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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe escreve a Greta Thundberg

rabiscado pela Gaffe, em 26.09.19

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Queridíssima Thundberg,

Deixe que a trate assim, pois que temo não conseguir travar a minha vontade de contratar meia dúzia de rufias para desflorestar – ou desflorar, tanto faz - os imbecis que continuam a achar piada aos trocadilhos tugas que continuam a fazer com o seu primeiro nome. Nem toda a gente se pode chamar Vanessa Raquel, ou Maria Benedita, credo!

Depois, minha cara, permita que lhe diga das boas.

A menina devia evitar perturbar as famílias que se preocupam com a educação dos miúdos. Faltar às aulas por causa das couves é meio caminho andado para o colapso das civilizações e as couves vão morrer na mesma, acredite. É uma indecência ver pais desesperados a tentar que os seus petizes cumpram as suas obrigações e tirem as notas exigidas por Medicina e ver todo um trabalho ir por água abaixo por causa das suas birras - espero que tenha reparado no detalhe ecológico que tive a amabilidade de usar. Observe os nossos adolescentes, minha amiga! Se querem seguir os youtubers, jogar o Mortal Kombat ou fumar qualquer coisita num conserto da banda dos rufias anteriores, ou do Valete, não precisam, de todo, de abandonar os TPC. Avisam aos pais por SMS que bazam a Português porque valores mais altos se alevantam, 'tá-se bué. Vai ver que os senhores até agradecem que os deixem em paz e com tempo para a achincalharem. Depois chamam os pequenos para jantar.

É também evidente que não pode ser malcriada nas Assembleias! A ONU ou o Parlamento Europeu estão pejados de pessoas de boas famílias, apoiadas por outras Famílias que, não estando presentes - pois que escolhem lugares de maiores sombrinhas -, se fazem representar discretamente e com uma eficácia que a menina dizem não ter.

Merecia duas chapadonas do Guterres, mas infelizmente o homem está em tratamento nas Termas, enfiado naquelas pocinhas onde há peixes que comem a porcaria que as pessoas que se afundam num pântano têm nos pés. Um nojo. Não compreendo como há quem defenda estes animais.

Há depois aquele seu problema de saúde e com a saúde não se brinca. Com ela e com o penteado. O allure urbano-Heidi que teima em manter é prova de alguma debilidade e instabilidade mental. Os adolescentes saudáveis, minha menina, usam slim jeans rasgados nos joelhos, risca no cabelo feita com navalha, T-shirts com slogans revolucionários, do tipo fuck, shit is my live ou it’s not me, it’s you  - daí o belíssimo inglês que falam - e acho que levantam o mindinho e o polegar, abanando o resto para cima e para baixo, quando querem comunicar com os amigos ... ou, pelo menos, um ar de Nuno Melo.

Devo dizer-lhe que não é necessário que ataquem as suas causas com argumentos entendíveis e atendíveis. Basta a menina não aparecer em público nas condições que são exigidas pelas boas famílias que parte do trabalhinho fica feito. Não interessa nada que só esse ataque - o ataque que a visa, a si, apenas a si, e não às causas que defende -, prove que a menina tem uma razão inabalavel. 

Previno-a, no entanto, que basta que seja chicoteado um prevaricador em público para que as multidões se acanhem apavoradas com a possibilidade de serem também batidas em seguida. Este medo, agora, às vezes dobra se o silvo do chicote se fizer ouvir no facebook.

Penso ter dito tudo o que me ocorreu. 

Não fico para o chá, pois que tenho o veleiro pronto a zarpar, movido pelo vento e suponho que por aquelas coisas fálicas com pás na ponta, que parecem moinhos magrinhos e receio que iguais aos que a menina defende - uma pena não conhecer Cervantes. Parto pois de pandas velas de algodão egípcio fabricadas pelos miúdos lá longe, ainda mais novos que a menina, que por acaso também não vão à escola e a quem nem sequer nascem os sonhos, não sabemos porquê, pois que deixamos de ter causas. Anote que vou de vela! Não sou como a bastonária da Ordem dos Enfermeiros que apresentou uma conta de dez mil euros em combustível no mês de Setembro. É evidente que a senhora - é só fazer as contas, não é preciso ser Secretário-Geral da ONU! - percorreu cerca de 400 Km todos os dias do mês - não apenas nos difíceis, em que só nos apetece desatar a guiar até à Cochinchina -, provavelmente para visitar cada um dos enfermeiros precários da região que lhe fica mais à mão. Uma poluente, como se vê, e ainda por cima com penas de aves esfoladas nas orelhas.

Está a ver?!

Desviar toda a nossa atenção para casos destes, ainda mais relacionados com a saúde do muito próximo, mais assim caseiro, muito bastonária, sai muito mais em conta e nem aquece, nem arrefece, quem a elegeu.

É isso e a carne de vaca nas cantinas, ou a testosterona do giraço. Também serve - e parece tudo o mesmo hamburguer. 

Vá por mim! Faça como eu, gaste tudo em álcool  e deixe tudo arder.

 

Ilustração - Afarin Sajedi       

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