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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe no "Prós e Contras"

rabiscado pela Gaffe, em 16.10.18

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A Gaffe assistiu de rajada ao Prós e Contras que versava o #metoo e estranhou quando ouviu um senhor muito circunspecto e com um ar muito Woodstock - limpinho - a declarar que obrigar uma criança a dar dois beijinhos ao avô e à avó era caminho para a liberalização do assédio sexual.

 

A Gaffe não sabe se é. A liberalização de qualquer assédio - disseram-lhe -, é da responsabilidade daquela coisa dos nervos dos mercados, mas tem de concordar que dar dois beijinhos aos avós é altamente parolo, provinciano e de classe média/baixa.

Toda a gente bem-nascida sabe que se dá apenas um.

 

A Gaffe julga ter vislumbrado Raquel Varela, mas ficou a pensar que talvez tenha sido impressão. Aparentemente a rapariga chegou ao programa de táxi e quando abriram a porta não saiu vivalma.    

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22 rabiscos

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De naomedeemouvidos a 16.10.2018 às 22:18

Perdi essa pérola, ontem. Não sei bem porquê. Mas, entre este e outro post, já percebi que me ia irritar...e tenho que começar a olhar pela saúde, que a idade não perdoa...Em relação à Raquel, talvez o tipo dela não seja o de andar de táxi
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De Gaffe a 16.10.2018 às 23:09

Não creio que fosse capaz de a irritar. Foi apenas mais um balde para onde se atiraram os argumentos - contra e a favor -, habituais.

Mas estou em desacordo consigo no que diz respeito à Raquel. Penso que é dentro de um táxi, no lugar de trás, longe do taxista, que a senhora tira apontamentos para posteriormente analisar e estudar o povo. Nunca usa carro próprio para esse propósito. Conspurcaria o estofo - alegadamente, claro.
O povo é um bicho que a carrega. Às vezes, fica convencida que o acompanha, que está ao seu lado, mas a verdade é que o povo lhe serve apenas como sela.

Provavelmente estou a ser demasiado severa e exageradamente crítica, mas nunca fui benevolente com gente que acredita no que não crê ou defende com toda a convicção aquilo que lhe fornece o verniz do charme ilusório e a ilusão
charmosa de uma estudiosa humanista.
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De naomedeemouvidos a 17.10.2018 às 10:05

É capaz de estar certa...o povo, essa tão limpa e maravilhosa entidade abstracta enquanto não sai das páginas dos livros e das dissertações. Quando, porém, se torna real e físico, é uma maçada.
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De Gaffe a 17.10.2018 às 11:18

Uma maçada que não se pode sofrer nas manifestações giras a favor de qualquer coisa do povo, com imensa gente que o estuda, analisa e sobre ele disserta.
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De Anónimo a 17.10.2018 às 11:46

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De Gaffe a 17.10.2018 às 16:28

Tinha-lhe indicado aqui um artigo que li acerca do assunto, mas não vale a pena voltar a "isto". A maceração da asneira conduz quase sempre ao azedar e ao caducar do assunto que a ela se sobrepõe.
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De naomedeemouvidos a 17.10.2018 às 20:53

Hoje foi um dia complicado de trabalho e não consegui ver o artigo. De qualquer forma, não percebo bem se as violentas críticas da historiadora Raquel e outras espécies do género são às mulheres que mentem quando se dizem abusadas (acredito que haja, mas, quem percebe mais disto do que eu, diz que a percentagem é residual) - coisa que, todos e todas estaremos acordo em condenar - ou se é mesmo porque algumas mulheres “só tiveram o que mereciam”, porque os homens, coitados, não são de ferro... Às vezes, não sei bem quem é que começou a sair do armário...
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De Gaffe a 17.10.2018 às 21:22

O artigo acaba por "chover no molhado", mas é uma chuva digna da Leslie.

Confesso que estou cansada das "Raquel Varela" deste mundo que cantam "levantai-vos, ó vítimas das tipas", com uma allure de superioridade intelectual que imediatamente se torna bastante suspeito.

Uma mulher bastante estranha esta. Um "case study" que ela podia perfeitamente desenvolver.
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De Pequeno caso sério a 17.10.2018 às 00:26

A propósito de beijos obrigatórios fizeste - me desenterrar mais uma memória. (és boa nisto tu)

Reza a lenda que esta que te escreve, já em pequena, era pouco dada a beijos e agarrações. Tias velhotas e avós eram um alvo óbvio .
Ora a raça das velhas, vá -se lá saber porquê, insistiam em dar - me beijos. Vários. Demasiados. Daqueles repenicados e que deixam rasto.
Ora eu, não era de modas. Assim que sentia a cara ...molhada, levava lá as costas da mão e limpava o rasto lentamente... enquanto fuzilava as velhas com os olhos.

Escusado será dizer que a minha mãe tratou de me "ensinar" a não repetir este ato pavoroso de falta de educação.
Se resultou?
Não. Apenas passei a fazê- lo subtilmente encostando a cara ao ombro...hábito que mantenho até hoje.

Tens uma amiga muito esquisita. Mas tirando as esquisitices, é uma moça impecável. E modesta.
; )
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De Gaffe a 17.10.2018 às 09:13

:)
Vou contar-te um segredo:
Em minha casa sempre fomos ensinados a não dar beijinhos "a torto e a direito" e a não os receber, evitando cordialmente o gesto alheio. Os beijinhos foram banidos. Não havia, nem há, cumprimentos desses. basta um sorriso aberto. A minha avó declarava que beijinhos cordiais perdiam a validade demasiado depressa. Era necessário poupar para quando valessem a pena.

