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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe navegante

rabiscado pela Gaffe, em 05.12.16

Nigel Cabourn.jpeg

 

Os homens chegam de vidro do fundo da tarde dos insectos, com sangue de frutos na camisa. Descem os caminhos com a mão na terra. Lavam o silêncio para ser entregue à turva obscuridade dos rapazes feridos. Pousam na madeira a cor dos peixes ou dos olhos rasos no ninho das águas ou na ardência do mordido. Há uma nuvem a escorrer da boca dos homens. O sabor da sombra na boca ou apenas sombra sem boca nenhuma. Os homens chegam ao falar das pedras que rezam a longevidade das raízes. Depois ouvem o rumorejar da maré-alta e do sargaço. Trazem lenços escarlates no vento do parapeito das bússolas. Entregam-se à água e contam as contas que o mar tem nos colares da lua. Trazem ondas nos cabelos e sorrisos vermelhos cobertos pelo vento com saudade do mar.

Na barca dos homens há um peixe com sabor a fruta e rapazes feridos a morder as águas como um remo.
Amanhã o mar será colhido verde por rapazes feridos por escamas.  

 

Foto - Nigel Cabourn por Yves Borgwardt

 

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Gavetas:


2 rabiscos

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De Maria Araújo a 05.12.2016 às 22:43

Já comentei, Gaffe, que adoro os seus posts, embora não consiga entender tudo o que escreve ( nem seria possível) e na maioria das vezes não tenho palavras que interpretem tão belas estórias e imagens.
Este é mais um texto com sabor a sal, a trabalho, a duro silêncio da vida.
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De Gaffe a 05.12.2016 às 23:27

Tolice!
Não sou assim tão encriptada. Compreendeu perfeitamente o necessário.

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