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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe infantilóide

rabiscado pela Gaffe, em 02.02.17

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Embora desconheça a existência de um narcisimo maligno e considere que nenhum distúrbio de personalidade dificilmente pode ser considerado benigno, compreendo que se adicione todos os adjectivos mais nocivos a um psicopata.

 

Trump tem os tiques oratórios de Hitler e gesticula como Mussolini e este somatório - provavelmente apenas imagético - é também uma ameaça, desta feita subliminar, inconsciente, à aparente tranquilidade que soubemos sempre fazer surgir sobre a abominação.   

 

Trump consubstancia o renascer do Grande Medo. Aquele que entre outros danos nos vai tornando temerosos perante a eterna maldição humana que permite, confrontados com as atrocidades que são cometidas, encontrar o esconderijo da indiferença, da inocência, da ilusão, do desconhecimento fingido, da impotência elevada a justificação, do distanciamento e da resignação.

 

À laia de pobre exemplo, ouvi há dois dias na televisão pública, uma senhora a defender, em debate aceso e em programa de audiências elevadas, que basta olhar para a primeira-dama americana, elegante, lindíssima e bem vestida, para se perceber que é feliz, e acredito que são também estes coitados resguardos que nos ameaçam de modo tão perigoso como a assinatura de Trump em decretos na Sala Oval.

 

O Outro é um sentir alheio a nós, alheio ao nosso. Naturalmente. Sempre foi esta uma das razões para o avançar dos holocaustos.

 

Para além disto, percebemos que um dos mecanismos mais antidemocráticos do planeta entregou a uma criança perturbada um poder desmesurado. Trump tem a idade mental de um miúdo malcriado capaz de birras insolentes e de comportamentos primários e grotescos quando se vê contrariado.

 

Ver ao longe - um longe que arrepia -, um puto asqueroso com os tiques dos psicopatas que lavraram a desumanidade, a dominar um país cujo som das picaretas ecoa num planeta de chalaças e de memes e onde a indignação global facilmente se transforma numa máquina poderosa de lavar consciências, devia, pelo menos, fazer com que sentíssemos gangrenar o espaço que nos distância do Outro e perceber que fomos nós a ser interditados e que é contra nós que se erguem os muros.

 

Uma maçada que me leva a aproveitar enquanto posso os saldos dos voos da TAP para NY.

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Gavetas:


8 rabiscos

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De Maria Araújo a 02.02.2017 às 12:21

Grande Medo, Gaffe, disfarçado, é o que todos sentimos.
Adorei que voltasse.

Beijinho
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De Gaffe a 02.02.2017 às 13:08

Suspeito que é o medo que antecede e prolonga as catástrofes.
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De Cecília a 02.02.2017 às 12:31

o mais horrível da eleição de trump foi ver o comodismo de milhares que não quiseram saber das eleições (talvez sejam esses que quais noivas sem azeite batem às portas dos memes para lavar a consciência) e que , talvez, com isso também o elegeram; o horrível é verificar o alastrar de mentalidades que apoiam o trump como em tempos apoiaram hitler, mussolini ou a libertação de barrabás.

a vitória de trump foi a vitória dos ressabiados, dos misóginos, dos racistas, dos xenófobos, dos pequeno-burgueses sobre a preguiça e o comodismo de quem pensa que o bem, quando vitorioso, vive feliz para sempre.
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De Gaffe a 02.02.2017 às 13:06

Foi a vitória também dos espoliados e dos miseráveis revoltados com o statu quo erguido como inamovível.
Existem em todo o lado, estes e os que refere, e Le Pen sabe disso.
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De Cecília a 02.02.2017 às 13:56

dos espoliados e dos miseráveis mal informados e qualquer "ditador " beneficia disso.
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De Gaffe a 02.02.2017 às 14:12

Fazem parte integral das suas dietas.
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De Corvo a 02.02.2017 às 18:27

O mundo já não tolera ditadores.
Aceitam-nos em África porque lhes convém.
Além disso a América não é o papão que os filmes mostram. Um sopro de uma Europa unida e voam os telhados.
E poder democrático só vai até onde o povo permite.
Umas arrelias iniciais e em menos de um ano baixa a bolinha.
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De Gaffe a 02.02.2017 às 18:36

É tão bom ser optimista!
Há sempre tempo para chorar depois.
Eu sou uma optimista de luto.

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