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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe infantil

rabiscado pela Gaffe, em 28.11.16

 

Há dias ouvi contar um episódio que me comoveu.

Um puto minúsculo passeia pela mão do pai e encontra, a dormir num banco de jardim, um rapazito sem-abrigo. Pergunta ao pai se o podem levar para casa.

O homem explica-lhe a impossibilidade de acolher o rapaz. São justificações que qualquer adulto encontra para validar a negação. Vão desde o facto de se não saber se a criança tem pais, até à possibilidade de o miúdo recusar. Acabam todas por ser embaraçosas e vergonhosas perante os contra-argumentos do filho - se dorme na rua, não tem pais, há uma cama vaga em casa, é melhor dormir num colchão do que em cima de madeira e é fácil ter um pequeno amigo novo dentro de casa que não provocará rombos significativos no orçamento burguês.

 

Não interessa o final desta quase parábola.

 

O que me comoveu foi o facto de ter percebido que é a infância que tem as soluções mais simples, mais eficazes e mais correctas para os conflitos e dilemas que se vão erguendo e aglomerando com o avançar do tempo.

Nada se tornaria mais equilibrado se uma visão infantil partilhasse a procura da resolução dos buracos negros socias e das guerrilhas de consciências adultas.

Confesso que no que diz respeito à petizada, não sou pessoana, mas reconheço que é nestas criaturas que se encontra a maior simplicidade ou a mais eficiente e eficaz das soluções.

 

Crescer, amadurecer, adultecer, tornam-nos labirintos de desculpas.

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12 rabiscos

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De OKaede a 28.11.2016 às 14:07

É triste, que ao ler o teu post só tenha que te dar razão. Quando crescemos ergue-se esse labirinto de desculpas, que pode sem dúvida resultar, em parte, das normas sociais, mas também de um medo, de um caminho que nós pensamos que devemos percorrer para nos distanciarmos dos outros - se já és arrogante ao desconhecido porque não deves falar com estranhos, porque que vais ajudar o próximo, na correria da tua rotina?
Quantas vezes dissemos em criança soluções simples, e no presente apanho-me a pensar mais do que devia para justificar a frieza que leva-me a ignorar o sem-abrigo a gritar "tenho fome", todos os dias nas minhas ida a faculdade

Afinal, nós nunca somos cruéis.

P.S: Peço desculpa pelo texto confuso e nada elegante. É por causa da pressa da vida.
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De Gaffe a 28.11.2016 às 14:24

Não é confuso, nem deselegante, pelo contrário. É claro e eficaz e a eficácia nunca é deselegante.

É apenas um facto.
:)
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De Maria Araújo a 28.11.2016 às 17:10


No adultecer complicamos a vida, Gaffe.
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De Gaffe a 28.11.2016 às 18:35

Às vezes estragamos tudo. Até as crianças - somos sempre várias - que ainda restam em nós.
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De Pequeno caso sério a 28.11.2016 às 18:11

Crescer é uma maçada e dá uma trabalheira. Deve ter sido por isso que me fiquei por um singelo 1,50m e guardo (ainda) tanta coisa de criança.

Os miúdos acham sempre soluções tão lógicas que nos deixam a refletir sobre o porquê de não nos termos lembrado delas.
Se ouvissemos os miúdos era tudo tão mais fácil. Sem filtros nem hipocrisias.

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De Gaffe a 28.11.2016 às 18:34

:)))
Realmente sou bastante mais alta, embora perceba que não chego ao que tu alcanças com facilidade.
As crianças são sobretudo isentas. A chamada sociabilização ainda não teve tempo de as danificar. São também cruéis pela mesma razão.
Embora não seja grande fã das miudagens, admito que são bastantes vezes melhores que os futuros adultos em que se vão tornar.
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De Pequeno caso sério a 28.11.2016 às 19:12

..."Realmente sou bastante mais alta, embora perceba que não chego ao que tu alcanças com facilidade."...

Ai não que não alcanças !
Alcanças as palermices que digo e outras coisas que ficam nas entrelinhas.
Já te disse isto várias vezes: és gigante. Acho um crime o que escreves ficar confinado a estas avenidas. Devias publicar. Pensa nisso.

Quanto ao resto não te preocupes. A minha melhor amiga é bastante mais alta que eu e damo - nos lindamente há anos! Somos conhecidas pelo "chouriço e o atilho" . Só ainda não decidimos quem de nós duas é o quê.

No teu/nosso caso teria de ser uma coisa mais...requintada, do género, "champanhe e trotil" (o bagaço que é uma bomba).
Suponho que ,neste caso, não restariam dúvidas sobre a identidade de cada uma de nós.
; ))))
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De Gaffe a 28.11.2016 às 19:15

:)))
Quando me dizes tolices destas, o meu dia foi ganho!
És uma "doida" absolutamente adorável.
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De Pequeno caso sério a 28.11.2016 às 19:20

Havias de me ver quando acordo (invariavelmente) do avesso.

;))))

(acho que senti uma gargalhada tua deste lado. Quem ganhou o dia fui eu !)
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De Gaffe a 28.11.2016 às 20:24

O meu acordar é sempre bem disposto, embora nem toda a gente o reconheça...

Tens "ouvidos de tísica"!
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De Corvo a 28.11.2016 às 20:43

É. As crianças são muito imprevisíveis e todo o cuidado com elas é pouco.
Nunca se sabe quando nos vão apanhar nas nossas tratantadas. E o pior é quando as ouvem ouvidos inconvenientes.
:)
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De Gaffe a 28.11.2016 às 21:30

Apesar de tudo conheço muito pouco da irreverência e imprevisibilidade infantis.
Não me parece que vá colmatar essa "lacuna".
:)

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