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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe encaixilhada

rabiscado pela Gaffe, em 18.05.14

Não sou grande apreciadora de Lionel-Nöel Royer, mas gosto particularmente de Vercingétorix depõe as armas aos pés de Júlio César.
Sempre pensei que é uma bela metáfora acerca da condição humana, onde se declara a superior fragilidade, a inútil presunção de divino, a etérea e volátil resistência do homem unida à sua imensa capacidade de sofrer e de ultrapassar obstáculos aparentemente intransponíveis e superiormente vencer as mais espinhosas das batalhas; onde se afirma que todo o homem é, em simultâneo, vencedor e presa, senhor e perdido, algema e algemado, humilhação e honra, vitória e derrota, e que, em subtil duplicidade, une de forma quase bipolar, as duas faces da lua para que se espalhe o luar pela sua brevíssima e vã existência nos campos de batalha.


Uma antevisão pictórica de Dr. Jekyll e Mr. Hyde.


A outra hipótese, que me intriga mais (a terceira fala da falta de dinheiro para pagar a mais do que um modelo) é a que me diz que Royer se apaixona pelo homem e, com mais bigode ou com menos barba, mais ou menos toga, mais ou menos pelo, o retrata de forma obsessiva e o veste de César e vencido, de senador e presa, de romano e de gaulês, o enche de louros e o despoja, indiferente ao facto de eu, um século mais tarde, um século bem medido, reconhecer que repete o seu amado em toda as figuras.


Se assim é, se esta segunda via se confirma, devia ser tão bom o amor de Lionel-Nöel Royer! 

 

(Será que Domingos Amaral conhece o quadro?)

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