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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe escreve um fado

rabiscado pela Gaffe, em 15.02.18

fado.jpg

 

Meu amor sei-te da morte

Pelas escamas de nuvens afogadas

Pela carne em carne viva das pegadas

Que deixo no caminho à sua sorte

 

Meu amor sei que morri

No teu silêncio que tem a cor das fontes

E que entre a luz e a morte não há pontes

Nem terra a latejar dentro de ti

 

Porque eu morri

 

Meu amor sei-te de morte

No corpo contra a sombra que abandono

No cão que lambe o mar por não ter dono

Na luz de olhos fechados como um corte

 

Meu amor sei que morri

Nas crinas das raízes rasas de água

Das árvores que são pássaros de mágoa

Com asas que se despem só por ti

 

Porque eu morri

 

Meu amor sei-te da morte

Queimei a cal do peito que morreu

Na dor que tinha o nome que era o teu

E havia um ninho a abrir o vento Norte

 

Meu amor sei que morri

No pátio que erguias nos meus braços

Que agora se desfazem de tão lassos

Porque ao morreres levaste o que eu vivi

 

E eu morri

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Gavetas:


23 rabiscos

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De Carlos Berkeley Cotter a 15.02.2018 às 14:39

Muito bonito. Não lhe conhecia esses dotes de poetisa.
Parabéns.
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De Gaffe a 15.02.2018 às 14:58

Não os conhecia, porque não existem, meu caro Mr. Cotter.
Foi apenas um fado pateta que se me escapou. Nunca tal se ouviu e nunca se escreveu. Foi um percalço.
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De Carlos Berkeley Cotter a 15.02.2018 às 15:55

Belo percalço. Continue.
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De Gaffe a 15.02.2018 às 16:20

Acho que devo deixar o fado para quem o sabe sentir.
Esta tentativa é filha única.
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De Fleuma a 15.02.2018 às 15:46

Outro labirinto, Gaffe?

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De Gaffe a 15.02.2018 às 16:19

Este é traidor. Não tem saída.
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De Pequeno caso sério a 15.02.2018 às 17:23

O fado não se comenta.
Ouve - se (ou neste caso, lê-se ) no mais absoluto silêncio...para no final aplaudir. De pé.

Uma pena que este fado não seja musicado. Quase que consigo imaginar a voz do Ricardo Ribeiro a cantá - lo.
Mais um talento que escondias de nós. Posto isto , há uma pergunta que se impõe num tom invejoso-Branco :
Mas será que não fazes nada mal, raça de ruiva mais acertada?

;)*
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De Gaffe a 15.02.2018 às 17:59

Provavelmente não vais acreditar, mas era na voz de Ricardo Ribeiro que tive o atrevimento de pensar enquanto este meu "fado" ia crescendo.
Tolices.

Às vezes, não sei viver. Faço mal os dias.
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De Corvo a 15.02.2018 às 21:07

Que mais acrescentar?
Somos humanos, apenas. Mas nem todos com a mesma sensibilidade.

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De Gaffe a 15.02.2018 às 21:09

E é tão bom ser-se humano e é tao boa essa diversidade.
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De Corvo a 15.02.2018 às 23:13

É mesmo, Gaffe Se houver capacidade racional para a descobrir, e aceitar.
Se sim, tudo se resolve a contento.
Um sábio disse, não sei onde: "nada de demasias", e outro: " encerrai tudo convosco"
:)
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De Gaffe a 15.02.2018 às 23:26

De descobrir.
De aceitar, já não. Não gosto do verbo. Tem um sabor vagamente hipócrita e um travo muito subtil a julgamento pio. Não temos de aceitar. Sempre senti que tinha de apenas de viver ao lado do que de mim é diverso. Nada mais.
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De Corvo a 15.02.2018 às 23:53

Aceitar, no sentido de que os imponderáveis que não quereríamos nas nossas vidas, existem e deles não podemos eximir-nos.
Aceitar essa realidade, apenas, porque qualquer outra aceitação parecer-se-ia muito com uma cobarde acomodação.
Tal como a menina diz, sentir que tem apenas de viver ao lado do que de si é diverso.
Não me soube explicar devidamente, desculpe
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De Gaffe a 16.02.2018 às 09:49

Podemos sempre acompanhar imponderáveis. Nem todos são nefastos.

Um beijo.
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De Isa a 15.02.2018 às 23:11

A menina faça o favor de entregar essa ilha de sentires tão sentidos, a quem lhe dê uma
voz e acordes que os honrem.

É uma ordem!

( Há pra mais de 1 século que me sinto existir, e até hoje nunca me enganei em relação aos Grandes. Havias de confiar em mim).


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De Gaffe a 15.02.2018 às 23:28

Mas acabei de entregar! A tua voz e o teu acorde soam bem ao lado desta ilhota.
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De Isa a 16.02.2018 às 09:32

Sempre gentil...

Beijo, querida Gaffe.
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De Bruno a 16.02.2018 às 02:36

Regina Casé pediu a Amália para comentar a seguinte afirmação de um artista brasileiro (cujo nome se me escapa): "Samba na ponta do pé, Fado na ponta da língua" e a querida Amália disse: "Fado na ponta da língua, Fado na ponta do..." e aponta para o coração.
E aqui estamos.
Mas que lindo, Gaffe. Mas que lindo! e não é este o nosso Fado, de sentir e de morrer de sentimento?
Beijinhos
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De Gaffe a 16.02.2018 às 09:48

Ah! o nosso fado!
Não sei se é de sentir e de morrer sentindo, mas soa bem.
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De j.campião a 20.02.2018 às 00:03

Ahh, que eu bem te avisei... Queira Deus que não fiques por aqui!

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De Gaffe a 20.02.2018 às 00:35

:)
Suspeito que Deus não está interessado em contrariar uma rapariga determinada.
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De Carlos Berkeley Cotter a 21.02.2018 às 12:10

Acho que tinha (eu) razão no comentário, há dias.
Outro belo "percalço".
Parabéns
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De Gaffe a 21.02.2018 às 13:11

Um é percalço, dois é teimosia. O terceiro será sempre asneira.

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