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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe não sabe o que quer, yo!

rabiscado pela Gaffe, em 01.05.14

A Gaffe vai descobrindo lentamente que não sabe o que quer.

 

Gostava que lhe arranjassem material deste, do saber-se o que se quer, assim como quem não quer a coisa lhe oferecessem uma passa todas as vezes que se cruzassem nas ruelas da sua vida mais estreita, mas o certo é continuar a duvidar e a hesitar sem tino e sem rumo.

Com trinta anos uma rapariga esperta deve já ter uma noção do que lhe convém.

É de circo a Gaffe perceber que é uma idiota com uma dúzia de indecisões numa das mãos e outras tantas incertezas agarradas à outra.

Saber que está ao seu alcance uma desmesurada quantidade de opções que abarcam desde os passos mais banais do mais banal dos quotidianos até às que são significativas e traduzem a capacidade de alterar substancialmente esta mesma banalidade, não produz grandes efeitos na sua inépcia crónica e na sua incapacidade de voar ou de lidar com o desejo.

 

É o desejo, essa coisa pegajosa, que a prende à hesitação do início voo.

 

Durante todos estes trinta anos a Gaffe teve apenas um e é exactamente o facto de ter só este que a impede de aceitar a certeza de ter um pássaro na mão. A Gaffe gostava de experimentar, uma só vez, ser assolapadamente feliz, mesmo correndo o risco de se tornar depois um espantalho a ver para sempre os outros dois voar.

   

Começa a sentir-se velhota!

 

Uma rapariga sente-se envelhecer quando deixa para trás uma meia dúzia de ilusões que, apesar de a reconhecer exactamente como isso, não se importava muito de a sustentar, alimentando-a com a esperança tola de a ver aos saltos, mesmo à sua frente.

A velhice vai evoluindo com a desilusão. Quanto mais desiludidos nos tornamos, mais podres ficamos, diz o povo (e se não diz, devia).

A Gaffe sente-se um bocadinho amarga, um tanto ou quanto azeda, e este azedume vai crescendo à medida que percebe que deixou de esperar seja o que for dos domínios onde sempre foi uma idiota, uma mentecapta e uma destrambelhada imbecil.

Pensa que não sabe repartir, partilhar ou mesmo tentar aquela espécie de cumplicidade bacoca que vê passar por si a cada instante e que a faz olhar os pares enamorados com alguma (ligeira) inveja e perplexidade.

Esta falha que lhe parece irremediável, é escondida por uma arrogância que não é de todo sincera ou verdadeira, por uma distância muitas vezes a raiar a insolência, a impertinência, a petulância, o pedantismo ou o pretensiosismo, que, apesar de existirem (a Gaffe não é parva), são ampliados de uma forma medonha, tornando-a uma menina má de todo o tamanho.

 

- Uma rapariga defende-se com o tem mais à mão. - Diz para se tranquilizar.

 

O problema é que nem sempre o que temos mais perto é aquilo que nos impede de acabar cheios de medo que nos aconteça aquilo que tentamos evitar. O problema é que por muito que queiramos envelhecer tranquilos, mesmo que isso nos forneça a reputação de santos, somos, sem apelo nem agravo, vulneráveis ao que sempre desejamos.

 

A Gaffe sempre desejou experimentar, só uma vez, apenas uma vez, ser assolapadamente feliz, mesmo correndo o risco de se tornar depois um paspalho sem um pássaro na mão nem outros espalhados a voar. 

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5 rabiscos

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De Anónimo a 01.05.2014 às 23:57

Então experimenta, Moça ... ))
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De 7+3 a 02.05.2014 às 01:52

