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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe muda

rabiscado pela Gaffe, em 06.11.18

Mario de Biasi.jpg

Há uma hora em que não ouço a minha Avenida.

 

Próxima do alvorecer, a hora do deserto interrompe as ruas e passa como um vadio com o silêncio nos bolsos. Nessa hora, o mar não tem queixume e dele apenas sinto as mudas ondulações da desbotada lua.

É a hora das palavras por dizer. Chegam nos bolsos do vadio que passa, junto aos silêncios, e ficam presas nos frouxos candeeiros como frutos ou pombas ou pedaços de gente bêbada, escura, que adormece.

 

Invento o meu ruído, nessa hora. O que me faz ouvir o que nas outras horas emudece. Abro a porta e debruço-me nos bolsos dos vadios, dos que usam o silêncio como frutos ou pombas ou travos de gente pendurada nos vagos candeeiros e deixo que as palavras sigam deslumbradas como se tivessem nascido há pouco tempo e pasmadas se infiltrassem nos rochedos.

 

A minha hora muda é o silêncio dentro dos vadios e uma mulher com cabelos soltos, nua, morta sobre as ondas.

 

Foto - Mario de Biasi

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Gavetas:


4 rabiscos

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De Maria Araújo a 07.11.2018 às 13:18

Tacirtuna...
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De Gaffe a 07.11.2018 às 13:43

:)
Eu percebi.
Sim.
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De Maria Araújo a 07.11.2018 às 19:28

Tacirtuna, não.
Taciturna.
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De Gaffe a 07.11.2018 às 20:49

Eu tinha entendido.
Sim. Às vezes acontece. Sobretudo quando tenho próxima a hora de deixar de ver o mar.

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