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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe na eliminatória

rabiscado pela Gaffe, em 19.02.18

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A Gaffe, não havendo nada melhor, que a vida não é sempre um corrupio, pantufas alçadas, salamandra ao rubro, e pijama irreverente em homenagem a Salvador Sobral - tem corações lilases sobre fundo rosa -, assiste à primeira eliminatória do Festival da Canção onde foi seguida a directriz salvadorenha que obriga toda a gente a vestir a maior porcaria que encontrar em casa, logo ali ao lado do saco de trapos que se vai enfiar no contentor das doações aos pobrezinhos.

 

Praticamente a babar-se, com o cérebro embatucado, vê passar um senhor que canta fada enfiado num fatito CDS-PP, um ou dois números abaixo daquele que a barriguita aconselhava; uma ou duas meninas saídas dos gloriosos anos oitenta; um rapazinho chamado Janeiro com meias de décimo terceiro mês; o Jorge Palma disfarçado de homem que canta o que Jorge Palma devia ter cantado; o José Cid a fazer de conta que não escreveu aquilo em meados do século XVII; uma fada de purpurinas encantadoras vestida com os restos dos mosquiteiros da casa da avó, mas com uma voz linda apoiada pelo maravilhoso Júlio Resende; a Anabela a cantar o habitual, porque cai a noite na cidade com um certo travo latino-americano; o J.P. Simões a provar que se consegue sobressaltar uma espectadora com uma canção epiléptica; uma moçoila a desafinar com pronúncia do Norte e mais um ou dois que não deixaram rasto.

 

A Gaffe gostou da homenagem à Dina - que ainda não morreu, mas despacha-se o assunto logo aqui -, da menina das purpurinas e da senhora dos planos estragados - uma senhora chamada Barra Vaz - a favorita da Gaffe! -, que, como toda a gente sabe, libertaram outrora em vez do Salvador -, mas acredita que se a segunda eliminatória continua a ser uma espécie de desmembradas e dispersas facetas de Salvador Sobral, é bem possível que o rapaz do décimo terceiro mês que come bananas com uma descontracção tão mimosa e tão convincente, tão no trilho do quero-lá-saber encetado e desbravado por Sobral, obrigue o quarteto de apresentadoras do certame a apresentar Portugal segurando o anúncio da figura.

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Gavetas:


4 rabiscos

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De Psicogata a 19.02.2018 às 15:09

Não vi o programa, apanhei os últimos minutos e pensei por momentos que a cantora Dina tinha falecido, felizmente que não que ainda é nova.
Vi igualmente a cena da banana e claramente o menino estava a fazer uma homenagem ao Cid.
Muito me engano ou iremos ter mesmo o Janeiro na final, mas não há dois Salvadores e se por vezes o desplante se perdoa pelo talento, há outras em que enjoa e é demasiado, comer uma banana é demasiado.
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De Gaffe a 19.02.2018 às 15:35

Homenagear a Dina assim de repente fez com que eu também pensasse o mesmo!
O rapaz forçou em demasia a "naturalidade" e a "indiferença" com que encarava o jogo. Irritou-me. Achei-o idiota e tontinho. Era mais original se nos mostrasse a banana e a enfiasse no ... Malato ou no outro que se me foge o nome.
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De Psicogata a 19.02.2018 às 18:15

Foi forçado sem dúvida e notou-se.
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De Gaffe a 19.02.2018 às 18:18

E eu senti vergonha alheia.
É um péssimo indício.

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