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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe equilibrada

rabiscado pela Gaffe, em 25.02.16

Uma rapariga esperta depressa verifica que um grande número de verbos que são usados quando falamos de amor. São os mesmo que povoam a guerra. Cercar, conquistar, fugir, entregar, render, morrer, roubar, ceder, cair, perder, vencer, são disso exemplo.

Esta proximidade, que também atinge os adjectivos, entre o que é bélico e o que deverá ser o seu contrário, é bem ilustrada pelo ancestral duo Eros e Thanatos, Amor e Morte intrinsecamente ligados para toda a eternidade.

O contacto entre estes dois universos, o do amor e o do ódio, não se limita a um conjunto lexical ou mitológico. A mistura é muito mais subtil e atinge o coração dos dois estados, tornando possível encontrar as sombras naquilo que deveria apenas conter a luz e a luminosidade no fundo de um poço.

A Literatura e a narrativa mitológica - sobretudo estas duas - fornecem exemplos fascinantes - Otelo assassina a amada apenas porque o amor lhe injectou o ciúme nas veias e Perséfone volta ciclicamente para o odiado raptor, desenvolvendo o que se poderia chamar, com alguma leviandade, síndrome de Estocolmo, mas o mais corriqueiro do quotidiano está pejado desta aliança inevitável.

 

Não existe apenas uma limpidez idealizada e angélica, uma cristalina água a correr sobre o sentir mais claro, assim como não há unicamente o charco pútrido no sentimento mais horrendo.

Amor e ódio são como uma pulseira. Se a fecharmos em redor do punho, teremos as extremidades unidas e acabaremos por deixar de saber com nitidez qual das duas possui o mosquetão.

 

Não são opostos, o amor e o ódio. Suspeito que nem sequer são sentires separados ou distintos. Fazem parte de uma mesma entidade, de uma mesma emoção, de um sentimento único, de uma mesma moeda. Equilibram-se ou desequilibram-se as faces, mas nunca se aniquilam e, não sendo passíveis de separar, porque enformam um corpo único, não podem ser contrários.

 

Daí que tenham um oposto comum: a indiferença.

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19 rabiscos

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De Psicogata a 25.02.2016 às 12:14

Concordo. É a mais pura das verdades.
A sabedoria popular diz que o sentimento mais próximo do amor é o ódio.
Acredito piamente que para odiarmos alguém intensamente tivemos de a amar com a mesma intensidade.
A indiferença, o nojo, a repulsa, a pena, esses sim são sentimentos distantes do amor.
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De Gaffe a 25.02.2016 às 12:18

Apenas a indiferença é o contrário, quer do amor, quer do ódio.
:)
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De Psicogata a 25.02.2016 às 12:22

O contrário sim, acho que é mesmo o oposto de amar ou odiar.
Os outros estão a meio caminho, depois da pena, do nojo e do desprezo acho que não há retorno nem ao amor, nem ao ódio o único caminho será a indiferença.
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De Gaffe a 25.02.2016 às 12:24

A indiferença implica a nulidade emocional. É a mais dolorosa das feridas abertas nos outros.
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De Psicogata a 25.02.2016 às 12:26

Eu demoro a atingir essa nulidade, mas depois de a atingir é um ponto sem retorno.
E sim, é a ferida mais dolorosa que podemos abrir nos outros.
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De Gaffe a 25.02.2016 às 13:08

Às vezes a indiferença existe. Pronto. Não começa, nem se atinge.
Existe como um penedo. Ali. Sem mais.
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De Psicogata a 25.02.2016 às 14:01

Referia-me aos casos onde antes existiu algum sentimento.
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De Gaffe a 25.02.2016 às 14:40

Se perdemos esse sentimento, será que alguma vez foi nosso?
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De Psicogata a 25.02.2016 às 14:52

Muitos sentimentos são irracionais e inexplicáveis.
Serão nossos enquanto querem ser sentidos, ou enquanto os queremos sentir?
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De Gaffe a 25.02.2016 às 15:49

Creio que ambas as coisas.
:)
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De M.J. a 25.02.2016 às 12:25

"Daí que tenham um oposto comum: a indiferença."

ai, ai tão bem "dizido".
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De Gaffe a 25.02.2016 às 13:09

:)
Bem "dizido", sim senhora.
:)
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De Dúvidas e certezas a 25.02.2016 às 16:43

Fantástico texto! Parece tão simples exposto desta forma e é bem verdade, a indiferença é a inimiga dos dois. E nós queremos viver só com o Amor, até porque as histórias e fimes nos ensinaram que onde existe Amor só existe Amor, e é mentira!!!
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De Gaffe a 25.02.2016 às 17:31

O amor existe?
:)
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De Dúvidas e Certezas a 25.02.2016 às 18:08

Existe, sim! Pode até não ser o amor romântico mas há outras formas de amor bem reais, aquele incondicional e puro. O romântico, por vezes, confunde-se com a paixão, o que pode ser bom ou mau... E para ser Amor tem que existir para sempre?!
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De Gaffe a 25.02.2016 às 20:54

:)
Só queria confirmar.
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De Maria Araújo a 25.02.2016 às 21:10

Está tão bem dito, aqui: "A indiferença implica a nulidade emocional. É a mais dolorosa das feridas abertas nos outros.".

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