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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe perde o vício

rabiscado pela Gaffe, em 10.09.16

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Todas as raparigas espertas sabem como é fácil tombar perante o charme indiscreto de um sacana que lhes vai, cedo ou tarde, arrancar o coração para o levar à boca, mordendo o que de ingénuo existiu nos seus ventrículos ou o que de ilusório restou nas suas aurículas magoadas.

 

O patife sedutor é sempre um pesadelo que desejamos ter. Um conflito de interesses entre o coração e a razão. Por norma escolhemos ocultar a segunda para não impedir o primeiro de saborear inconsciente e tonto os frutos envenenados que estão ao seu dispor.

 

O reconhecimento do patife que queremos que nos seduza, mesmo sabendo que esta sedução é o primeiro passo que é dado em direcção ao nada, é dificultada pela cegueira momentânea que nos atinge, pelo fumo denso do cigarro malandro, pela vontade descontrolada de corrermos riscos e pela atracção que sentimos pela velocidade com que se move a roda que nos vai triturar. Somos como um passageiro passeando lento pela gare onde espera o rotineiro comboio que o levará à terra e que é quase sugado pela deslocação de ar quando por ele passa o TGV. Se não parar a tempo, se não se aperceber do perigo, será catapultado para outras paragens pregado ao focinho do monstro que passa.

Somos aspiradas, sugadas, sorvidas e deixamos que o sopro atraente do Inferno na boca deste homem nos transforme em cinza o coração.

 

É evidente que nos vamos apercebendo do previsível resultado deste encontro maldito. Adivinhamos a sorte que nos coube em sorte e o consorte que nos deu o fado.

A brasa do cigarro sacana nos lábios do homem que nos vai queimar é quase sempre bem visível no escuro em que se pode tornar a nossa vida. Basta que a vejamos antes da noite e que arranquemos da boca do patife o que lhe resta, transformando o infractor no cinzeiro onde se abandona a cinza do nosso desejo satisfeito.       

 

Ultrapassando o famigerado Em casa de ferreiro, espeto de pau e tendo em conta que Quem com ferros mata, com ferros morre, Para sacana, sacana e meio ou Olho por olho, dente por dente ou ainda e já a bastar cá se fazem, cá se pagam, a Gaffe enrola os ditados populares e incendeia a extremidade oposta à que lhe permite a passa, no enganador que foi usado e que agora não é mais do que uma ponta apagada do passado num cinzeiro qualquer já esquecido.  

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6 rabiscos

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De Pequeno caso sério a 10.09.2016 às 18:57

Deixar de...fumar é sempre lixado.
Uma rapariga esperta nunca perde o vício.
Quando muito, se lhe apetecer, sabe muito bem onde ir buscar as pontas apagadas (que jazem nos cinzeiros esquecidos ) acendê-las e voltar a dar-lhes outra passa.
Ou isso, ou comprar cigarros novinhos em folha e , se o destino der uma ajuda, encontrar um sacana que se deixe queimar.

;)
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De Gaffe a 10.09.2016 às 19:22

Exactamente!

(Estamo-nos a esquecer também dos cigarros electrónicos...)
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De Maria Araújo a 10.09.2016 às 21:08

"O patife sedutor é sempre um pesadelo que desejamos ter. "

Oh, se é!
Viver momentos com o sacana sedutor, que nos consome a alma, faz-nos rir, praguejar, sonhar, chorar, sucumbir. Mas, bolas, é tão bom!
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De Gaffe a 10.09.2016 às 21:43

Custa é um bocadinho a acordar.
;)
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De Maria Araújo a 11.09.2016 às 01:00


Ai, que suspiro o meu!
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De Gaffe a 11.09.2016 às 12:17

Uma sinfonia...

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