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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe não faz a mínima ideia

rabiscado pela Gaffe, em 12.12.16

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Mais irritante ainda do que a sacramental pergunta masculina que abre o frigorífico disparada:

-  sabes onde puseram o queijo?! - quando o queijo está ao lado da manteiga, a enfiar-se nos olhos do homem que conseguiu encontrar os mais inesperados microrganismos, mas que é cego quando se trata da mais banal das bolas vermelhas limianas sossegadinha a faiscar como um alarme dos bombeiros, é a toalha de banho molhada pousada no chão ou, pior, em cima da cama.

 

A primeira situação resolve-se com a resposta que pode ser usada em todas as dúvidas existências que o rapaz decide partilhar connosco:

- Não faço a mínima ideia.

 

A segunda torna-se ligeiramente mais complicada.

 

A tolha, por muitas voltas que demos, permanecerá atirada a um canto ou a encharcar o colchão.

Há naturalmente que arquitectar modos de solucionar o problema.

O mais simples é deixar apodrecer o caso. O cheiro a mofo terá repercussões no nariz do rapazinho e, cedo ou tarde, seremos confrontadas com a pergunta habitual:

- Sabes onde puseram aquelas coisinhas que se queimam para perfumar o ambiente?

- Não faço a mínima ideia.

 

Caso as coisinhas nos tenham enjoado da primeira vez que foram queimadas e as tenhamos assassinado e escondido os cadáveres, é aconselhável optar por um método mais rápido. Assim, basta que deixemos a toalha ao abandono até percebermos que o criminoso se prepara para o banhinho seguinte.

Retiramos e escondemos a de rosto e enfiamos na máquina de lavar a negligenciada. Deve permanecer a do bidé, caso exista.

Afastamo-nos até ouvirmos tremelicar:

- Sabes onde puseram a toalha de banho?

- Não faço a mínima ideia.

 

Aguardamos pacientemente até surgir à nossa frente um pintainho com as peninhas todas molhadas, a tremer de frio, com um paninho exíguo a tentar proteger o nome do fotógrafo que captou a imagem que escolhi para encabeçar o post.

É evidente que, se escolhermos esta solução, corremos o risco de termos de lidar com a demissão da senhora que nos vem ajudar a ligar a máquina onde vai rodar o que faz falta ao prevaricador, de traumatizar as amiguinhas da nossa sobrinha fofinha que vieram para a festinha do pijama ou, nos casos mais graves, de ficarmos espantadas quando nos apercebemos como a toalha do bidé é grande.

 

Repetimos a façanha as vezes que forem necessárias e teremos no final uma pausa repleta de tranquilidade. Pelo menos até ao momento em que despertamos a ouvir das profundezas cavas da sanita:

- Sabes onde puseram os rolos de papel higiénico?

Rummy Rumfelt - foto de R. J. Pila

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2 rabiscos

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De Maria Araújo a 12.12.2016 às 12:46

Irrita-me quando vejo roupa no chão, sobretudo usada e ou molhada.
É um hábito dos adolescentes e dos adultos quem pensam que quem os serve tem de arrumar o que atiram para o chão.
Digo muitas vezes que o melhor é deixar ficar lá, até apodrecer, para que tenham consciência que ninguém é criado de ninguém e não custa nada arrumarem o que usam.
Eu fico possessa, vocifero.
E quem deixa no chão põe-se a bufar.
Gostei da imagem.
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De Gaffe a 12.12.2016 às 13:07

Tão fácil!
Escondemos tudo o que estiver no chão. É sempre uma delícia percebermos que por nós passa um fato sem cuecas.

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