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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe equina

rabiscado pela Gaffe, em 31.08.15

Waldemar von Kozak.jpg

A Gaffe foi apresentada ao Sr. Presidente da Câmara.

O formulado exacto seria o Sr. Presidente da Câmara foi apresentado à Gaffe, mas esta rapariga não considera grave deixar que o ilustre cavalheiro continue a cultivar a menos danosa das suas ilusões. 

 

Quarentão em excelente forma física, fato azul suspeito, camisa branca entretelada, gravata de seda amarela com a palavra Moschino entretecida e sapatos bicudinhos, o autarca provou que para aprender a beijar a mão a uma mulher não chega um mandato.

 

Durante o almoço de aniversário da Confraria - conjunto de homens de meia-idade unidos por propósitos corporativistas, que usam capelinas, opas pesadas e medalhões ao peito - a Gaffe percebeu que o seu lugar no opíparo festim, aquele que vislumbrara ao entrar com receio do que lhe cabia em sorte, tinha sido mudado. Sentada à mão esquerda do Sr. Presidente, a Gaffe depressa compreendeu que a mão direita do eleito lhe tinha alterado o destino.

Dois minutos bastaram para que esta rapariga esperta compreendesse a causa da manipulação dos lugares, porque dois minutos após lhe terem servido a canja de galinha - entrada essencial nestas capoeiras - a Gaffe descobriu que estava a ser galada.

O Sr. Presidente encristava-se debruçado sobre a esquerda numa apetência até ali desconhecida, desprotegendo a direita povoada pela esposa, numa reviravolta dir-se-ia que política, tendo em conta a manha com que a executava.

 

A Gaffe aguentou até se cansar e deixar de ouvir o cavalheiro do lado a sorver a canja. É sempre interessante ter um ruído alternativo quando o que nos maça se torna exagero. Hesitou entre espetar o garfo na perna do Sr. Presidente, que se aproximava distraída do assado em que se envolveria se continuasse, e sacar da arma infalível que é partilhar as cavalgadas furtivas do cowboy mais votado alardeando o cartaz de Mae West -  Is thatgun in your pocket, or are you just glad to see me? - de forma a que todo o rodeo espreitasse o coldre.

Decidiu por fim cravar-lhe um tacão - ou uma espora? - no bico do pé.

O Sr. Presidente relinchou, provando ao público que apesar de ter sido eleito o cavalito mais sofrível dos que por ali trotavam, não é caso para se crer que agora toda a gente pratica equitação.

 

Há carrosséis montados ao lado dos coretos.

 

Ilustração - Waldemar von Kozak

 photo man_zps989a72a6.png

Gavetas:


12 rabiscos

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De Varufakis a 31.08.2015 às 14:04

Tu és má!

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De Gaffe a 31.08.2015 às 14:23

Não!

Sou até muito respeitadora de senhores eleitos democraticamente.
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De Varufakis a 31.08.2015 às 19:03

Gabo te a paciência.
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De Maria Araújo a 31.08.2015 às 14:33

Ahahahahaha!
Nem vale a pena comentar o senhor autarca, porque é inútil, já que todo o texto está demais.
Ahahahahahahahah!
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De Gaffe a 31.08.2015 às 14:43

É inacreditável como estes homens depois de eleitos alteram o regime! Transformam a República numa monarquia absoluta onde fingem ser o Rei-Sol.
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De Maria Araújo a 31.08.2015 às 16:52


Sem dúvida.
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De eduardo a 31.08.2015 às 16:59

para além de ser parte integrante de porto velhotes - el presidente, est. 1956 - o cavalheiro também encarna sandeman, o homem da capa negra.
entre muros, entre tawny e vintage... unidade sindical.
e não havia touro mecânico?
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De Gaffe a 31.08.2015 às 17:09

Não sei!
Não perguntei à esposa.
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De Fernando Lopes a 01.09.2015 às 20:24

A este filho da classe média ensinaram que não se beija a mão das senhoras, apenas se simula o beijo. Lambuzaram-lhe mesmo a mão? :)
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De Gaffe a 02.09.2015 às 09:26

O meu menino sempre foi um cavalheiro.

Claro que sim!
De acordo com a minha avó, apenas os senhores mais idosos podem aflorar com o rosto os dedos da senhora e, mesmo assim, com os calcanhares unidos, inclinando-se sem flectir as pernas e nunca elevando a mão a beijar acima das mamocas.

É parvoíce minha, mas - embora não atribuindo grande importância prática - sou coleccionadora destas regras perfeitamente esquecidas e tão interessantes.
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De Fernando Lopes a 02.09.2015 às 10:02

O pai – que era obrigado a isso por dever de ofício – falava numa postura «deferente, mas não reverencial».
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De Gaffe a 02.09.2015 às 11:21

Exactamente.
Sobretudo não parecer que nos querem sugar os anéis.

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