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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe no seu dia

rabiscado pela Gaffe, em 08.03.19

Dia da Mulher

A Gaffe tinha decidido deixar passar incólume o Dia da Mulher.

 

As características, as capacidades, as potencialidades e as qualidades que particularmente neste dia são atribuídas às mulheres e publicitadas em parangonas que fazem o Correio da Manhã parecer um jornal discreto ou um panfleto do Vaticano, dão imenso trabalho a manter e são, se bem aprofundarmos o assunto, uma maçada monumental que permite aos parceiros uma vidinha abençoada.

 

Mas a Gaffe considera lamentável que por entre os quase santificados elogios, óbolos, laudas e sinfonias que hoje são depostos no altar do feminino, se deixe escapar três dos mais importantes dotes que são apanágio da mulher:

 

O decote

As pernas

O beicinho

 

A transformação vulgar que ocorre nas auréolas que nos entregam equiparam-nos muitas vezes a guerreiras. São armas de heroísmo que empunhamos e somos mais do que nós, porque enfrentamos de peito aberto e soutien à vista desarmada a insensatez humana.

 

Tolices.

 

Tudo o que é dito e é hoje apenso a nós, pertence aos mais básicos deveres, obrigações e direitos de todos e não é agradável ou justo confinar esta parafernália de heroísmos apenas a um sexo. Não é exclusiva do feminino.

 

Há no entanto, o decote, as pernas e o beicinho.

 

A Gaffe continua a usar a metáfora bélica e considera que estas três armas fizeram mais pela humanidade e por uma carreira de merecido sucesso do que muitas palavras de Beauvoir.

 

É uma tontice condenar o uso destas três jóias como desviante, indecente, indigno, abjecto, grosseiro e mercantil ou adjectivá-lo com a colecção de mimos usados por moralistas de pacotilha. Um decote, um erguer de sobrancelhas tristes a companhar um mimado trejeito de boquinha e duas pernas bem usados, apenas manipulam a idiotice do poder, apenas usam em proveito próprio a mediocridade do homem. Se coadjuvam a nossa ambição e nos permitem agarrar o que nos é negado, mesmo sendo nosso por direito, é porque a vítima não merecia sequer ser confrontada com os mais simples argumentos da inteligência.

 

Recusar o uso de três armas únicas e decididamente femininas em nome de um feminismo musculado, é pateta, constitui um erro de estratégia e é abdicar de uma das mais eficazes formas de controlar, dominar e vencer a patetice dos machos.

Se Deus nos deu voz, foi para cantar, mas se nos deu um decote, umas pernas perfeitas e a capacidade de convencer através do beicinho, não foi proprimente para regozijo mais ou menos lúbrico dos homens. Foi para anexar ao outro equipamento e usar quando nos convém.

 

Minhas queridas, recusar o uso das armas que são exclusivamente nossas, é acabar como Frida Kahlo: de bigode, de sobrancelha única, paralíticas e, para desgraça nossa, tudo isto sem o seu talento.

 

Ilustração - Fernando Vicente

 photo man_zps989a72a6.png


8 rabiscos

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De Corvo a 08.03.2019 às 14:12

E a pálpebra?
Ah! um bater de pálpebra a preceito. Um mundo indizível de deleites. Torrente caudalosa derramando mel, para o privilegiado destinatário.
O pior é, mais tarde, o feliz privilegiado confundir a dedicação de hoje pela obrigação devida de amanhã, e então o que antes era:
Ela: meu amor, por que é que a Lua se esconde entre as nuvens?
Ele: Tem ciúmes da tua beleza, minha vida.
Passa depois a ser.
Ela: meu amor, por que a Lua se esconde entre as nuvens?
Ele: Não vês que vai chover? Estúpida!
Isso nos casos mais singelos em que o instinto selvagem esteja, os seja, moderadamente reprimido; porque naqueles em que o instinto de verdadeiro macho prevalece corta-se-lhe logo a cabeça.
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De Gaffe a 08.03.2019 às 14:43

A pálpebra alia-se ao beicinho.
;)

No segundo patamar, o dos caso menos singelos, se o prevaricador for julgado por outro Neto de Moura, estará tudo perdoado.
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De Corvo a 08.03.2019 às 15:32

Sem quaisquer dúvidas possíveis, admitidas e remotamente imagináveis.
Por esse, e por meia dúzia deles como ele, afigura-se que a preservação de género da espécie corre indubitáveis riscos de extinção.
Não há fortuna maior para um homem, do que a da mulher que por amor se lhe oferta.
Estúpidos ignorantes! Fazem das vidas deles e delas um inferno em vida, por aquilo que de segredo nada tem.
Basta ouvi-las.
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De Gaffe a 08.03.2019 às 15:54

Dramático é, meu caro Corvo, ser possível provar que muitas mulheres não são nunca ouvidas.
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De Pequeno caso sério a 08.03.2019 às 22:02

Não uso saias.
Tenho os lábios muito finos.
O decote já foi melhor.


Estou feita.
; )



(adorei a imagem. Exatamente como te imagino)


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De Gaffe a 08.03.2019 às 23:35

Superamos a saia, o rasgão do decote e a grossura dos lábios. Afinal somos mulheres!

(Tenho o cabelo aos caracóis e agora uso-o curto. Também não sou tão ... atrevida. Sou muito tímida e muito mais discreta ... ... )
;)
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De Maria Araújo a 13.03.2019 às 22:45

Dispenso o peito, gosto dele discretamente escondido, mas as pernas, ai!, essas são para regozijo meu e de quem quiser olhá-las... mas não abuso da mini.
O beicinho, vá, só na intimidade.
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De Gaffe a 13.03.2019 às 23:44

Ah, usemos as armas como nos der jeito.

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