Yo ? Queixa-se de quê? se ainda fosse de não saber nadar.. eheh:)
Agora com muito esforço, causado pela dificuldade na escrita, originada por alguma falta de leitura e também por não ser 100% "Tuga" mas sem yo:)
Ou seja não estudei com manuais redigidos em português, e grave
não compensei isso por isso às vezes escrevo com timidez digo tolices ou seja potência que essas coisas aconteçam.
Se vou falando um pouco talvez seja só uma forma de a facilitar a forma de interagirmos, pois se de certa forma é interessante estarmos no anonimato por outro não termos ideia nenhuma ideia de quem está do outro lado atrás dum escudo impenetrável a mim não me alegra. Não me importo de não saber com quem estou a falar mas aflige-me que não conheçam nada de mim.
Como pessoa muito culta se me puder ir ajudando ex: livros que devo procurar gostava muito de alterar a forma como utilizo o tempo. Passei a vida com raciocínios matemáticos e estou farto.
"Gaffe Ruivita" este 7+3 com falta de cultura é certo, é que é pretensioso, ao ponto de ousar fazer comentários aqui no seu cantinho.
Não tenho vergonha mais uma vez de dizer que me apaixonei pela forma com escreve pelos seus conteúdos e tenho a certeza absoluta que não sou o único, alias já li outros comentários de outros queridos leitores que indiciam o mesmo.
Para que não haja dúvida e não é para a gaffe nem seus habituais queridos leitores mas talvez para algum ave que pense que está aqui um a atirar-se a gaffe, ou qualquer do género fiquem a saber que quem está por detrás das letras em relação ao sexo oposto tem a certeza absoluta que já viveu (desfrutou) mais do que 99% dos que passarem por aqui.Nem digo porquê e também digo que pouco (pouco não é igual a nada) me importo para o que os outros pensam, mas senti vontade de escrever isto. Está escrito!

"Minha Querida"
Já li o texto 4 vezes e acho que o vou ter de ler mais 10 vezes pelo menos.Gostava de saber como ajudá-la mas não sei como. Penso também que tantos adjectivos usou para se auto "julgar" que
para mim não me parecem adequados, porque para mim uma pessoa é o que é e não o que ás vezes sabe-se lá porquê tenta demonstrar aos outros.
Por outras palavras o que é belo será sempre belo e o que é feio será sempre feio. E a menina é Bela.
Quanto ás indecisões, ou são provocadas por excesso de opções, ou tenho a certeza que quando realmente interessar elas desaparecem todas qual truque de magia.
Quanto à arrogância eu penso que uma rapariga esperta e sábia com um Q.I acima de 130, por vezes será mesmo inevitável recorrer ao pecado da arrogância.( Li algures que a americana Marilyn Von Savant tem um Q.I de 228 divido por dois quais anormais do nosso governo ajudaria muito o desenvolvimento do país.)
Ainda bem que escreveu ligeira inveja , eu sei que nem escreveu
no sentido próprio ou literal da palavra.Além disso alguns desses pares enamorados são só aparências.
"Gaffe sempre desejou experimentar, só uma vez, apenas uma vez, ser assolapadamente feliz, mesmo correndo o risco de se tornar depois um paspalho sem um pássaro na mão nem outros espalhados a voar."
Este seu "amigo" "Fã" "Admirador" virtual tem a certeza que esse desejo se irá realizar e também tem a certeza absoluta que não se tornará em nenhum paspalho.
Quanto a começar a sentir-se "Velhota" ,quando o reumático chegar
tenho a certeza que saberá melhor do que eu o que tem de usar:)

Nota: Como óbvio este ultimo parágrafo foi uma brincadeira assim como outras que escrevi algures noutros comentários, vou passar a assinalar quando estou a brincar até me conhecer ligeiramente melhor:) *

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De Gaffe a 02.05.2014 às 09:35

Ah! Não pode "esconder-se" atrás do facto de não ser 100% "tuga" ou de ter estudado por manuais que não os portugueses!
Eu sou apenas 50% "tuga" e também me escaparam muitos manuais portugueses. Continuo aqui a tentar não tropeçar na minha querida língua nem ofender muito quem me lê.
Depois, não diga tontices! Não é trôpego a escrever e não penso que seja necessário recorrer a esta pobre rapariga para rever as suas leituras.
:)*
Continuo a gostar muitíssimo de o ter aqui. Apetece-me tanto ficar sentadinha e caladinha a ouvi-lo!

Obrigada por gostar de mim.
*

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De 7+3 a 02.05.2014 às 20:19

Como é possível haverem "pequenas coisas" "detalhes" que têm o condão qual varinha mágica de alegrar nem que por alguns minutos, um rapaz que se julga esperto e muito vivido:)
_Comentário incompleto, cheguei a casa vou tomar um banho rápido que tenho um jantar. Volto mais logo para tentar complementar o que não consigo escrever aqui em escassos minutos.

