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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe no trânsito

rabiscado pela Gaffe, em 30.05.15

police.jpgQuando a minha irmã telefonou, com voz esganiçada, não entendi de imediato aquilo que se passava e, quando o fiz, espantou-me o seu pedido de socorro.

Não sou decididamente nada boa a socorrer quem quer que seja e no meio dos problemas alheios fico perdida como um sapo no meio da estrada.

 

Com a ganância enfurecida, a minha irmã ao lutar por um lugar de estacionamento perto do idolatrado cabeleireiro, tinha raspado o carro no pequenino brinquedo conduzido por uma matulona que não se conformava com o risco digno da arquitecta, nem era seduzida pelo glamour da infractora que simulava arrependimento e desprotegida inocência.
Fui ver!
A minha irmã embaraçada, dava início à impaciência e à inevitável maçada que seria perder a tão marcada, tão apetecida, tão namorada, tão suspirada hora no seu cabeleireiro mais amado. 
A senhora, de arreganhados dentes, tinha chamado a Óturidade e a Óturidade justificava todos os fetiches pelas fardas desgarradas e soltas neste vale de lágrimas.


De camisa azul que é quase céu, o boné com a pala rígida, pistola, cinturão, botas de cano, galões, divisas, cassetete duro e calças a alargar nas coxas e a arredondar o rabo, a afagá-lo, a desenhá-lo, a formatá-lo, a prometer prisões onde é bom morrer ou suspirar fechada.

Escanhoado a lâmina assassina, o maxilar quadrado e cinza de tão dura a barba. A boca desenhada com o lábio superior ligeiramente erguido e um sulco nasal onde é bom tombar e escorregar. Nariz direito, nervosas narinas e olhar castanho com pestanas negras e compridas.
Olhou para mim que a sorrir pateta não descolava os olhos do fardado. Sorriu também - os dentes tão perfeitos! - e com voz rouca anunciou:


- E eis que chega o sol poente disfarçado de mulher. 

 

Olhei para os lados e olhei para trás. Não vi ninguém chegar e percebi, já lenta e apatetada pelo assombro, que se referia a mim o colossal exemplar de Óturidade.

De escaramuça resolvida, decido mártir assumir todas as culpas, esbardalhando-me patética perante a Óturidade, pronta a rasgar as vestes, a obedecer, a perder a dignidade, a desmaiar deitada sobre nuvens. 


Nenhuma rapariga resiste a um belo piropo bem fardado.

 photo man_zps989a72a6.png


10 rabiscos

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De Maria Araújo a 30.05.2015 às 11:25

E que poético é o homem do boné com pala rígida. Ver o sol poente nesse cabelo lindo, a Gaffe é, deveras, uma mulher muito bonita.
Oh, meu Deus! Todo este post é a apologia da sensualidade, do despertar da imaginação fértil e promíscua.
E na verdade, adoro ver um homem de farda...

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De Gaffe a 30.05.2015 às 17:24

A culpa é deles!
:)))
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De Gaffe a 30.05.2015 às 22:37

:))))
*
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De Mafalda a 30.05.2015 às 22:22

Querida Gaffe, gosto muito do teu blog, adoro lê - lo!
Outro dia apercebi -me com a ajuda da Maria das palavras que és uma otima criadora de logotipos e queria perguntar - te se não podias criar um para o meu blog.
Obrigada pela atenção!
Digo - te desde já que adoro o teu blog e que estás de parabéns.
Um grande beijo
Miss Mia
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De Gaffe a 30.05.2015 às 22:36

Obrigada, querida.
Fico contente por gostares.
Vou ler com muita atenção o teu blog. Se achar que consigo criar um cabeçalho, faço-o com muito prazer.

(Demoro imenso...)
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De Mafalda a 01.06.2015 às 14:26

De nada, mereces mesmo és uma querida!
Podes contactar - me atravéz do meu mail : mafalda_aguiar@sapo.pt!
Demora o tempo que precisares e se não conseguires deixa lá!

Beijinhos
Mia
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De Gaffe a 01.06.2015 às 14:29

:))
Prometo que vou tentar, mas não prometo conseguir.

De Anónimo a 01.06.2015 às 19:55

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De Gaffe a 01.06.2015 às 20:25

Creio que ainda não saiu do cabeleireiro!
:)
Fui apenas um intervalo entre compromissos.

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