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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe paciente

rabiscado pela Gaffe, em 01.09.15

pac..jpgA minha paciência é uma mulher de sorriso imóvel e mudo. Usa avental branco e saias rudes de fazenda espessa, compridas e rodadas. Tem um rosto redondo e pequenas rugas fixas nos cantos dos olhos poucas vezes fixos nos que a olham e unhas sujas de terra e de descascar batatas. É ligeiramente curva e traz um xaile cinzento esburacado a cobrir-lhe a indiferença.

Cheira a sabonete.

A minha paciência faz trabalhos de casa. Cose, remenda, emenda, cozinha, esfrega os soalhos, engoma e asseia os quartos, serve o pequeno-almoço nas camas e estende a roupa depois de a lavar nos tanques com sabão antigo, cuida da louça e está atenta ao brilho das peças de prata.

É silenciosa.

A minha paciência faz as camas onde se deitam os outros. Aconchega-lhes os lençóis, murmura-lhes histórias até que adormeçam. Apaga as luzes e encosta as portas. Depois, por entre a noite, a minha paciência sobe as escadas, entra nos quartos descalça e, em bicos de pés, começa a estrangulá-los.

 photo man_zps989a72a6.png


2 rabiscos

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De Maria Araújo a 01.09.2015 às 14:31


A paciência tem limites.
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De Gaffe a 01.09.2015 às 15:48

Claro que sim.
;)

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