para a faixa etária mais próxima do chão, parecem lógicas, eficazes, muitíssimo produtivas e sobretudo facilitadoras do processo que permite o surgir de um texto inovador, original e bem estruturado.

Não produzirá, é provável, génios da literatura, mas, para além de cultivar a capacidade crítica do menino/leitor, pelo menos dificulta muito o aparecimento de burgessos que acreditam piamente que se o mundo ignora a papelada que preenche com rabiscos é apenas por cegueira e humana iliteracia.

O recurso, por exemplo, a jogos ardilosos, como o Baú das Palavras - onde a criança recolhe substantivos à toa para com eles ter de formar frases completas -, o Jogo do Lenhador - que obriga ao corte de palavras numa frase demasiado longa, sem que o sentido se perca -, ou O Elo Mais Forte - que faz com que se procure a frase que ligará duas outras díspares e muitas vezes contraditórias -, permite que a criança se inicie com prazer e de modo lúdico na extraordinária vastidão da escrita.

 

Como será evidente, os expedientes são inúmeros e nada melhor do que assistir a uma aula para deles nos aproximarmos. É bom que se passe a ouvir com maior cuidado a famigerada frase não negues à partida uma ciência que desconheces.

 

A infância da Gaffe não teve aulas de escrita criativa e lamenta o facto. Se as tivesse tido não hesitaria agora em escrever sobre o Halloween, convicta da sua capacidade de não referir bruxas e gatos.

 

Assim, abóbora!        

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25 rabiscos

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De Paula a 22.10.2015 às 14:06

Ora abóbora também!
Halloween é ruivo qual bruxa (ver história de Salem e seus efeitos)!
Bruxa me confesso em vidas passadas (sem ser ruiva)! (e hoje em dia tenho sempre cuidado quando trinco a língua, que para além de doer como tudo, destila tanto veneno)
Escrita criativa para adultos: ver "Tamara Drew"
Para crianças: um bom conjunto de livros foi-nos suficiente, porque será que hoje em dia não o é?
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De Gaffe a 22.10.2015 às 14:11

Deixei de ser antagonista desta actividade quando percebi o trabalho que é feito com crianças. Ainda não conheço bem o que diz respeito aos adultos.

A Literatura infantil e juvenil... Creio que já falei nisso!
Vou tentar encontrar.
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De Paula a 22.10.2015 às 14:43

Obrigada pela leitura!
Tenho alguma descrença relativa a estas novas "modas" para crianças, desde que sei que um dos maiores aldrabões que conheci na vida é "coach", nessa misteriosa nova "arte" que é o "coaching".
Acredito que, hoje em dia, tanto se quer não traumatizar as criancinhas que o limpar de todas as "dificuldades" das histórias não os torna nada engenhosos e brilhantes (daí se calhar a necessidade de haver quem lhes ensine criatividade, nem que seja a escrita!
Não tendo pais letrados, tive a enorme sorte de ter pais leitores, que me permitiam ler de tudo o que houvesse lá em casa ou na biblioteca da terrinha! Deve também ser isso que falta hoje em dia!
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De Gaffe a 22.10.2015 às 15:52

Eu já desisti de tentar alterar estas situações de branqueamento.
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De Paula a 22.10.2015 às 15:53

Viva a versão do E.T. com armas!
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De Paula a 22.10.2015 às 15:54

Hoje estou bélica!
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De Gaffe a 22.10.2015 às 15:56

Um bocadinho...

Às vezes apetece.
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De Paula a 22.10.2015 às 16:00

A conciliação bancária tem destes efeitos nas pessoas!
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De Gaffe a 22.10.2015 às 16:12

:)
Francamente não sei.
Ando sempre "desconciliada" com a minha conta bancária.
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De Paula a 22.10.2015 às 16:13

A de lá de casa é o rapaz que trata. E anda sempre tão em paz com o mundo!
A do escritório tem dias!!!
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De Gaffe a 22.10.2015 às 17:07

Bom!

Entrego tudo ao meu pai. ADORA andar às bolandas com essas coisas.
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De Paula a 22.10.2015 às 17:08

Que sortudas somos!
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De Gaffe a 22.10.2015 às 17:08

Ou sortudas ou inocentes.
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De G. a 22.10.2015 às 15:25

A Gaffe é maravilhosamente ruiva na sua escrita, singular e única. Não há bruxa má ou feiticeira que atrapalhe a suposta falta de uma oficina de escrita ;)

(oficinas, prefiro mesmo as dos calendários de maminhas ao léu, anos oitenta, onde o azul escuro da indumentária, às vezes, nos deixa de suspiro nos lábios.... ah... a beleza da mecânica automóvel...)
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De Gaffe a 22.10.2015 às 15:55

Antes de mais, obrigada pelo piropo!

As maminhas ao léu que refere devem ter estado primeiro dentro de um fato de macaco, numa oficina automóvel, não é?
É sempre muito apelativa a mulher que se veste com fardas... desnudas.
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De Maria Araújo a 22.10.2015 às 23:48


É única, a Gaffe.
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De Gaffe a 23.10.2015 às 09:28

Ah!
Há mais ruivas do que aquilo que se pensa.
:)
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De Maria Araújo a 23.10.2015 às 12:30

Ahahahaha!
A Gaffe sabe o que quero dizer...
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De Paulo Vasco Pereira a 23.10.2015 às 01:02

Também eu discordo da comemoração e referência à festividade ruiva.
Gostei do parecer quanto à OEC. Atualmente, nas nossas Escolas, é difícil desenvolver esta vertente :(
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De Gaffe a 23.10.2015 às 09:28

Uma aula de Português - em todas as escolas - é terreno capaz de albergar este tipo de actividade, creio eu.
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De Corvo a 23.10.2015 às 16:17

Finalmente! Desvendado o insondável mistério que sempre me intrigou, do medo, do autêntico pavor que a presença ruiva sempre induziu no universo masculino, e da raiva despeitosa no feminino. :)
Afinal, pasme mundo! Era tão simples. Tudo provém, ou melhor; deriva de uma abóbora.
:)
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De Gaffe a 23.10.2015 às 16:24

Exactamente, meu caro Corvo.
Mesmo a Cinderela nada era sem abóbora.
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De Corvo a 23.10.2015 às 16:28

Quanto à escrita...pois.
Inveja não! Não tenho! Mas que pena não possuir o dom.
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De Gaffe a 23.10.2015 às 16:38

Duvido que exista o dom. Conheço D. Duarte, mas creio que não falamos disso.

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