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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe na Lei dos Básicos

rabiscado pela Gaffe, em 03.07.19

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O medicamento custa cerca de dois milhões de euros – a margem de erro é para desprezar.

Há um bebé português que dele necessita para não morrer.

Uma onde de solidariedade arrecadou a quantia necessária para o comprar - dois milhões de euros em tão poucos dias!

Crowdfunding em todos o seu esplendor.

 

O facto de ter sido o bom samaritano a patrocinar quase de imediato a totalidade do tratamento, implica reconhecer que, também neste caso, o Estado é um inútil?

 

Não!

 

O medicamento não está vistoriado pelo INFARMED, não sendo comercializado em Portugal.

A médica da criança chega de férias e verificará se a petiza é elegível. Absolutamente necessário. A Matilde tem de estar apta, tem de ser capaz de resistir a esta tentativa de a curar. 

 

Sendo elegível, o hospital deverá oficializar o pedido, depois do impresso ter atravessado algumas dezenas de corredores e Comissões. Carimbado e aprovado, o papelucho deve seguir para o INFARMED, que analisará a viabilidade da encomenda e a eficácia do produto. Se estiver de acordo, o papelinho será enviado ao Ministério das Finanças, para que Centeno aprove a aquisição - encontrando em simultâneo maneira de não abrir precedentes -, iniciando-se então as negociações com o laboratório americano.

 

Entretanto, o dinheiro doado pelos portugueses não poderá ser usado para liquidar a conta que vier, pois que é o Estado português o responsável pela encomenda - se, nos entretantos, ainda valer a pena efectuar a dita.

 

A Gaffe considera genial propor à Assembleia da República que inclua na nova Lei de Bases do SNS a possibilidade de ser o cidadão a financiar o tratamento do seu semelhante.

 

Criavam-se escalões, sendo que o mais privilegiado abrangeria gente fofinha – crianças e velhinhos amorosos, por exemplo -, até ao menos merecedor - gente da oposição, velhos e velhas já com um pé na cova, que foram enquanto saudáveis - diz quem conhece -, pessoas horripilantes e sem uma educação que possibilite discursar no 10 de Junho.

O facebook poderia então provar ser ferramenta preciosa, permitindo contagem de likes e leitura dos comentários que ali correriam a favor, ou contra, o paciente candidato e seu consequente tratamento, ou morte.

 

O país encher-se-ia de gente boa, educada, civilizada, culta, sorridente e pronta a colaborar com o próximo - e com o distante -, pois toda a gente cedo ou tarde teria de se medir e de contar com likes.

Nunca sabemos quando temos de agarrar um. 

 

Os impostos seriam então para cativar, ou para criar laços, diz a raposa ao parvo.     

 

Ilustração - Toxandreev

 

Num registo sério, agarro - esperando ser perdoada pela ousadia - no comentário da Sarin que, como é evidente, urge reter.

(...) confesso as minhas crença e descrença no INFARMED - crença porque os medicamentos devem ser controlados, descrença porque a indústria farmacêutica funciona por objectivos distintos da Saúde.


Tenho a certeza de que uma vida vale mais do que um banco.
Mas também sei que há vidas que valem tanto quanto o barulho que as redes ecoem - Maddie é exemplo suficiente.
Quantos casos há de crianças adolescentes adultos com doenças raras? Poderemos importar assim medicamentos porque alguém aparentemente precisa? E como ficamos com a comercialização de fármacos na UE - um dos poucos produtos cuja circulação não é livre? Por outro lado, como fica a questão da responsabilização pela administração de um não autorizado?


Os procedimentos devem ser céleres, mas não podem ser ignorados. Custa, a emoção é pesada, mas quem gere não pode gerir por afectos - embora tenha que manter a sensibilidade pois gere por e para as pessoas. (...)

 

Roam-se! TAMBÉM Tenho Amigas deste calibre.

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29 rabiscos

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De Rui Pereira a 03.07.2019 às 15:30

Favor enviar proposta, em documento próprio, num prazo de 5 dias úteis, em carta registada, com aviso de receção. Obrigado.
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De Gaffe a 03.07.2019 às 15:56

Vou JÁ tratar disso ... ...
- Então vá.
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De Pequeno caso sério a 03.07.2019 às 17:52

(...)






Nota :
Colocar dentro dos parêntesis um misto de emoções contraditórias que o caso da pequenina Matilde conseguiu provocar em mim e que não consigo (ou será quero?) traduzir por palavras.
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De Gaffe a 03.07.2019 às 18:05

Colocarei também as minhas.
Seja como for, seria desejável que uma vida não tivesse de ser pesada com receio de abalar o orçamento de Estado, ou fazer derrapar a dívida pública. Se ousarmos aproximar, suponho que uma vida vale universalmente mais do que um banco.
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De Pequeno caso sério a 03.07.2019 às 18:56

Creio que já me conheces o suficiente para saber que TUDO o que envolva crianças provoca em mim reações muito ...viscerais.


Nunca devia ser equacionado o futuro de uma ..."árvore".
:(
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De Gaffe a 03.07.2019 às 21:08

Eu sei. Desculpa.

Às "árvores" são pássaros nas tuas mãos.
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De Luísa de Sousa a 03.07.2019 às 18:17

Proposta aceite e aprovada, Gaffe!
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De Gaffe a 03.07.2019 às 21:10

:)
Desconfio ...
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De Sarin a 03.07.2019 às 19:10

Confesso o meu absoluto desconhecimento sobre o caso.

Mas confesso as minhas crença e descrença no INFARMED - crença porque os medicamentos devem ser controlados, descrença porque a indústria farmacêutica funciona por objectivos distintos da Saúde.


