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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe encoberta

25 de Abril de 2020

rabiscado pela Gaffe, em 27.04.20

René Magritte -1958

(A Abril)

A casa encoberta enche-se de navalhas de luz por esta altura.


Lanhos luminosos que se estilhaçam nos ladrilhos, que surpreendem as esquinas dos móveis e se estiram devagar prolongando o brilho dos tampos das mesas e dos corrimãos.


No Douro há esta casa oculta que permite a luz, que deixa que os clarões do sol invadam o sossego e que consente a enganosa sensação de ser habitada pela claridade mais límpida, pela imaculada cor do sol que se mistura nela.


No Douro, esta casa medonha enclausurou a melancolia dos distúrbios do sol no chão e nas paredes e as infantilidades luminosas que trepam os degraus e se dependuram nos umbrais das portas e janelas.


A casa trespassada pela luz, como se a luz não fosse mais do que um punhal.


Gosto da luz desta casa encoberta que me redime e deixa extenuada, porque se derrama e propaga como nenhuma outra claridade o faz dentro de nós que a autorizamos a entrar, porque me lava e limpa e me deixa dentro dissipada, por ser a única, a última, que dentro das paredes da clausura me permite, dentro da cegueira, olhar e ver a escuridão passada.

 

Imagem - René Magritte

 photo man_zps989a72a6.png


2 rabiscos

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De Sarin a 27.04.2020 às 20:41

A escuridão passada é passada.
Que a luz que trespassa a casa faça da cegueira imaginação e a clausura seja cápsula do tempo que há-de vir.
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De Gaffe a 27.04.2020 às 21:26

Mas "só o passado é eterno", diz-me um Amigo.
Que a clausura do tempo nos ofereça uma eternidade benevolente.

(...Obrigada...)

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