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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe inabitada

rabiscado pela Gaffe, em 11.07.15

chat.jpgOlho-a por entre as vidraças.

 

Traz uns óculos pretos masculinos, dois pequenos rectângulos seguros por hastes quase invisíveis. O cabelo preso como a avó lhe ensinou e um brilho caro nos lábios. A blusa de decote em barco azul-marinho, alonga-lhe a nua indolência dos braços e as calças largas de linho branco, marinheiras, deixam ver os pés descalços. Preso na blusa, perto do ombro, a marca das mulheres da minha casa, as pérolas, desta vez encastoadas num insecto Lalique.

Beberrica água com gelo e limão triturados e gotas de vodka enquanto fuma devagar. Não vai esmagar o cigarro. Nunca o apaga. Vai atirá-lo como sempre para o cinzeiro e olhá-lo a consumir-se em brasa inútil.

 

É uma das mulheres mais perfeitas que eu já vi e, no entanto, percebo-lhe a doença.

Temo sofrer da mesma maleita.

Receio que acabe em mim por atingir o patamar de gravidade que na minha irmã é já evidente.

 

O Desprezo.

 

A minha irmã despreza o Universo todo. A náusea de viver. O desumano nojo. A repulsa que se imiscui com a desilusão mais crua. O asco solitário dos inabitados.

 

Levanta-se e sai, descalça e de oiro, imune, inabordável.

Olha-me indiferente.

 

Às vezes a Indiferença vem antes do Desprezo

 photo man_zps989a72a6.png

Gavetas:


2 rabiscos

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De Gaffe a 12.07.2015 às 00:31

Há homens com o condão de me aquietarem. Creio que o Eduardo é um deles.
Um dia, conto-lhe histórias de berlindes.
:)

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