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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe incapaz

rabiscado pela Gaffe, em 08.05.15

Haderer.jpgA época de incêndios nas redes sociais é permanente. As línguas de fogo contaminam todas as plataformas e não raras vezes as faúlhas que tombam nos descampados são tomadas por ameaças de devastação inflamada e catastrófica.

 

A Gaffe, depois de alterar um ou outro vocábulo da Balada, recita Augusto Gil,

 

Batem forte, fortemente

Como quem chama por mim.

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente

E a chuva não bate assim.

e vai ler.

 

Patrícia Motta Veiga escreve Amar é Instinto e provoca as manifestações indignadas que já se previam.

A Gaffe admite que é dolorosamente difícil escrever e descrever sexo. São raros os que o fazem bem – sexo e escrita -, mas a autora consegue um equilíbrio bastante razoável e não sendo David Mourão-Ferreira ou Maria Teresa Horta, não é de todo Quim Barreiros e pelo que se lê é também uma marota.

 

A Gaffe gosta do texto por inúmeras razões que não importa chamar à liça, porque nesta arena digladiam-se outras confusões.

A rapariga é acusada de ter escrito um ensaio ou um manifesto anti-feminista e um apelo sublimado à violência doméstica.

 

Tolices.

 

Se nos braços incandescentes de um homem a Gaffe ondular, de olhos revirados e língua de fora, suplicando numa voz cava saída das entranhas mais recônditas:

- Rasga-me as vestes e chama-me tola!

Não está, seja de que perspectiva for, a defender a violência doméstica. Está a precisar de um exorcista, de alguém que a ensine que não se estragam numa noite as peças YSL e que não se deve tratar por tu uma pessoa que não conhecemos bem.  

Se a Gaffe vê sofregamente beijado o seu rabinho, não acusa o beijoqueiro de tentar esconder a sua homossexualidade, disfarçando no seu rabiosque um desejo grego antigo, atentando dessa forma contra os direitos dos gays.

Se sugerem à Gaffe pela calada da noite e ruídos dos lençóis, acrobacias inspiradas - embora comedidas - em tratados velhos e marotos, esta rapariga é incapaz de concluir que foi para a cama como o Cirque du Soleil.

Se a Gaffe vê Diogo Morgado de barba rala e vestido de Dulce Pontes a pedir para que deixem vir a Ele as criancinhas, não é capaz de lhe esbardalhar o nome na montra da mercearia a avisar que anda pedófilo no parque.

 

Controlem-se. Vá. 

 

Patrícia Motta Veiga escreveu um texto em que apenas se descreve uma muito particular forma de Amar e se a acusam de anti-feminismo ou de insinuar um apoio a formas patológicas de agir, a Gaffe espera que quando forem pela primeira vez à praia não desatem a cantar hinos de louvor a Deus pelo milagre a que assistem quando deparam com um homem a deslizar sobre as águas.

Na esmagadora maioria das vezes é só o McNamara.     

 

Ilustração - G. Haderer

 photo man_zps989a72a6.png


22 rabiscos

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De G. a 08.05.2015 às 11:07

Vou-te ser muito sincera. A literatura é a minha segunda casa, a primeira é o meu corpo, a quem gosto muitíssimo de dar prazer. Talvez por isso, sou bastante difícil de agradar, no que à escrita erótica diz respeito. Leio o texto da Patrícia sem qualquer sombra de feminismo ou anti-feminismo, ou qualquer outra moda de rebanho que por aí apareça. Mas o que também leio é um texto que mais me parece o preenchimento de um questionário, sem perceber muito para que serve.

(E gostei do teu texto.)
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De Gaffe a 08.05.2015 às 11:12

Não discuto a qualidade literária do texto da polémica. Não tenho armas para ousar arriscar.

Creio que fui levada a opinar sobre o feminismo ou a ausência dele no que foi escrito, apenas porque vi demasiada gente a discutir o assunto como se fosse um caso apenso a essa temática.

(Obrigada!)
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De G. a 08.05.2015 às 14:11

Entendo.
Nada do que ali é dito me choca, a intimidade deve ser o que os dois (ou quantos forem) queiram. Não entendo a razão de quem a critica, mas também não entendo muito bem para que servirá aquele texto.

(Voltando a ti, devias publicar as tuas Gaffes em papel ;)
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De Gaffe a 08.05.2015 às 14:38

Claro que sim.

Mas não é necessário que haja uma razão de peso (hoje tenho de cuidar melhor das palavras que escolho!) para o surgir de um texto seja ele qual for.
Basta que olhem para mim.
:)

As minhas gaffes em papel para quê?!
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De G. a 08.05.2015 às 14:45

Claro que não, cada um no seu espaço escreve o que quer. Mas já que falávamos do texto em questão, deixei a minha opinião.




