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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do Pascoal

rabiscado pela Gaffe, em 28.03.18

    

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A Gaffe supõe que a escolha de um coelho para encabeçar a simbologia da época que se aproxima, está relacionada com o facto de o animal ter aquilo a que os brasileiros chamam ovos e com aqueles rituais esotéricos que fazem a alegria dos jovens hippies e das senhoras de meia-idade que conseguem andar aos pinchos pelos bosques defumados, todas nuas, sem que ninguém as detenha por atentado à Antiga Grécia toda estética.

O pobre do bicho sempre foi tido como um reprodutor exímio e tendo a Primavera como leitmotiv é compreensível que seja eleito como emblema de fertilidade.

 

Tudo muito pagão.

Um horror, já que sabemos que foi neste período que Jesus se levantou da tumba, três dias depois de ter falecido - não há registo de ter mantido o cheiro, em posteriores aparições.

 

É evidente que uma coelha está fora de questão. Não é todo decente presentear as crianças de coroa de flores na cabeça e vestidos de tule, com uma criatura com orelhas de Hefner - não há registo deste último messias se ter levantado, enquanto morto.

 

Este lamentável facto é factor de indignação.

A Páscoa devia ostentar como ex-líbris uma coelha. Uma bicha, não umas mamocas apensas a duas orelhas de feltro todas torcidas em cima de um móvel estampado nas páginas centrais de uma publicação repleta de doutos artigos que o mano lê de fio a pavio. Uma coelha normal, não depois de lhe ter sido arrancado o pêlo para feitura de casacos foleiros que acabam sempre a cheirar mal - como os messias - depois de uma chuvada no dito.

Não é permitido que se justifique o lapso alegando que as coelhas não sabem posar, pois que é provado aqui que são criaturas muito capazes de fazer frente e costas a qualquer - ou  a quaisqueres, como diz Miguel Sousa Tavares - moçoila hefneriana.

 

A Gaffe, meus caros, decidiu renovar o símbolo desta ocasião de levantamentos e ressurreições, apresentando-se comme il faut a todos os públicos pascais, incluindo o Teixeira, esperando que reconheçam de uma vez por todas que qualquer - ou quaisqueres, diria o mesmo - que seja a coelha, o importante é sempre a pose e o penacho.

 

Páscoa 1.jpg

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6 rabiscos

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De Carlos Berkeley Cotter a 28.03.2018 às 17:55

Pascoal é o nome do coelho?
Gosto do novo símbolo Pascal.
Boa época pascal.
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De Gaffe a 28.03.2018 às 19:05

Sim.
Pascoal Teixeira.
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De Pequeno caso sério a 28.03.2018 às 18:55

Sabes bem a minha predileção por esse bicho (coelho).
Tenho um de quem gosto como se fosse gente .
http://pequenocasoserio.blogs.sapo.pt/bichos-2734

Percebo muito bem porque é que o coelho foi escolhido como símbolo de fertilidade e posso comprovar que é verdade: o que habita cá em casa f#$@ tudo o que pode : almofadas; braços; pés; sapatos enfim, uma alegria.
Suponho que as senhoras emproadas e bafientas que visitam as tuas avenidas sempre em busca de algo para alfinetar, depois de saberem disto, vão acabar com o stock de coelhos das lojas de animais. Creio que não será pelas razões mais cristãs mas isso também já não é novidade.
; )
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De Gaffe a 28.03.2018 às 19:09

Olha que não!
As "alfinetadeiras" usam as vassouras para tudo, até para voar.
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De Maria Araújo a 30.03.2018 às 21:42

Habitualmente, escuto o senhor MST e acredite, só esta semana o ouvi dizer "quaisqueres".
Pensei que tinha ouvido mal, pensei que fosse corrigir o que disse, mas pelo que leio aqui, di-lo com frequência.
E que fofura a pose, o penacho e a imagem.
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De Gaffe a 31.03.2018 às 20:43

Diz demasiadas asneiras. É tão arrogante que provavelmente exigirá que sejam incluídas nos dicionários.

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