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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe medricas

rabiscado pela Gaffe, em 11.09.16

Confesso que tenho um medo pueril do escuro. 
É uma confissão penosa, visto ser uma rapariga com força suficiente para espancar fantasmas e papões e ter lido um dia que não havia coisas do outro mundo a infestar as deste. 
Mas o certo é que tenho medo do escuro. 
Sempre que me levanto a meio da noite, porque esqueci a água ou porque comigo se levantam outras incómodas tarefas, encosto-me às paredes e arrepio-me a pensar que, a qualquer momento, posso ter a agarrar-me a garganta e a esfacelar-me a jugular um monstro decrépito e apodrecido, de olhos sangrentos e sanguinários dentes.

Não ligo as luzes. Deslizo, eriçada de pavor, com gelo na espinha e olhos de soslaio, pronta a debater-me contra os bichos, mas não faço luz por onde passo. Não posso humilhar-me mais do que suporto e lá arranco forças para enfrentar o monstro que se esconde para saltar à minha tenra carne desprotegida e nua. 
Regresso à cama com uma vexatória velocidade e só me sei segura quando cubro as minhas pernas com tudo quanto é fronha, almofada ou lençol. 

- Foste depressa! 
- Pois fui. Não quero que nenhum monstro te apanhe aqui sozinho. 
- A única monstrinha aqui és tu. 
... ...
O problema é que estes pequenos medos fazem parecer que a originalidade sofreu um AVC.

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Gavetas:


11 rabiscos

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De Pequeno caso sério a 11.09.2016 às 10:16

Fazem nada.
Esses medos só revelam que (ainda) és humana.

Agora parvo,assim mesmo parvo, é quando tens medo que alguma coisa habite debaixo da tua cama quando a mesma vai até ao chão. Ou então quando tens um pé de fora e receias que "alguém " te toque/puxe.

Eu avisei que era parvo.
Sim , sou uma cagarolas .
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De Gaffe a 11.09.2016 às 12:12

O medo que tenho que me puxem quando coloco os pés no chão, sobretudo à noite, faz-me flutuar, minha querida.
Uma coisa medonha.
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De Corvo a 11.09.2016 às 13:35

Temores nocturnos?
Normal e psicanalisa-se num ápice.
Efeitos de uma consciência pesada: ou pelo menos não muito leve.
Tenha medo, muito medo!
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De Gaffe a 11.09.2016 às 14:08

Às vezes, meu caro, um charuto é só um charuto.
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De Maria Araújo a 11.09.2016 às 13:47


Habituei-me, há anos, ao escuro da casa.
Receio mais os ruídos da noite.
Mas é bom voltar à cama e ter alguém que diga: " A única monstrinha aqui és tu" ( que delicioso!).
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De Gaffe a 11.09.2016 às 14:10

Curiosamente, dos sons não tenho qualquer receio.
:)
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De Mam'Zelle a 12.09.2016 às 15:18

Sorri, ao ler as tuas últimas linhas.

Também sou agraciada, diariamente, com petits noms muito pouco consensuais/aceites pelo comum dos mortais.
'monstro' (nem se dá ao trabalho de usar o diminutivo, para tornar o termo menos rude) é só um deles. E este, assim como os outros todos que nada têm de encantador à partida, tornam-se do mais bonito (ternurento até) quando os usa comigo.



[Hoje, a gaja bruta, ruim e insensível - que em dias normais costumo ser - deu de frosques.
Dá para notar, certo? ;)]
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De Gaffe a 12.09.2016 às 16:20

Deu para notar, sim.
:)))
E valeu a pena.
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De Mam'Zelle a 12.09.2016 às 18:06

:))) Que bom não teres achado um desperdício de palavras, Gaffe. Especialmente tu, que tão bem as sabes usar.


O certo é que uma pessoa gasta anos de vida a desenvolver e a fazer com que os outros reconheçam a nossa… euh… digamos… personalidade forte. E, depois, aparece-nos uma ou outra ‘contrariedade’, sem aviso prévio, pronta a abalar os nossos alicerces. E o pior (ou o melhor, dependendo da perspectiva) é que acabamos por deixá-los ruir de bom grado. :)
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De Gaffe a 12.09.2016 às 18:26

"Que os incêndios que provoco iluminem as vossas pontes"
:)
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De Mam'Zelle a 13.09.2016 às 13:08

É por aí, sim. Mesmo.
;)

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