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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe horrorizada

rabiscado pela Gaffe, em 18.11.19

A Gaffe horrorizada.jpgA Gaffe decidiu torturar os homens da casa. O maninho e o amigo gigantesco que veio passar uns dias junto desta ruiva. Ambos suplicam o comando da TV e a ambos é dada uma condição para o obterem. Devem confessar 10 atrocidades que cometem quando estão sós durante horas a fio, fechados em casa. Devem ser barbaridades que saibam comuns a todos os rapazes.

 

Olham um para o outro e, para espanto desta rapariga nada cautelosa, começam a enumerar sem qualquer pudor aquilo que até às paredes deveria ser poupado.

 

A Gaffe hesitou imenso em revelar o que ouviu, mas considera serviço público anunciar ao mundo o que estes trogloditas que pensamos civilizados no aconchego do nosso lar, são capazes de ousar quando os deixamos sós.

Algumas das revelações, por escabrosas, podem ferir susceptibilidades e convém que sobretudo virgens e beatas se afastem daqui de imediato.

Conheçamos então do que estes mostrengos são capazes:

1

Esbardalham-se no sofá, com os pés pousados na mesa de apoio, a fazer zapping. Pelo caminho enfiam a mão nos boxers, misturam o que dentro há para misturar, e levam depois os dedos ao nariz;

2

Esbardalhados ainda no sofá, com um braço a apoiar a cabeça, parados a avaliar as maminhas aos pinchos das coristas do Portugal em Festa, tentam cheirar o sovaco, porque sentem qualquer coisa a apodrecer;

3

Vão tomar duche e ensaiam em voz alta o discurso que vão usar para romper com a namorada, ou debitar na frente do Grande Chefe, enquanto fazem xixi nos azulejos e no tapete que impede que escorreguem;

4

Experimentam penteados, depois de se exercitarem ao espelho em poses de culturista. Pensam seriamente em fotografar a pilinha. Só não o fazem porque se esqueceram de levar o telemóvel. Insultam-se e praguejam contra o esquecimento;  

5

Mal sentem fome, abrem o frigorífico e retiram, mexem, enrolam, vistoriam o que há dentro. Comem de pé o que lhes agrada, com as mãos e com a porta aberta. Enfiam um pedaço de pão no frasco da maionese, cheiram os pickles e demais miudezas, levam um ou outra à língua só para provar e voltam a enfiar se for azedo o lambido no sítio;

6

Pensam vestir-se e começam por cheirar a roupa. O colarinho das camisas, o tecido debaixo dos braços, o interior da braguilha dos jeans e, pasme-se, as cuecas, são peças que gostam de inspeccionar com o nariz;

7

Pegam nos livros que estamos a ler, depois de uma sessão de Kung-Fu em que venceram Jackie Chan e de um número de vaudeville em que foram o Sinatra com o desodorizante a servir de microfone, e lêem o último capítulo com um único objectivo: contarem-nos o desfecho;

8

Abrem as nossas gavetas e retiram a lingerie que encontram. A única perversidadezinha que cometem consiste em tentar vestir o soutien mais cobiçado e caricaturar ao espelho a rapariga que os recusou, mas que lhes ficou na memória;

9

Dão uma vista de olhos à mais recente pornografia na net para passados uns minutos perderem o interesse e começarem a googlar o mais absurdo que conseguem inventar. Mulheres com pêlos nas orelhas, Constuitução da República Eslovaca ou choques eléctricos nos testículos dos nazis, são hipóteses a considerar;

10

Por não haver rigorosamente mais nada para fazer, fotografam finalmente a pilinha com o telemóvel. Olham a fotografia, acham um nojo, pequeno e tristonho, e desistem de a enviar à boazona que engataram no baptismo do sobrinho e que os presenteou há minutos com uma foto das férias onde toda a paisagem está tapada por duas mamas ampliadas. Reconhecem que já estavam bêbados quando a conheceram. 

 

Horrorizadas?

 

A verdade é que há razões para tal.

Saber que um jovem e conceituado professor de uma das mais distintas Universidades da Europa e um jovem engenheiro físico de importância vital para uma empresa que opera numa área que ultrapassa um mortal mais simples, enumeram tais horrores como comportamentos comuns a todos os homens que ficam sozinhos - e que pelo menos um dos enunciados é recorrente -, é ficar a um passo de admitir que eles, os homens em geral, quando sozinhos, conseguem ser muito mais civilizados do que nós!  

 photo man_zps989a72a6.png


30 rabiscos

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De amarquesademarvila a 18.11.2019 às 17:00

AHhahaahahahahahah!!!!! O que já me ri!!!
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De Pequeno caso sério a 18.11.2019 às 17:36

O (estranho) comportamento humano é como os piolhos: não conhece classe social e chega a todos embora sejam poucos os capazes de os confessar.

Se as mulheres fizessem o mesmo tipo de lista (apenas com a verdade) ficarias horrorizada .

Creio que é quando estamos sozinhos connosco que cometemos as "atrocidades" mais inconfessáveis.

; )


P.s- apesar do alerta tenho a certeza que a esta hora tens muita beata enjoada.
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De Gaffe a 18.11.2019 às 21:53

Francamente acho que sou uma espécie de santa!
Nunca fiz nada de tão tarado quando estou sozinha!!!
Acho que apenas leio e ando descalça por todo o lado a comer porcarias.

