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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe numa antítese

rabiscado pela Gaffe, em 12.10.16

cisternaHá lugares que trazem unidos os contrassensos, as suas negações.

De encontro a eles pasmamos perante a nossa própria antítese, em frente às nossas margens duplas, defronte às nossas mais contidas incongruências.

 

A maior cisterna da casa dos meus avós é um lugar quase improvável, quase negado por existir daquele modo. Para ali chegar é preciso percorrer caminhos íngremes, subir escadas de granito tosco e desbravar a coragem de nos irmos sorvendo nos espaços cada vez mais afunilados que gotejam sussurros e bater de asas de pássaros, de pedras e de folhas.

É sombrio o caminho da cisterna que não se avista a não ser já quando estamos muito próximos.

Guardada por duas árvores guerreiras, a planície aquática, de platina, recolhe o fio de aranha de água que a alimenta. Reparte-se cortada pelo espelho e deixamos de saber onde somos parados, se no lugar que respira ou no reflexo inumano e lancetado.

 

É o lugar do silêncio em paradoxo. O lugar onde se adivinha, no equilíbrio quase perfeito das ausências, o caos da nitidez das árvores e a ruptura mutilada dos sentidos.

É o lugar mais próximo de mim, porque é o lugar contido na vida dos gigantes que habitam o interior da casa. Igual a eles, a alma da cisterna afunda, no outro lado, a negação das coisas.

 photo man_zps989a72a6.png

Gavetas:


2 rabiscos

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De Maria Araújo a 12.10.2016 às 19:07


Lugares que, por vezes, assustam-me.
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De Gaffe a 12.10.2016 às 19:25

Nao imagina as vezes que me apavoram.

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