Continuo a achar que a minha escrita é a "minha desgraça".
* e até logo "Ruivita"
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De 7+3 a 03.05.2014 às 02:05

Eu sei que é meia Torre Eiffel e meia Mosteiro dos Jerónimos :)

Já que me lamentei de não ser 100% "tuga", embora tenha nascido no Hospital da Cruz Vermelha em Benfica o sangue que me percorre as veias é "Benetton" inglês francês português (este cocktail é o que predomina) mas há mais algumas "coisitas" pelo meio.
Deve ser a única coisa em que lhe ganho além da torre e do mosteiro também carrego o Big Ben às costas.
Embora circule sangue nobre inglês e português (nada de relevante)
o francês penso que no máximo seria burguês, se juntarmos a isto
um trisavô que resolveu ir ao Brasil e se apaixonou por uma nativa indígena,também corre por aqui algo de índio.
Conclusão sinto-me um autêntico rafeiro :))
O ano passado tive um sonho tão estranho que não conseguia falar só ladrava, foi quase um pesadelo:) não sei se pode estar relacionado.
Não quero falar mais das minhas "origens", juro que não tenho qualquer mérito ou demérito das mesmas., mas achei que devia revelá-las.é algo que nem me causa orgulho nem vergonha, embora goste do nome inglês faltou dizer que a família é da Cornualha, enfim o nome podia ser mais bonito:)

Confesso que quando pela manhã vi que tinha respondido ao meu
"breve" comentário quando me aproximei do final e li ( "Continuo a gostar muitíssimo de o ter aqui. Apetece-me tanto ficar sentadinha e caladinha a ouvi-lo!
Obrigada por gostar de mim." ) senti uma sensação que não tenho o dom de descrever em palavras foi qualquer coisa que me emocionou(dito assim em palavras simples)os olhos ficaram molhados, mas de todo foi tristeza.
Fui-me recordando a espaços do momento ao longo do dia atarefado(nem sempre o é) tem dias que "navego" em piloto automático.
Deduzi que estava à procura de mim do que me comoveu ou que mexeu comigo, só me vinha à cabeça apaixonei-me pelo que escreve, quase tudo , quase mesmo só não digo tudo porque recuso-me a mentir (acho que se um "génio da lâmpada" me facultasse três desejos o primeiro era obviamente ter mais de três, e para além da fome, guerras, doenças, pedia-lhe também para subtrair a mentira deste mundo) agora seguindo o raciocínio se me apaixonei pela escrita também sou um apaixonado pela autora, acho que timidamente me atrevo a dizer (mesmo sendo tudo "platônico") é tão bom.
Espero que o blog continue por muitos séculos e que eu tenha saúde para continuar por aqui a mimá-la.Li o quanto pode ser triste num post seu aliás tenho andado aos pouco a lê-los todos confesso,
que custa ver pessoas desaparecerem (deixarem de fazer comentários) detesto prometer , mas tenho a certeza que tudo farei para não me juntar a esse grupo, e para isso bastam as suas palavras "Continuo a gostar muitíssimo de o ter aqui" tenho a certeza que sou só mais um que aqui vem desfrutar o máximo que os textos lhe permitem, talvez somente seja diferente no aspecto de não me conter e dizer tudo o que sinto, neste caso escrever, mas é mesmo a minha natureza, há mesmo quem já me tenha dito que falo demais:)) (é um amigo que ás vezes tenta me "irritar"), que ainda não percebeu que mudei com o passar dos anos, que o grau de tolerância aumentou exponencialmente, já não são as pessoas que me irritam são certas situações que não vale a pena enumerar nem descrever.

Vou tentar perder o complexo que escrevo mal (vou fingir que até sei o que estou a fazer) eu sei que a auto confiança ajuda muito a
evoluir. Tentarei ser um "menino" esperto e mais confiante a esse respeito.Quanto às tontices como dizia o outro seja o que Deus quiser:)
Quanto aos livros amanhã vou aproveitar o sábado para dar uma volta e tentar encontrar O Livro Tibetano da Vida e da Morte de Sogyal Rinpoche. Falou nele num Post confesso que uns atrás alguém me falou nele como muito recomendável. Se o encontrar até domingo quero ler as primeiras 150 paginas.
É óbvio que se me der algumas "dicas" em relação a leitura seguirei
os conselhos da rapariga esperta que à em si pois a pobre que fala desconheço em absoluto:)
Quero finalizar agora enviando-lhe o meu mais bonito e terno sorriso, a minha maior admiração e também um muito muitíssimo obrigado por me ter comovido.
"Ruivita" continue a ser quem é, como é, tenho a certeza que para além de uma "rapariga esperta e inocente" há uma Mulher enorme dentro de si.
Muitos *s

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