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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe num instantinho

rabiscado pela Gaffe, em 05.01.17

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Um homem, por muito que nos custe admitir, conhece apenas três frases que usa quando é solicitado para tarefas que normalmente lhe são adversas.

 

- Vou já.

- Só um minuto.

- Espera aí.

 

Se não somos geólogas, não vamos perceber que os rochedos na banca da cozinha resultaram da mineralização dos restos de pizza do jantar do rapaz que nos prometeu que vinha enfiar a louça na máquina. Se não somos arqueólogas jamais daremos valor ao fóssil que encontramos no fundo da gaveta masculina que data do tempo em que lhe pedimos para se descartar da conchinha - linda, linda, linda -, que encontrou nas Caraíbas há milénios e que seria corrida porta fora num minuto. Se não somos a Madre Teresa acabamos com o seu glamour se esperarmos aqui que o Sporting vença o desafio que só dura mais um minuto. Se estamos num dia mais chuvoso - e todas temos os nossos dias difíceis, menos Christine Lagarde que tem os dos outros -, é aconselhável criarmos o hábito de fazer repousar a nossa paciência nos lençóis encharcados que o rapagão estenderia ao sol se esperássemos uns instantinhos. Se temos tendência para uma reserva compostinha, vagamente puritana e não queremos insinuar que uma orgia é sempre bem acolhida no aconchego do lar, é conveniente furarmos os olhos às tias velhas que nos visitam, porque o rapaz continua de cuecas, perna alçada e meias arco-íris, enquanto esperamos aí um minuto que vá já trocar de preparos, que as velhas prometeram na véspera uma visitinha de cortesia.

 

Estas manigâncias não são forçosamente desvantagens.

 

Enquanto o rapagão nos brinda com o vou já, o só um minuto ou o espera aí, podemos perfeitamente vestir a nossa lingerie mais etérea, retocar a nossa imagem de diva esvoaçante e sair ao encontro do nosso amante furtivo que nos proporcionará o chamado sexo mágico - fazemos e desaparecemos.

Voltamos já, demoramos só um minuto e ele espera ali.  

 

A louça do jantar que fossilize.

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Gavetas:


4 rabiscos

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De Corvo a 05.01.2017 às 21:40

A verdade é que vocês são umas ingratas que nunca reparam nem dão valor aos denodados esforços dos vossos maridos.
Sabem quando uma mulher repara no marido? Em percentagem.
Fazer a cama e arrumar o quarto, 1,9 %
Aspirar a sala e arrumar os sofás, 2,1 %
Lavar a loiça e arrumar a cozinha, 2,3 %
Depositar o lixo, 2,5 %
Mudar a areia do gato e passear o cão, 2,7 %
Ver pornografia na Net, 100 %.
Pois, pois.
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De Gaffe a 05.01.2017 às 22:17

Não faço ideia de onde lhe saíram estes valores. Acredito que não tenham surgido do nada, mas espero sinceramente que nao tenha sido da sua experiência, meu querido Corvo!
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De Corvo a 05.01.2017 às 22:52

Então e agora os conhecimentos obrigatoriamente derivam da experiência própria?
A gente vê, lê, conversa e sabe, ora essa.
Aliás, estranhamente ou talvez não, não vejo nem aprecio pornografia.
Da minha experiência em particular só posso dizer o seguinte:
Nunca vi, nunca soube, nunca reparei em nada.
A minha indelével mulher, dizia-me assim:
Se eu estivesse virada para aí, que não estou; tu sentadinho aí como estás a ver futebol, eu abria a porta, recebia quem, porventura estivesse interessada, íamos para o quarto, rebolávamos-nos o que nos apetecesse, vinha-me despedir dele à porta e tu não davas conta de nada.
E eu:
Podes ter a certeza.
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De Gaffe a 06.01.2017 às 12:07

Então acaba por me dar razão.

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