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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe indiferente

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.16

indiferente.jpg

A indiferença constrói-se demasiadas vezes com a ausência de palavras.

É um animalzinho açucarado preso no lugar mais negro da mais comezinha das simulações de felicidade. Limita-se calado a roer as sílabas da vida do hospedeiro, esgotando as razões do que havia para dizer.

Indiferentes, deixamos vagos os lugares do sentir. Deixamos de ter labirintos. Somos um fio, uma recta inútil traçada por uma barra de carvão que suja os dedos e nos deixa fixos na impossibilidade do encontro.

Na indiferença tudo é desencontro.

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12 rabiscos

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De DuvCertezas a 25.05.2016 às 12:10

Onde há indiferença não há lugar para mais nada e é mortal nas relações. "Tudo é desencontro", tudo dito!
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De Gaffe a 25.05.2016 às 14:13

E eu que sinto que sou tão indiferente a tanta coisa!
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De Corvo a 25.05.2016 às 13:04

Penso que a ausência de palavras é a consequência.
Acho que a construção está naquelas palavras que se disseram, e naquelas que ficaram por dizer.
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De Gaffe a 25.05.2016 às 14:14

Ou nas que se perdem por ser ditas, sem ser ditas.
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De Bolinha de Pelo a 25.05.2016 às 15:16

sem duvida
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De Pequeno caso sério a 25.05.2016 às 18:32

Indiferença não deve ser confundida com insensibilidade.
Podes ser indiferente apenas porque naquele momento não estás para aí virada.
Quanto aos silêncios , também os há confortáveis.
Há lá coisa melhor do que o olhar cúmplice do companheiro (ou de uma amiga) que adivinha no nosso silêncio aquilo que queremos sem termos dito uma única palavra? Não há. Por vezes demora anos a construir. Outras há que se fazem de instantes.
"Conheço -te " há pouco tempo e já me leste a alma umas quantas vezes. Trocámos alguma palavra ? Não. Ora aqui tens o melhor exemplo de um silêncio cúmplice que te posso dar.☺
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De Gaffe a 25.05.2016 às 20:37

Um dos melhores "silêncios" do mundo.
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De Corvo a 25.05.2016 às 23:43

Hum! Mas eu penso que a Belle Demoiselle não se referia propriamente a essa indiferença momentânea, passageira e silenciosa convenientemente aproveitada, depois de devidamente elaborada a fim de desfrutar desses doces momentos de silencioso prazer contemplativo, e sim referia-se a outra mais profunda, amarga, aquela que perdura quando os sentimentos se esvaziaram.
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De Gaffe a 26.05.2016 às 00:19

Exactamente, meu querido. Exactamente.
Não é rara. Às vezes torna-se uma velha amiga capaz paradoxalmente de impedir que nos tornemos indiferentes.
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De Maria Araújo a 27.05.2016 às 19:31


Há indiferenças que nos aliviam, outras há que nos matam a alma.
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De Gaffe a 27.05.2016 às 19:50

Quando a alma é a nossa e a indiferença alheia, suponho.

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