Somos muito esquisitos...
;)
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De Anónimo a 17.10.2018 às 10:43

A mim, fez desenterrar a memória ter de dar o beijo obrigatório e educadinho a uma certa pessoa - primo afastado e frequentador das reuniões familiares,dono de propriedades e brazonado e por isso, segundo os critérios de alguns, uma pessoa de bem - que me causava desde criança desconforto e repulsa... anos mais tarde já com 21 anos, tive uma abordagem desse homem que não foi só a do tal beijinho educado... confirmei o que no meu intimo já sabia...
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De Gaffe a 17.10.2018 às 11:15

Quando estendemos a mão a determinadas criaturas, convém que a mão que estendemos tenha garras.
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De Anónimo a 17.10.2018 às 11:48

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De Pequeno caso sério a 17.10.2018 às 17:50

Sabia senhora a tua avó.
; )

(gosto de gente esquisita. Somos uma tribo muito...especial )

: )*
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De Gaffe a 17.10.2018 às 18:32

Embora rara. Às vezes parece que està em extinção. Como aquele pássaro que se deu por findo ontem. Fica-se só com o restolho.
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De Corvo a 19.10.2018 às 11:28

Acho que fui um privilegiado. Olhando em retrospectiva, a minha mãe com quatro para aturar, o que menos nos mostrou foram as delícias dos miminhos e beijinhos. E o meu pai a mesma coisa.
Daí que os meus inefáveis prazeres fossem, a partir dos sete anos até aos nove, a empoleirado numa árvore deliciar.me a ver a onça e os mabecos perseguirem presa e encurralarem caça.
Fui um privilegiado, não me canso de agradecer ao destino que, talvez, proporcionou a uma criança uma infância sem paralelo com qualquer outra.
Beijos, verdadeiramente beijos, só os conheci quando ao fazer os dezassete anos, a belíssima senhora minha vizinha, exactamente com o dobro da minha idade, me ter sussurrado ao ouvido:
- Tenho uma prenda para ti. Vai logo à noite à minha casa.
No dia seguinte sabia, com profundo conhecimento, o significado de um beijo. De todos os beijos.
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De Gaffe a 19.10.2018 às 12:30

Estou ouvir Billy Paul a cantar "Me and Mrs. Jones" ...
;)
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De Corvo a 19.10.2018 às 13:09

Mais ou menos parecido, se bem que para muito melhor para o meu lado.
Fui um privilegiado. Ninguém teve uma infância como a minha. Ninguém.
Sem beijinhos a torto e a direito para pais, avós, irmãs, tios, tias e toda a restante fauna conhecida, mas também nunca tive necessidade disso para ser a criança mais feliz deste mundo.
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De Maria Araújo a 19.10.2018 às 20:40

A minha mãe, orfã de mãe ao dois anos, teve uma madrasta, que conheci, e que Deus me perdoe, detestava-a, não só pelo seu aspecto, mas também pela saliva que se formava na boca e outros gestos que me enojavam, por ser egoísta, esconder dos filhos as coisas boas, exercia um poder no meu avô, um homem severo,era, para mim uma autêntica madrasta das histórias que conhecemos de crianças..
Evitava beijá-la, era eu uma criança, se o fazia era pelo meu avô.
A minha mãe, uma mulher dedicada aos filhos, era pai e mãe, não me recordo de ela nos beijar, por que ela não teve o amor de mãe, todo o afecto era mostrado pelo trabalho e preocupação pelos filhos, pela educação autoritária que nos dava ( mudou muito depois de ter os netos) mas foi por pouco tempo, faleceu nova.
Cresci a dar beijos, por respeito, mas não era a toda a gente. Tios e tias ( alguns e algumas), e amigos dos pais, e mesmo estes, por vezes tinha alguma repugnância, talvez pela aproximação e não gostar de certos cheiros que exalavam das suas boas.
Já adulta, se por vezes dizia a um dos sobrinhos para dar um beijo a um amigo ou amiga e não davam, não insistia, até que deixei de o fazer.
Hoje, sempre que alguém obrigue o filho ou filha a dar-me um beijo, e a criança não quer, eu digo que não precisa, assim como não peço beijos a ninguém.
Os meus sobrinhos netos dão-me um beijo se quiserem, embora eu adore beijá-los. Os sobrinhos adultos, e sempre que nos vemos, dão-me um beijo e eu rio-me com eles se, por brincadeira, faço de propósito e os molho levemente no pescoço, para receber um protesto, tipo: " caramba tia L, molhaste-me todo".
Mas tenho uma família gira e que se dá muito bem, que respeito e me respeitam, e que não foram obrigados a dar beijos, mas dão às tias que eles adoram: eu e a minha irmã.
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De Gaffe a 19.10.2018 às 22:18

É um exemplo extraordinário do bom/mau uso do beijo deste tipo, do beijo social. Creio que o senhor que não chegou a ouvir se reportava a estes casos. Infelizmente foi uma porcaria a forma como se exprimiu.
No fundo, cada criança reconhece quem quer beijar. É uma selecção instintiva. É conveniente prestar atenção.
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De Canducha a 19.10.2018 às 22:23

Gostei tanto...
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De Candy a 19.10.2018 às 22:27

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