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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe espiralada

rabiscado pela Gaffe, em 11.01.18

TimesUpLogo_Large.pngRita, querida, a Gaffe consegue estar consigo.

Tal como a menina, a Gaffe considera um escândalo que no elenco das apresentadoras do Festival da Eurovisão não surja uma mulher negra. Uma indecência que poderia facilmente ser evitada - provando-se em simultâneo que este país é para todos -  se Filomena Cautela fosse substituída pela Carmen, a de Bizet, Sílvia Alberto por um anão, e a outra senhora que se lhe varre o nome, pela Ministra da Justiça que, como todos sabemos, tem um poder de comunicação deveras invejável. De rejeitar a Oprah, pois que o desconhecimento da Lei, não a invalida, e esta mulher, pese embora a cor, várias vezes se espapaçou no pescoço escroque de Weinstein. O facto de não ter tido oportunidade de espreitar o bicho no escurinho podre do seu cinema privado e nojento, não a iliba - Não sabia? Soubesse. Catarina Furtado sobrevive a tudo, como fica provado depois de a vermos enfiada num vestido Nuno Baltazar - preto, comme il faut -, dois ou três números abaixo do aconselhável e com as mamocas encaixadas nas narinas.

 

É evidente que, apesar de mais composto e ligeiramente mais abrangente, o palco ficaria ainda com muita coisa de fora - de realçar as mamocas referidas e a piloca do James Franco -, mas pelo menos era capaz de não ofender o feminino, não boicotar tão descaradamente a diversidade planetária, e recordar que estamos todas ali, de pin ao peito, também a lamentar - porque somos bondosas - as pilocas dos pobrezinhos que, como a de James Franco, não conseguem organizar um festival privado sem o recurso ao mumificado deneuviano e diluviano - com uma pitadinha breve de marquês de Sade – conceito de importunar.

 

É contudo agradável perceber-se que, esta espiral hollywoodesca de revelações catastróficas, derrubou o mito que encharcava a mulher bonita de estupidez, considerando que beleza é antónimo de inteligência, que uma bela mulher nunca sabe para onde vai e para o que vai. Ficou claro desta vez que a beleza sabe sempre o que faz, o que quer e onde se mete, fornecendo-se apenas às matronas e aos mostrengos a ingenuidade e a inocência de quem, com angelical imbecilidade, apanha a pila do predador dando conta disso só depois.

 

A Gaffe suspeita que há extremos que não se tocam. Um segmento de recta não verga, não se torna pulseira, a não ser que a forcemos, que a dobremos, que a contrariemos, que a obriguemos, e mesmo nestes casos corre o risco de quebrar. Confundir, ou fazer colidir, sedução com assédio e liberdade sexual com o direito que a pila de James Franco tem de importunar - embora neste caso específico, o assunto mereça reavaliação -, é o mesmo que considerar luminosamente esclarecida, humanitariamente salvaguardada a diversidade feminina, espetando uma negra a perdigotar twelve points num festival de cançonetas onde é comum mamocas aos pinchos e rabiosques a pedi-las.

 

Mas é giro, Rita, mas é giro.

 

Por isso a Gaffe consegue estar consigo, pese embora o tenebroso e sombrio pecado que esta rapariga acarreta e que a faz desejar ardentemente que Deus e a menina desconheçam.

Deus que ignore o quanto esta rapariga gosta de homens, pois, se Deus descobre esta sua faceta obsessiva, terá o mesmo destino da primeira violadora conhecida e, como toda a gente de boas famílias sabe, não foi dada a possibilidade a Eva de se justificar com os preparos de Adão, que andava a pedi-las, de pila enroscada nas macieiras. Foi logo ali expulsa do Antero - de Quental, ou do quintal, para o caso tanto faz -, salomonicamente acompanhada pelo rapagão, porque nestes casos nunca se sabe quem começa, e porque na altura foi difícil encontrar a isenção e a independência de Joana Marques Vidal, logo ali a seguir ao arquivamento do caso dos submarinos e do processo Tecnoforma.

 

Semelhante à de Deus, a ignorância da Rita em relação à esta sombra da Gaffe, é abençoada pois permitirá também que a menina não se mate, cavalgando e subindo ao cume do seu ego e atirando-se depois para o vazio do que diz.      

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35 rabiscos

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De Carlos Berkeley Cotter a 11.01.2018 às 17:28

O que eu me ri...
O "maior" escritor Português (entenda-se orelhas), dá aulas de Comunicação Social na Univ. Nova. Será que ensina a piscar os olhos?
Parabéns!
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De Gaffe a 11.01.2018 às 18:21

Antes ensinar a piscar o olho - sem assédio, sublinhe-se -, do que ensinar a seleccionar notícias.
Suspeito que deixou de haver verdadeiros jornalistas em Portugal.

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