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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe guterrista

rabiscado pela Gaffe, em 06.10.16

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Quando a Gaffe ouviu dizer que uma das razões do divórcio de Angelina e Pitt residia no facto do homenzarrão ter batido no puto, não ficou surpreendida. A Gaffe suspeitava que Guterres não devia ter ido visitar os pobrezinhos ao lado da diva e sem que a viagem tivesse o patrocínio BP.  

É evidente que ficou incomodada até o ver de boa saúde a defender a sua candidatura a Secretário-Geral das Nações Unidas.

 

Esta rapariga confessa que é pouco dada a orgulhos bacocos. Experimentou uma pitadita deste nobre sentimento ao assistir à intrincada inovação eleitoral e pelo facto de ter sido eleito o candidato mais capaz - e que provavelmente terá de retirar em braços Ban Ki-moon que esteve a dormir na poltrona durante estes anos.

 

Isolado no meio de uma data de candidatos de leste que oscilam e confundem outros valores que mais alto se levantam, ao lado de um outro que não responde a estratégias geopolíticas dignas de relevo e enquadrado por mais um que a Inglaterra não consegue engolir, Guterres é a tabuinha certa numa inundação que tem como afogados principais a Alemanha e a sua titubeante Kristalina que parece desconhecer o conflito uncraniano, tão ocupada que se encontra a tentar falar em inglês sem deixar de pensar em alemão.

 

Aliando-se a este cenário, o facto de Guterres se ter revelado indiscutivelmente o melhor candidato - o que prova que um líder desastrado de um partido, um ex-primeiro-ministro medíocre e de tanga, mergulhado num pântano político que não consegue drenar, pode aspirar com o tempo à competência, - tornou quase obrigatória a sua eleição e em consequência as manifestações de orgulho pindérico que caracteriza o provincianismo português.

 

A eleição pontual do mérito e da competência, meus queridos, não é contagiosa. Não se transforma em epidemia e não faz dum conterrâneo eleito a encarnação ou o símbolo de um país, assim como não permite, sobretudo neste caso, que a diplomacia portuguesa desate aos gritos reivindicando um pedacinho das folhas de louro que agora emolduram o triste, mas valoroso, penteado do novo Secretário-Geral da ONU.

 

Continuamos por cá muito pobrezinhos.

 

Empolamos a alegria, dilatamos o peito, inchamos o ego, ampliamos o orgulho e exultamos - mesmo não sabendo muito bem porquê, ou apenas porque o mérito tem as cores da nossa bandeira, - mas sempre caseiramente à espera de meter a cunha, fazendo lembrar a criaturinha patética que esbraceja em defesa da globalização do arco-íris, da defesa do carrapato do Cazaquistão e do gorila na bruma, da harmonia planetária e da comunhão sem preconceitos entre povos, mas que no aconchego do lar e da sua mesquinhez rancorosa não resiste, à laia de exemplos ou de brisas na tarde, a chamar cenourita a uma ruiva - ou a considerar que uma prostituta que se soltou das esquinas e dos cantos degradados da vida que teve, tem de passar a ser mais dócil, porque existe gente de respeito que faz o favor de a aceitar agora, - como se o epíteto, o beliscão lasso que tenta cravar ininterruptamente, não representasse apenas a tristeza da sua permanente crespa, baça e descolorada - ou que uma decisão alheia tivesse de passar pelo seu crivo raquítico para se assumir de pleno direito.

 

Usamos de modo anfetamínico o mérito dos outros acreditando orgulhosos que dele partilhamos, que nele nos revemos, que ele nos encarna, apenas porque não conseguimos vislumbrar a nossa vacuidade e a nossa mediocridade desfraldada.

 

Vestimo-nos de Batman e rabiscamos obscenidades nos WC da vida.

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2 rabiscos

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De Fleuma a 06.10.2016 às 16:36

Absolutamente certo! Este circo de patriotismo coxo e cretino é tão revelador do maior defeito deste país. A memória é curta. E podem voltar a cruzar o braços e deixar as vivas para o fim de ano. Não vai trazer nada de novo para Portugal.

Saúde,
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De Gaffe a 06.10.2016 às 16:44

Assim como Ban Ki-moon nada trouxe à C. do Sul, embora neste caso, não tenha trazido o que quer que seja a nenhum lado.
Pelo menos os sul coreanos sempre foram contidos e não se esbardalharam na imbecilidade dos vivas e do orgulho bacoco.

Somos paradoxais. Exultamos com vitórias que nem sequer são nossas, mas que são visíveis, enquanto vamos roendo no escuro o vizinho mais próximo só porque ele é ... ruivo ou roto ou redondo ou raso. Esquecemos depressa o mau, pelo bem que sabe.

:)

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