Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe no Euro

rabiscado pela Gaffe, em 11.07.16

CR.jpg

 

A Gaffe admite que só a meio do campeonato é que se apercebeu que o pobre era disputado em França. Esta vergonha reproduz-se na total falta de interesse por uma final que envolvia duas selecções que representavam os seus dois países de eleição.

Vencesse a que vencesse, a alegria seria a mesma, ou seja, a Gaffe pestanejaria e continuaria a pensar que os jogadores franceses eram todos muito feios.

Esta certeza, tem de se assumir, está no entanto contaminada pelo slogan lido na t-shirt do amigo:

 

J'aime rien, j'suis parisien.

 

Há no entanto duas minúsculas observações a fazer a esta geringonça de bandeiras.

 

A nota negativa reporta-se ao modo como demasiada gente incentivou a selecção portuguesa.

Clamou-se tanto pela glorificação da raça, bradou-se de tal modo pela exaltação da Pátria, gritou-se até a voz doer pelo orgulho da Nação, que a Gaffe pensou seriamente que se encontrava enfiada num comício de Marine Le Pen e que seria esta senhora a dar o pontapé de saída - aos emigrantes que gritavam.

Meus queridos, até no entusiasmo mais esbardalhado teria sido agradável ter a percepção de que este campeonato era disputado já no século XXI.  

 

O momento alto de todo este alarido é da responsabilidade de um jogador vencedor - a Gaffe confessa que não lhe apetece nadinha procurar o nome - que se dirigiu à taça já de cuecas!

As coxas monumentais do rapagão valeram todo o espectáculo.

 

Posto isto, a Gaffe, por mais estranho que possa parecer, não acordou a sentir-se campeã e suspeita que o mesmo aconteceria se fossem os franceses a ganhar. Está um calor desmesurado e os pobrezinhos, um bocadinho mais alegres, continuam a ter de ir trabalhar. Não há vencedor que resista muito tempo.

 

Apesar disso, a Gaffe não pode de modo algum deixar de sorrir e discretamente, não vá entrar a traça, escrever no coração:

 

Félicitations Portugal!

 photo man_zps989a72a6.png


10 rabiscos

Imagem de perfil

De Corvo a 11.07.2016 às 12:27

Ora vê como toda a rapariga esperta se deve interessar pelo futebol.
Onde mais veria momentos altos como esses de umas coxas suadas e desnudas correndo pujantes a exibirem o troféu da glória
Troféu, transportado entre as mãos; que a coisa se entenda.
Imagem de perfil

De Gaffe a 11.07.2016 às 13:17

Acho que não estavam suadas ...
Imagem de perfil

De Corvo a 11.07.2016 às 13:26

Ai não? Não estavam suadas?
Se o diz é porque não, não estavam.
Para ser mesmo sincero nem reparei bem. Para ser mesmo sincero, de todo, vi tão fugazmente que se a menina não falasse nisso nem me lembrava.
:)
Imagem de perfil

De Gaffe a 11.07.2016 às 13:47

Imagino que não!

Vê como eu sou útil?
Imagem de perfil

De Corvo a 11.07.2016 às 12:58

Por outro lado.
Se mais motivos não existem para não se sentir eufórica do que esses dos pobrezinhos irem na mesma trabalhar debaixo duma canícula infernal, pode na mesma desfrutar da felicidade vencedora sabido que é que até o partir pedra de sol a sol, se transforma num deleite quando executado preenchido pela euforia.
Imagem de perfil

De Gaffe a 11.07.2016 às 13:17

É bem verdade.
"Quem corre por gosto, não cansa".

Devo dizer, no entanto, que estou muito contente com a vitória portuguesa e que tenho alguma pena de não sentir a euforia que vejo.
Imagem de perfil

De Maria Araújo a 11.07.2016 às 14:08

Hoje, para o povo português, somos os maiores.
Se perdêssemos, éramos uns filhos daquela senhora.
Sempre apoiei a selecção, senti que não iríamos longe, acreditei a partir dos quartos de final. Na final duvidei da vitória, mas garanto que saber perder é um acto heróico, é como entendo.

Imagem de perfil

De Gaffe a 11.07.2016 às 14:13

Aos franceses custa um bocadinho perder, é verdade, mas o seu segundo parágrafo, "Se perdêssemos, éramos uns filhos daquela senhora." não indicia um grande heroísmo português...
;)
Imagem de perfil

De Maria Araújo a 11.07.2016 às 17:26

Por isso mesmo é que todo este aparato do povo mostra falta de ética.
Óbvio que fiquei eufórica quando o jogo terminou com Portugal, finalmente, a vencedor do Euro, mas tivesse sido o contrário, aceitaria a derrota.
Imagem de perfil

De Gaffe a 11.07.2016 às 18:20

Ultimamente a ética anda demasiado conspurcada e é invocada mesmo por aqueles que mal sabem como se escreve a palavra.

Comentar post




Por força maior, os V. comentários podem ficar sem resposta imediata. Grata pela Vossa presença.


  Pesquisar no Blog