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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe nos armários

rabiscado pela Gaffe, em 30.11.16
É evidente que todos temos esqueletos nos armários. Faz parte da condição humana recolhermos no escuro das prateleiras pedaços de pecados que não gostaríamos que fossem do conhecimento público.

 

Sempre que estes ossos se vão amontoando, a possibilidade de vemos rebentar fechaduras aumenta exponencialmente. Nada é tão ilusório como querer conservar intactas e desconhecidas as maleitas que trancamos. Mais cedo ou mais tarde, somos apanhados pelos nossos escondidos ossos. Sermos capturados pelas nossas próprias vidas é do pior que existe. Pessoa tinha razão quando ansiava que a sua alma fugidia não o apanhasse.

 

Acredito que os meus esqueletos ainda são em número demasiado escasso para chocalharem de forma audível. Não tenho idade para grandes ossadas. Vão espreitando, de vez em quando, mas acabam sossegados, amordaçando o inevitável destino que os fará desandar, desarticulados, pela minha vida fora.

 

Enfrentar esta cambada é ponto assente. Não adianta muito tentar ignorar a capacidade que estes doidos arranjam para nos assombrar o juízo e esperar que adormeçam embalados por contos de fadas e cantigas de sonhar.

Não há nada melhor do que um valente par de estalos para por os ossos no lugar. Sobretudo aqueles que se deslocaram.

 photo man_zps989a72a6.png


27 rabiscos

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De Gaffe a 30.11.2016 às 14:56

Normalmente é assim.
Mas ao contrário do que acontece nas touradas, connosco nunca entram as chocas.
:)
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De Pandora a 30.11.2016 às 14:59

E os "forcados" tendem a sair da frente de fininho...
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De Gaffe a 30.11.2016 às 15:01

Nas touradas são cuspidos pelo touro. Também não deixa de ser uma solução interessante, mas não é elegante.

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