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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe no rescaldo

rabiscado pela Gaffe, em 24.06.14

O luto devido a uma relação que finda não deve durar mais do que duas semanas, embora possamos disfarçar-nos de dolorosas durante um bocadinho mais, para não desiludirmos os puristas.

a Gaffe sempre se considerou uma perita nestas coisas de quebra de relações e sabe que não vale a pena olhamos para os homens das nossas vidas como uma das pastorinhas de Fátima para o extraterrestre (à Gaffe ninguém lhe tira que aquilo foi obra do ET).
As mulheres, as poucas que a Gaffe conhece mais de perto, quando deparam com uma relação moribunda começam de imediato a encetar esforços para distrair a companheira vítima, tentando fazê-la esquecer o mau bocado. Chegam em bicos de pés e convidam-na para sair para aqui e para acolá. É evidente que a Gaffe sabe, porque as conhece bem, que estão com a mesquinhez de saltos altos e o que realmente querem é rilhar o osso. Não sabem que, infelizmente para elas, nunca há grande coisa para roer. Não há luto para mastigar em conjunto e o que quer que tenha acontecido nunca merece grande choro. Afinal é um homem uma das premissas!
O curioso é que se acabe por descobrir que, no meio disto tudo, a vítima muitas vezes é a menos interessada no sucedido. É verdade que lamenta ter um par de apêndices monumentais colados à testa, por exemplo, mas também não acha necessário fazer desta alegoria um dramalhão romântico.

O que se passa é que, geralmente (sublinha-se o geralmente), quando uma ligação que parece estável vai parar ao esgoto, se pensa logo que a mulher que ficou a ver passar o avião precisa do apoio solidário das amiguinhas e ajuda para fazer as malas.

Ora a Gaffe tem um segredo:

Não deixa nadinha seu pelos sítios por onde passa. Mesmo aqui no seu gabinetezinho, se tivesse de se pôr a andar, desandava de mãos livres. Nem uma fotografia tem aqui exposta. NADA. Faz exactamente o mesmo com as suas relações de grandes avançados. Não pousa nada, antes de saber se o soalho é seguro. Como nunca se sabe se a coisa aguenta, acaba por sair mais ou menos bem e de sorriso airoso.

O resto é cantiga.


Quando sentem que o chão está a fugir e com ele vai o grande amor das suas vidas, as raparigas espertas sabem que devem sempre começar por salvar o cão.

É que há sempre a hipótese de lhe tirar o açaimo.

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6 rabiscos

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De Anónimo a 26.06.2014 às 01:30

"Never Gonna Love Again" da Lykke Li. A não ouvir em fase de rescaldo.

A.T.
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De Gaffe a 26.06.2014 às 08:49

Uma dieta cavalar de Chopin durante 15 dias, costuma resultar.
O compositor perde uma fã, mas a fã choraminga de uma só vez o que tem de choramingar.
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De Anónimo a 26.06.2014 às 13:09

Coitado do Chopin! O homem não tem culpa nenhuma de perder assim uma fã :) Mas compreendo, há sempre quem pague a factura das curas sentimentais dos outros. Creio que uma forma transitória de economia paralela (e em cadeia ?), vulgarmente apelidada de "tapa-buracos" :)

A.T.
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De Gaffe a 26.06.2014 às 13:53

Uma rapariga esperta e sofisticada não chama "tapa-buracos" às coisas...
Soa sempre de modo suspeito.
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De Anónimo a 26.06.2014 às 21:10

Antes o proveito que a fama :D

Mas é forçoso que uma rapariga esperta e sofisticada conviva mal com tais suspeitas? :)

Que nome lhe daria então? Perdoe-me a falta de inspiração, mas só me ocorrem mariquices do género: «lencinho de papel», «peluxe fofinho», «o amante temporário», «ursinho», «o rapazito a prazo», «a nova aquisição», «o entertainer das sextas à noite»...

A.T.
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De Gaffe a 26.06.2014 às 22:28

A sofisticação é também, e de certo modo, fingir na perfeição que se acredita que existem coisas suspeitas.

Tem razão! "tapa-buracos" é o mais agradável que se consegue encontrar.
:)

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