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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe futebolística

rabiscado pela Gaffe, em 18.05.18

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Seria conveniente alguém ser capaz de explicar a esta rapariga perplexa a habilidade e agilidade mental dos adeptos dos clubes de futebol que continuam de caras pintadas, aos urros, suados, empunhando bandeiras, tochas, isqueiros, camisolas, gorros, cuecas, gritando loas às equipas que em campo revelam que nunca se sabe se foram compradas ou se o árbitro está demasiado inclinado, em conchinha com o senhor presidente que no camarote faz com que dez mil euros bastem para construir um resultado.

 

Não se sentirão imbecis?

 

O grau de idiotice é proporcional à quantia investida. No andebol um jogador custa mil euros e, em consequência, o patamar de patetice do adepto é mais brando do que aquele que é atingido quando estão envolvidos dez mil futebolistas.

 

A Gaffe admite que sabe quais são as cores dos clubes. Verde e branco pertence ao Sporting, azul e branco ao Porto e o vermelho é benfiquista. O Académico – ou Académica? a falta que nos faz aqui o Bloco de Esquerda! -, é preto, ou preta – de cor negra, vá, que convém parecer correcta. O resto é cor a dar com tudo e a receber o que se oferece.

 

A Gaffe gosta apenas das coxas dos jogadores e regiões limítrofes e jamais entrará num estádio sem estar protegida pela sua guarda de honra.

 

Não sabe mais, esta pobre moça, pese embora se ter apercebido que no dia de ontem dez canais televisivos estavam ao mesmo tempo a transmitir declarações de tudo o que mexia - menos as da EDP -, esticando durante horas intermináveis o nauseabundo retrato de uma máfia de subúrbio que joga debaixo da relva a bola subterrânea da vigarice mais grosseira e mais estúpida, tendo em conta que se deixa escutar a torto e a direito, acreditando que encripta a batota com lirismos achocolatados.  

 

É de sublinhar, no entanto, que a Gaffe se sente empolgada com as declarações de Ferro Rodrigues que atestando a sua vetusta indignação perante o descalabro futebolístico consegue encaixar uma notinha de porcina demagogia reportando-se ao trabalho de investigação jornalística relacionada com políticos, e com Marcelo que, por estranho que possa parecer, não compareceu no balneário de Alcochete para beijocar os jogadores agredidos pelos amigalhaços das claques. Uma falha que aquele menino que chora com um dói-dói na testa com certeza jamais esquecerá e que justifica uma debandada geral de atletas que se consolam com os pensos rápidos das ofertas mais chorudas de mafiosos rivais.  

 

Esta burlesca trapalhada não tem a qualidade exigida, pese embora o Bentley de Jorge Jesus. A corrupção não pode andar pelas ruas da amargura. Depois de conhecermos Dias Loureiro, Ricardo Salgado, ou mesmo Sócrates, que - alegadamente - a colocaram no patamar das obras dignas de figurar nos anais da história - e sobretudos nos do povo -, não é de todo agradável assistirmos ao rebaixamento da corrupção levada a cabo por um bando de psicopatas sem educação ou sangue-frio, sem berço e sem finura, sem pose, que não sabem usar fatos Trussardi, mas convictos da importância vital que as molduras humanas dos estádios lhes fornecem.

 

Meus queridos, até para se ser corrupto é necessário berço. Para se ser corrompido, basta, nestes casos, uma chuteira e um ou dois golos fora de época.  

 

A Gaffe sente-se exactamente como o seleccionador nacional que - com um allure de Bond parolo de sobrolho encarquilhado, ou com ar de quem tem urgência de acoplar uma sanita ao rabo -, declara sorumbático que não ter palavras, nem adjetivos, para qualificar a situação.

 

A Gaffe também fica sem substantivos e mesmo os verbos escasseiam. Só se arranjam uns advérbios mixurucas que os adeptos podem usar quando se referirem às vezes em que acreditaram nas balizas.    

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7 rabiscos

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De Pequeno caso sério a 18.05.2018 às 19:20

Tudo o que está a acontecer é lamentável MAS lamento ainda mais que as pessoas não se indignem com a mesma veemência com outras causas bem mais nobres como o facto de crianças com cancro serem tratadas em contentores ou com esse bando de corruptos que nos tem levado a todos à ruína andar à solta.
Gostava de ver a mesma indignação quando um bando de marginais entrou por uma escola adentro e atacou uma professora . De referir que não foi a primeira vez nem será a última mas com isso ninguém se indigna.
As prioridades estão de facto muito mal definidas...e pergunto - me que merda de mundo é este que estamos a deixar aos nossos filhos...
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De Gaffe a 18.05.2018 às 19:49

Uma equipa médica completa foi ontem barbaramente agredida por bandalhos, quando cumpria as suas funções nos serviços de urgência de um hospital central. O enfermeiro ficou gravemente ferido.
Foi notícia de rodapé.

Nenhum profissional de saúde corrompeu ou foi corrompido. Só estava ali "à mão de semear".
Não houve debate, nem grandes parangonas. Não houve protestos, o Ferro Rodrigues não se indignou e os jornalistas andavam demasiado ocupados em largar as câmeras e depois encarniçar uma notícia quando a claque de um clube em descalabro decidiu esbardalhar o balneário.

É o que temos. Uma equipa de saúde não produz dinheiro.

Posso estar a ser demagógica, mas quero lá saber.
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De Anónimo a 19.05.2018 às 17:59

Não está a ser demagógica, não, Gaffe.
Uma vergonha este país.
Bom fim-de-semana.
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De Cecília a 21.05.2018 às 11:47

e venha o mundial com os seus calções

o resto... é crime normal do dia a dia ;)
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De Gaffe a 21.05.2018 às 18:46

Fiquemo-nos pelos calções... ou mesmo eles.
;)
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De Anónimo a 21.05.2018 às 23:20

Isso lembra-me do tempo em que deixei Porto para ir até São Paulo. Um bando de machos a tocar tambores...
Se o Corinthians não ganhar;
Olê, olê, olá
O pau vai quebrar
No fim a cidade pegava fogo...
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De Gaffe a 21.05.2018 às 23:26

Acontece o mesmo aqui. Parece ser um fado sambado.

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