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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe monárquica

rabiscado pela Gaffe, em 28.11.14

8440632-lg.jpgNo Dubai, onde foi informar os príncipes árabes que também já podem vir limpar os pés ao capacho português com baixos salários e alta flexibilidade laboral, o presidente da República lembrou que se o cante alentejano foi nomeado património imaterial da humanidade muito se deveu ao lanchinho que foi dado pelo casal presidencial no palácio de Belém a uma resma e meia de alentejanos muito polifónicos.

Ao lado da declaração, Maria Cavaco Silva de pashmina na cabeça, tailleur sem graça e sapatinhos cambados, exibia o seu ar de governanta presunçosa que chegou ao topo por não haver pessoal disponível, mantendo os cantos dos lábios descaídos e olhando para o horizonte, um metro acima da cabeça dos ouvintes.

Segundo a minha avó, uma Senhora na diplomacia sabe sempre quando se deve tornar invisível e as rainhas, aquelas que o são apenas por se terem casado com o coroado herdeiro do título, como raparigas espertas que são, sabem que em situações oficiais devem permanecer sempre um metro atrás do real esposo. Maria Cavaco Silva é uma espécie de emplastro antipático convencido que a sua omnipresença é direito apenso à sua situação de consorte. A sua permanente visibilidade não eleita é a de um rato morto colado à mesa do nosso jantar.

Esta faceta monárquica da presidência da República faz olhar Duarte Pio de Bragança com alguma seriedade. Coroado, evitaria que se sustentassemos uma data de famílias presidenciais que se vão sucedendo e acumulando. Isabel de Herédia é uma senhora discreta e amável, perfeitamente consciente do papel que lhe foi atribuído e, com uma maior carga simbólica, capaz de coadjuvar o marido nas funções desempenhadas por Cavaco. Aparecer de vez em quando e tentar não dizer nada parecendo dizer qualquer coisita.

Depois Duarte Pio, digam o que disserem, come com a boca fechada e jamais se distanciaria tanto dos cidadões e das suas pensões, mesmo das daqueles que foram capitões de Abril.

Tudo vantagens!

 

Fotografia - Jacqueline Roberts

 

 

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7 rabiscos

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De bloga-mos a 28.11.2014 às 11:27

O texto é brilhante e sabendo a minha Princesa o quanto prezo a sua aristocracia devo acrescentar que ter o sr. Pio como primeira figura da nação seria o principio do fim da macacada...
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De Gaffe a 28.11.2014 às 11:35

Convenço-me cada vez mais disso.
A monarquia portuguesa raramente foi mal educada (em todos os sentidos).
:)
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De bloga-mos a 28.11.2014 às 11:29

De quem é o quadro?, Velásquez?
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De Gaffe a 28.11.2014 às 12:21

Fotografia de Jacqueline Roberts, sobre "As Meninas" de Velásquez.
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De Fernando Lopes a 28.11.2014 às 19:03

A aristocracia, se é que isso existe, não está no título nobiliárquico, mas no comportamento. Sabe bem a menina que há pobres aristocratas e aristocratas que são uma pobreza. Dito isto, Viva a República! :)
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De Gaffe a 29.11.2014 às 13:35

Viva!

Sabe perfeitamente que o meu conceito de aristocracia é muitíssimo semelhante ao seu.
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De Fernando Lopes a 29.11.2014 às 14:16

Também sabe que a defesa, mesmo ténue, da monarquia, acorda em mim o republicano adormecido.

Bom fim-de-semana.

P.S. - Como à monárquico, i.e. com a boca fechada. ;)
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De Gaffe a 29.11.2014 às 14:36

Uma rapariga sente-se tão bem qundo acorda seja o que for nos homens inteligentes!
;)

Comer de boca fechada não é aristocrático. É impresicindível.
:)

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