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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe perdida

rabiscado pela Gaffe, em 07.03.16

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Perdi-me.

Não há nada de metafórico. Perdi-me de facto. Cheguei mesmo a pensar nunca mais regressar à civilização, vaguear desesperada por montes e vales, qual menina-lobo a uivar de frustração à lua.


Fui a Gondomar, numa noite de chuva e quando dei conta de mim estava no meio do nada, na frente de uma rotunda, sem qualquer letreiro ou pista que me indicasse o caminho de volta!
Gondomar é das terras mais deprimentes que vi por entre os vidros do carro. Sei que a chuva que desabava ajudou imenso na construção desta sensação, mas o julgamento que fiz na altura, mantém-se agora que estou salva e já faz sol.
Gondomar é um conjunto de ruelas mal iluminadas com casas escuras de cada lado, tenebrosas, feias, descaracterizadas e sinistras.

Gondomar é claustrofóbico. Se abrisse a porta do carro, arrombava ao mesmo tempo a porta de uma casa.
Gondomar é um cenário de Stephen King.
Gondomar é uma mistura de terror e de parolice extrema.
Gondomar está construída para nos fazer perder por completo, com rotundas por todo o lado, sem qualquer indicação, letreiro, marco ou habitante que nos indique uma possível fuga.
Gondomar enlouqueceu o GPS que me fez andar às voltas por ruas com graves problemas psicológicos. Deparei a todo o instante com rotundas que me confundiam e não me levavam a lado nenhum ou me empurravam de novo para o lugar que tentava apagar da minha rota. Andei perdida e às escuras, sem ler nada que me esclarecesse. Andei apavorada com medo de ser sorvida por um buraco negro. Fiquei petrificada quando percebi que a única criatura que avistei e a quem tinha de pedir ajuda, era um homem com dentes partidos, zarolho, com um boné do Benfica enterrado na cabeça, encostado a um poste, completamente encharcado e de cigarro molhado ao canto da boca.
Gondomar é a depressão personificada e, por ter seguido as indicações do zarolho, acabei por descobrir que Valongo não lhe fica atrás e que é sempre uma experiência divinal avistar, perdida no meio do degredo, uma placa miserável, mas que nos indica a direcção salvadora da Ponte do Freixo.
Uma rapariga esperta não deve deixar nunca o telemóvel em casa!

 

Ilustração - Adnan Ali

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Gavetas:


2 rabiscos

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De Mam'Zelle a 07.03.2016 às 14:28

Não conheço nem pretendo, depois do que aqui relatas, conhecer.
Também me esqueço quase sempre do telemóvel quando saio de casa. Ainda não me arrependi de ser tão distraída. Tenho tido sorte. :)
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De Gaffe a 07.03.2016 às 14:44

Vou-te confessar uma coisinha:
Raramente uso o telemóvel. Nem sei para que me serve. Ouço tudo na presença de quem me quer falar.
:)

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