Tenho a certeza de que uma vida vale mais do que um banco.
Mas também sei que há vidas que valem tanto quanto o barulho que as redes ecoem - Maddie é exemplo suficiente.
Quantos casos há de crianças adolescentes adultos com doenças raras? Poderemos importar assim medicamentos porque alguém aparentemente precisa? E como ficamos com a comercialização de fármacos na UE - um dos poucos produtos cuja circulação não é livre? Por outro lado, como fica a questão da responsabilização pela administração de um não autorizado?


Os procedimentos devem ser céleres, mas não podem ser ignorados. Custa, a emoção é pesada, mas quem gere não pode gerir por afectos - embora tenha que manter a sensibilidade pois gere por e para as pessoas.


Agora, em perfeito anti-clímax, uma outra questão que me intriga: como é que surge assim tanto dinheiro em tão pouco tempo? Estranho alguns financiamentos, estranho realmente alguns financiamentos - principalmente os ligados à saúde.
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De Gaffe a 03.07.2019 às 21:06

Não posso, como é mais do que evidente, deixar de concordar contigo.
Claro que sim.

O meu problema é que o INFARMED foi sempre uma espinha na minha paciência. Culpa minha.

Causou-me um formigueiro a velocidade com que se atingiu aquela quantia!

Provavelmente sou eu que sou má.
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De Sarin a 04.07.2019 às 01:22



E eu derreto-me por ter uma amiga como tu!
:*******
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De Sarin a 04.07.2019 às 18:24

Vi agora num outro postal: a menina é familiar do Manuel Luís Goucha... porra! Estou indignada!
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De Gaffe a 04.07.2019 às 19:56

Pode ser engano!
Mas explica uma ou outra coisa que me deixava perplexa.

Será que não é engano?!
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De Sarin a 04.07.2019 às 21:23

Toda a situação é mal explicada - incluindo de quem foi a ideia do financiamento colectivo: sabiam do medicamento e não sabiam dos procedimentos? Seria mais lógico conhecer os procedimentos e não o medicamento, certo? :/
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De Gaffe a 05.07.2019 às 00:20

Exactamente!
Os procedimentos são sobejamente conhecidos.

É uma das minhas perplexidades: Quem originou a "onda de solidariedade"?! Suponho que não foram os pais que deveriam estar perfeitamente cientes de todo o processo. Por outro lado, o desespero move montanhas. Até eu, cabra racional por vocação, fiquei toda alvoroçada.
Já não sei. Nunca sei nada!
Há algumas lacunas nesta correria.
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De Sarin a 05.07.2019 às 00:32

Só dúvidas, sim... mas, depois, olho para o financiamento das greves cirúrgicas e olho para a os privados a quererem encostar o Estado às cordas mas encolherem-se com a promessa de saída da ADSE... e hoje vejo a Cristas a querer a ADSE extensível ao sector privado...
... e, cabra racional que sou, somo 2+2 e o raio da conta dá-me 5, vezes 7, 31!
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De Gaffe a 05.07.2019 às 14:07

Também nunca fui grande coisa em aritmética.
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De Gaffe a 05.07.2019 às 00:24

Suspeito que ali em cima há um erro qualquer. As frases soam-me mal. Mas já passou. Tive "um dia de cão" e uivo para a lua. Disfarça.
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De Sarin a 05.07.2019 às 00:36

Na minha passagem do plural em "sabiam" para o singular "conhecer"? Isso, ignora, tenho a cabeça em água ;)

Por falar em água, se não leste, espreita o meu último postal-que-nem-o-é. O Eduardo já tinha colocado a pergunta no Quinta, mas no Ouriq está muito bem respondida... e como gostas do INFARMED... ;)
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De Gaffe a 05.07.2019 às 14:06

Não vi.
Mas falava do meu erro.
Não importa.


Li (eu leio TUDO o que escreves!) e segui a ligação. São óptimas reflexões. O "Corta-Fitas" também deu uma achega muito interessante.
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De Sarin a 05.07.2019 às 16:00

A achega do Corta-Fitas é, exactamente, o reverso desta - daí achar injustiça este postal não ter tido destaque.

[tens que arranjar livros, ler tudo o que escrevo pode fazer mal... :)
Eu sei como é, naqueles dias em que não posso ler tudo o que algumas almas escrevem fico em ânsias para poder chegar e ler em retrospectiva - mas ainda não consegui ler TUDO, que anos de trabalho não é de um dia para o mês outro que se lêem ;)]
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De Gaffe a 05.07.2019 às 16:15

Às vezes, admito, dás trabalho.
;)

Acabei de ler "No passado e no futuro estamos todos mortos" de MEC.
Iniciei "Ronda da Noite" de Agustina. Estou siderada.

E rio-me tanto com ela!
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De Sarin a 05.07.2019 às 16:30

Ando imersa, submersa, afogada em literatura técnica, mal consigo desanuviar em postais :( mas tomei nota dos a-ler :)

Eu sei que dou trabalho... a minha mãe diz que se quero que me leiam até ao fim tenho de dizer menos. Respondo-lho que para dizer menos prefiro estar calada... a minha professora de Inglês pedia composições com "um mínimo de 10 linhas - e um máximo de 20 para a S.", deve ter sido então que me habituei a deixar entre-linhas... uma pena, não haver hiper-ligações na altura! :D
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De Gaffe a 05.07.2019 às 19:41

Eu leio tudo o que escreves. TUDO.
E dou graças.
Obrigada por deixares que te leiam.
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De Sarin a 05.07.2019 às 19:48

Eu é que agradeço poder ler-te. E poder chamar-te Amiga :)
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De Gaffe a 05.07.2019 às 19:50

Alguém me disse um dia que não se fazem amigos, reconhecem-se.

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