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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe gaseada

rabiscado pela Gaffe, em 28.06.17

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Admito que vi apenas pedaços breves do concerto de ontem, solidário com as vítimas do incêndio de Pedrogão, e que não fiz a chamada de valor acrescentado porque sou uma cabra insensível – é uma explicação que dura menos tempo a fornecer.

 

Tenho de encontrar modo de ajudar de outra forma.

                 

Apanhei com Ana Moura aos saltos e de saltos, com Raquel Tavares esbardalhada e ligeiramente sinistra, com os D.A.M.A. cheios de madeixas, calças rasgadas nos joelhos, óculos brancos de sol e colar com bolinhas gordas, com ar de quem vai vomitar, mas que não quer que se saiba, e com uma comandita de apresentadores e de jornalistas a fazer que o eram, digladiando-se pelo seus canais e pelos pavilhões auditivos de quem se confundia a tentar perceber a que canal pertencia o grito do amarelo Ferrero Rocher de Fátima Lopes.   

 

Não fui grande espectadora, como se prova, mas fiquei feliz por se ter recolhido a quantia anunciada. Sou uma optimista e vou tentar acreditar que suprirá, de alguma forma, parte das necessidades materias provocadas pela tragédia. 

 

Assisti ao final.

 

Ouvi Salvador Sobral, maravilhada como sempre. Não retiro uma palavra ao que disse aqui.

 

Até ficar gelada com a intervenção do herói de Portugal - vamos abster-nos de a reproduzir, visto ser por demais conhecida - que achou ser engraçado, irreverente, descontraído e oportuno, demonstrar que sentia que estava a cantar ao vivo para 14.000 parolos, idiotas, ignorantes, papalvos e pavlovianos que apenas conseguem acarinhá-lo, aplaudi-lo e mimá-lo, enchendo-o de benesses, de carinho e de dinheiro, desconhecendo por completo que está em causa e em palco um génio musical que paira sobre a película de mediocridade dos seus pares. Os parvos. Os burros. Como se atrevem a aclamá-lo só agora, quando ele tinha uma colecção de coisas lindas e boas antes de amar pelos dois?! Grandes cocós!

 

Salvador Sobral tinha já anunciado, embora com mais suavidade e com perdão anunciado, que se considera uma criatura eleita pelos deuses - sobretudo se cantarem Jazz e Bossa Nova - e que despreza o voto de milhares de paspalhos que lhe entregaram a vitória no Eurofestival, valorizando, isso sim, o apoio de Caetano Veloso que, só por acaso e à laia de exemplo, se comporta como Chet Baker. Nenhum destes dois magníficos interpretes tão venerados por Salvador Sobral se atreveu a sonhar gasear o público.

 

Salvador Sobral, naquele instante de humor - o benefício da dúvida nunca fez mal a ninguém - revelou que ao lado da sua voz e das suas interpretações de alta qualidade, tem um pedante malcriado, sentado ao piano com ele, que é capaz de nos fazer ver de repente que no palco actua apenas um cachopo egocêntrico, convencido e mimado, com um belíssima voz apensa.

 

É mais engraçado o Daffy Duck.

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