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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe iluminada

rabiscado pela Gaffe, em 20.04.18

jean-françois segura.jpg

 

O Gestor Local de Energia e do Carbono (GLEC) é um senhor competente, discreto, de fato preto e camisa branca, de gravata fininha e regimental, baixinho e pio. A primeira impressão que dele temos é a de um senhor que não permite folestrias - decidi recuperar o léxico duriense -, rigoroso, aborrecido e conservador. Dir-se-ia que nos temos de benzer antes de falar. Quando melhor o conhecemos, acabamos repletos de respeito pela sua tarefa e pela sabedoria, eficácia e competência com que a leva a cabo, pese embora as constantes tropelias irresponsáveis de quem o rodeia.

 

Uma das suas iniciativas mais minúsculas - se comparadas com o trabalho colossal que tem em mãos -, foi, não sei se por orientação superior, colocar autocolantes encimando os interruptores advertindo para a necessidade de se desligar as luzes quando saímos das divisões. São bonitos, com um design agradável e não ferem o contexto onde cumprem o seu dever.

 

O extraordinário é verificar que, após esta diligência, aumentou de forma absurda a quantidade de lâmpadas acesas em compartimentos vazios.

 

Não acredito que o objectivo desta contradição seja a de boicotar os resultados que o GLEC tem de apresentar semestralmente às autoridades competentes. Não quero crer que a vontade de vitória da tacanhez siga por caminhos tão ínvios, tão planeados, desenhados para a atingir a médio prazo. Sempre pensei que a pequenez dos mesquinhos se tornava visível por, num curtíssimo período de tempo, se agigantar e tomar forma aos nossos olhos ao ponto de se tornar doentia, obesa, mas contornável. 

 

Não encontro uma explicação satisfatória.

 

Suponho que existe latente em cada criatura a apetência para se tornar um bichinho maldoso, sem qualquer compensação que não seja a de satisfazer a ânsia de ver fracassar as mais pequenas, as mais irrisórias e as mais corriqueiras acções do outro, mesmo que indiretamente este soçobrar alheio o atinja negativamente depois. 

 

Transportamos um Chucky ridículo de subúrbio ranhoso que a cada passo sai do coma. Contentemo-nos com o facto de se satisfazer com beliscões.     

 

Ilustração - Jean-François Segura

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6 rabiscos

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De Maria Araújo a 20.04.2018 às 13:56

Quantos mais autocolantes/ avisos se põem ou dão, mais desperdício se verifica.
Constatava-o, quando trabalhava.
Sempre agi de forma a poupar e reduzir os custos.

Bom fim-de-semana.
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De Gaffe a 20.04.2018 às 16:41

É estranho, não é?!
Se fossem multados, a "coisa" mudava de figura.
Impressionante.
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De Neurótika Webb a 20.04.2018 às 15:09

É o eterno espírito do contra. Não percebo...
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De Gaffe a 20.04.2018 às 16:41

Creio que sim.
Mas não encontro atitudes destas em mais lugar nenhum! Os franceses, por exemplo, são extraordinariamente cuidadosos e respeitam com seriedade alertas destes.
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De Cuca, a Pirata a 20.04.2018 às 20:31

É a resistência! Eu acho bonito.
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De Gaffe a 20.04.2018 às 23:40

Maravilhoso!
É a resistência, claro. Mas é tão evidente que sim.
:))))

Tão bom!

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