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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe feminina

rabiscado pela Gaffe, em 18.04.16

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O facto de me tentarem exigir um esforço adicional para atingir determinadas metas, de subtilmente procurarem provas do meu mérito ou atribuírem os louros que esporadicamente recolho ao facto de ser mulher, deixa-me descaradamente insensível ou é olhado com relativo humor.

 

Na mesma linha, os meus fracassos são observados com lupa e as hipérboles surgem constantes - embora não haja dano, porque ninguém como eu para empolar as minhas lamentáveis falhas.

 

Tudo, porque sou feminina.

 

Ser-se feminina ao contrário do pensado, pode não ser vantagem séria. O facto de se ser mulher serve muitas vezes de desculpa e de álibi ao fracasso do macho e há sempre a possibilidade de encontrar no caminho a irónica exigência de apresentação de capacidades acrescidas para reter o que é nosso, por direito ou por esforço, mas que é visto sempre atenuado ou esbatido, visto como sucedâneo muito provável daquilo que somos fisicamente.

 

Nunca tal me fez agitar mais do que o devido.

Nunca permiti que me exigissem fosse o que fosse para além daquilo que forçoso seria de esperar.

 

O estratagema usado pelos meus rapagões, rivais na profissão, apenas me desperta a consciência do corpo e, se o ser feminina é uma poderosa arma - de que me esqueço nos campos de batalha onde pensar é ordem de serviço, - quem a dispara é sempre o acusador.

 

Às vezes, possuir a arma da feminilidade não significa necessariamente que a usemos, mas é provável que o façamos no meio de sacanas, quando o inimigo nos lembra que ela existe.

 

Na foto - Virna Lisi

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