Porque tens jeito para as palavras e muitas palavras de jeito :)
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De Anónimo a 08.05.2015 às 15:00

Comentário apagado.
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De G. a 08.05.2015 às 15:03

Não o duvido (obrigada, avô :)
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De Gaffe a 08.05.2015 às 15:05

Oh!
Há tantas maravilhas que lhe tenho de agradecer.
Mas "isto" não merece a pena.
:)
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De Gaffe a 08.05.2015 às 15:03

Sabes que escrevo apenas para escapar de uma forma divertida ao meu ruído agressivo?
Nada mais. Não existe rigorosamente mais nenhuma razão para o fazer.

Lembro-me que quando éramos crianças - eu, o meu irmão e a minha irmã -, o meu avô "obrigou-nos" a fazer cada uma colecção. Dizia que nos educaria ter a noção de colecta sistemática e objectivos bem definidos a cumprir ao longo do tempo.
Um, escolheu selos a outra, minerais. Eu escolhi palavras, pensando que escaparia dessa forma.
O meu avô vigiava a minha colecção lendo todas as semanas as palavras que tinha conseguido apanhar.

O que escrevo aqui, não é mais do que continuar a minha colecção pequerrucha.

Posso, como os meus irmãos fizeram, parar a qualquer momento. Nada acontece.
:)))
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De M.J. a 08.05.2015 às 13:01

o que eu acho minha querida, é que somos todas um bando de velhas decrepitas, apregoando que é bonito ir à missa, rezar novenas, fazer croché e não pecar por pensamentos, actos e palavras.
e mesmo quando dizemos o contrário estamos à espera que a primeira se chegue à frente para depois cochichar com as amigas, em grupos de venda de tupperwares, que aquela badalhoca é mais usada que um tractor industrial.

incrível, incrível, como num mundo onde se apregoa que a mulher deve fazer sexo como quiser e com quem quiser se venha dizer que os hábitos dela na cama são um desejo escondido de vida.
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De Gaffe a 08.05.2015 às 13:47

Posso ser decrepita e não pecar por palavras (por pensamentos e acção estamos conversadas), mas jamais serei velha e nunca farei sexo como quem vai à novena (... tenho de pensar melhor nesta última tirada ...)

Creio que o nosso gravíssimo problema é que algumas se transformam em cabras ressequidas quando esbarram com alguém feliz e a assumir que o sexo que faz é do melhor que há.

Quem passou a vida a roer couves, não consegue perceber a existência dos tomates.

(... ... também tenho de refazer esta frase)
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De Maria Araújo a 08.05.2015 às 15:24


Ai, Gaffe, eu sou velha, mas não decrépita.

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De Gaffe a 08.05.2015 às 15:32

Uma rapariga esperta jamais envelhece.
Amadurece.
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De Maria Araújo a 08.05.2015 às 13:06

http://andeverythingnice.blogs.sapo.pt/eh-carapau-34888

O comentário que fiz no blog do linl acima, deixo-o aqui, também no seu.


(...)
Maria Capaz, não conhecia o nome nem o blog, mas fui ler.
Não me apeteceu comentar o blog em destaque, mas, sinceramente, e pondo de parte a questão da agressão entre casais, namorados, amigos, eu, sem hipocrisia, gostei do que li.
A minha opinião não vale nada, mas atire a primeira pedra quem nunca gostou de ,não digo todas, mas a maioria do que a Maria Capaz muito bem enumerou e teve a coragem de assumir.
Se é o homem de quem se gosta, os tabus não devem existir. Pode haver alguma timidez, no início, mas depois, "oh! que bem sabe ouvir e fazer o que mais se gosta e dá prazer!".
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De Gaffe a 08.05.2015 às 13:31

:)
***

C'est évident!
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De CM a 08.05.2015 às 15:04

Cara Gaffe.. Tive a amabilidade e a curiosidade!! :P Concordo completamente consigo! obrigada por ter passado lá no meu cantinho!! :D
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De Gaffe a 08.05.2015 às 15:06

Foi um prazer tê-la por aqui.
Fico contente por ter concordado.
:)
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De Magda L Pais a 08.05.2015 às 21:18

valha-me santa iria da Azoia! mas agora as preferências sexuais de cada um já dão direito a guerra acesa só porque os confessou?
confesso que li o texto (do qual só me apercebi à bocado por causa do teu texto) e não vi nada de extraordinário. Pior são as 50 sombras e fizeram o sucesso que fizeram. Ou só aceitam as 50 sombras porque é ficção? cruzes canhoto
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De Gaffe a 08.05.2015 às 21:31

:)
Normalmente é assim. Já não me espanto.
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De css a 10.05.2015 às 12:38

No que me diz respeito, mantenho a minha opinião sobre o texto. Uma frase como "Gosto de um homem que me agarre com desespero, que me mostre que me mata se eu o deixar.", não é mais que romantizar a violência. E não, não estou de todo a falar de sexo.
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De Gaffe a 10.05.2015 às 16:53

Sim, acredito que não esteja a falar de sexo, mas o problema é que acho que a autora está!
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De css a 10.05.2015 às 18:44

Não me parece de todo que o texto se circunscreva ao sexo, nomeadamente quando utiliza a figura dos ciúmes ou da frase acima.
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De Gaffe a 11.05.2015 às 14:30

Apenas se arrancares a frase do contexto e a isolares.

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