(ah!, já espreitei umas coisitas porno, mas larguei logo. Não me pareceu higiénico.)
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De Maria Araújo a 18.11.2019 às 19:42

Não duvido de nada.
Mas a número seis, desconhecia.
Dentro de casa cada um faz o que gosta, e ninguém está lá para ver.
O que faremos nós, mulheres?

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De Gaffe a 18.11.2019 às 21:57

A número 6 é a mais tarada.
O certo é que os dois fizeram de propósito para que ficasse chocada. Não tenho a certeza da verdade destas atrocidades cometidas no aconchego da solidão masculina.

Temos de ter em consideração que estes dois são uns sacaninhas.
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De Maria Araújo a 19.11.2019 às 00:00

E eu gosto de bons rapazes/ sacaninhas.
Boa noite.
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De Gaffe a 19.11.2019 às 00:07

Encontrou-os!
:)))
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De Maria Araújo a 19.11.2019 às 09:38

Bom dia.
Quando escrevi que gosto de rapazes, foi porque a Gaffe se referiu a estes "seus", e para quem possa interpretar mal as minhas palavras, a Gafe não, eu gosto de sacaninhas da minha idade.
Um bom dia para si.
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De Gaffe a 19.11.2019 às 09:55

Nós, minha querida, não temos idade.
Os rapagões são da idade que quisermos, portanto.
:)
*
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De Maria Araújo a 19.11.2019 às 11:38

Ah,ah!
Boa resposta.
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De júlio farinha a 18.11.2019 às 21:22

Então o maninho e o amigo são uns porcalhões? E que fez ou disse a Gaffe perante os desmandos e amaneirados gestos da parelha? Não a tenho, menina Gaffe, por pessoa que come e cala. Bem ao contrário.
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De Gaffe a 18.11.2019 às 21:49

Nunca mais toco naquele comando.
Como é evidente, optei pela postura da rainha Vitória: aquilo não existe.
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De júlio farinha a 18.11.2019 às 21:52

Também ficou horrorizada com o comando? Pergunto eu. Ou é óbvio?
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De Gaffe a 18.11.2019 às 22:02

Fiquei horrorizada com a hipótese do comando ter servido para mais do que mudar de canal...

Com esta juventude nunca se sabe onde pára o satélite e tenho suspeitado de uma ou outra visita feminina.
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De júlio farinha a 18.11.2019 às 22:25

Gaffe, tem que ser mais assertiva, pois suspeitando das reservas quanto ao uso posterior do comando, não tenho bem a certeza das causas. Mesmo assim, confesso que a dar-se o caso por esclarecido, fartei-me de rir - até às lágrimas.
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De Gaffe a 18.11.2019 às 23:19

Mas eu sou assertiva!
Tão assertiva como a rainha Vitória. Deixou de existir comando.
:)))
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De júlio farinha a 18.11.2019 às 23:35

No tempo da rainha Vitória não havia comandos nem televisão! Gaffe, sugere que, simplesmente, lhe deu sumiço?
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De Gaffe a 19.11.2019 às 00:12

Podia não haver televisão, mas com certeza que havia um comando algures.
;)

Não.
Dado recusar a existência de um comando eventualmente pouco recomendável, deixei que os rapagões controlassem a programação sem a minha interferência...
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De Sarin a 19.11.2019 às 00:20

Não duvido de serem eles mais civilizados: não ocultam tanto, agirão de forma semelhante sós ou com segura companhia. Desconfio que nós, e leia-se majestático, somos mais dissimuladas - nunca mergulhamos o pão na maionese se acompanhadas! Por outro lado, e talvez para repor o equilíbrio, também não enfiamos as mãos nos boxers quando sozinhas.
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De Gaffe a 19.11.2019 às 00:38

E, no entanto, não desprezamos a aventura que é enfiar a mão nos boxers, quando acompanhadas.
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De Sarin a 19.11.2019 às 00:57

Desprezar? De onde supõe Mlle advir-nos o cognome de Aventureiras?
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De Gaffe a 19.11.2019 às 09:31

Minha amiga,
Somos aventureiras, mesmo depois do demo perder as botas, mas há aventuras que sabemos que vão acabar mal, assim como há boxers onde é melhor não penetrar.
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De Sarin a 19.11.2019 às 09:33

Ser aventureira passa por saber escolher os territórios a explorar, caso contrário seríamos mulheres perdidas tacteando o caminho de volta ;)
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De Gaffe a 19.11.2019 às 09:57

Não sei se um mulher se chega realmente a perder!
Normalmente diz-se perdida porque sabe perfeitamente quem quer que a encontre.
;)
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De Sarin a 19.11.2019 às 10:03

Suponho, minha cara, ser melhor encerrar a conversa antes que nos chamem pior - riríamos à gargalhada, as maminhas abanar-se-iam e a compostura ver-se-ia ameaçada independentemente dos bolsos ou boxers onde colocássemos as mãos ;)
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De Gaffe a 19.11.2019 às 10:08

Correctíssimo
Não queremos tal!
;)*
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De Sarin a 19.11.2019 às 10:10

Beijos, tem um bom dia
(é bom reencontrar-te)
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De Maria Araújo a 19.11.2019 às 09:39

Ahahah!
Que atire uma pedra quem nunca o fez.

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