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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe picuinhas

rabiscado pela Gaffe, em 14.03.19

jogo.jpg

O exercício teve origem na Dinamarca, mas foi repetido na Suécia e na Noruega.

 

Crianças entre os cinco e os dez anos foram incumbidas de colocar num recipiente de vidro todas as bolas azuis e cor-de-rosa espalhadas num compartimento. No final receberiam uma recompensa.

Os rapazinhos e as rapariguinhas levaram muito a sério a tarefa proposta e em breves instantes todas as bolas estavam recolhidas.
Não se verificou em nenhum momento preferências de cor. Quer as meninas, quer os meninos, escolhiam as bolas que mais próximas se encontravam para depois se dirigirem às restantes.

No final do jogo foi entregue a recompensa. Um recipiente em vidro, transparente, com guloseimas.

Os rapazes receberam-no cheio, as meninas receberam um com metade das gomas e dos rebuçados que tinham sido entregues aos companheiros.

 

O espanto que despertou esta discrepância foi igual nos dois sexos.

Perguntaram a razão desta diferença. Disseram-lhes que as meninas recebiam menos exactamente porque eram meninas.

 

As crianças reagiram perplexas e indignadas. Os rapazinhos desataram a retirar guloseimas dos seus recipientes, depositando-as nos deficitários. Um menino recusou mesmo receber a recompensa, entregando-a revoltado ao adulto e o mesmo aconteceu com uma rapariga de seis anos que se levantou, pousou o vidro no chão e tentou sair da sala. Um outro virou o recipiente que continha as bolas que ambos tinham recolhido, espalhando-as de novo no chão. Os rapazes recusaram falar com o adulto, olhando-o desconfiados e mesmo assustados. As raparigas mantinham-se calmas, mas era notória a indignação e a repulsa que sentiam pelo acontecido e sobretudo pelo responsável do que consideraram absurdo e incompreensível.

 

Na Dinamarca, na Suécia e na Noruega os resultados do jogo foram idênticos.

 

É capaz de não ser possível obter os mesmos resultados nos outros cantos do mundo.

 

Os nórdicos são muito picuinhas, não são?

 photo man_zps989a72a6.png

Gavetas:


12 rabiscos

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De amarquesademarvila a 14.03.2019 às 14:40

Excelente!!!
Temo que por cá não acontecesse... e, se acontecesse, os meninos seriam chamados de parvos por quem os educou e as meninas de estúpidas por não terem aceite o pouco que lhes coube...
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De Gaffe a 14.03.2019 às 15:05

Sei que sim.
Lembrei-me de repente de uma Ministra sueca que desatou às gargalhadas quando um jornalista - português, por acaso - lhe perguntou como é que ela lidava com os guarda-costas. A Ministra NÃO tinha guarda-costas. Para quê?

Começa-se pelos adultos, não é?
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De naomedeemouvidos a 14.03.2019 às 14:50

Picuinhíssimos. Suponho que seja do frio que por lá grassa. Como não têm com que se entreter...
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De Gaffe a 14.03.2019 às 15:02

Ou do sol da meia-noite que em algumas regiões não deixa tostar os costados dos machos.
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De Maria Araújo a 14.03.2019 às 15:05

Injustiça que virou justiça por parte dos meninos.
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De Gaffe a 14.03.2019 às 15:07

Tornou-se evidência.
:)
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De Rui Pereira a 14.03.2019 às 16:00

Nórdicos? Sou admirador. Por tudo!
Pelo Hygge. Pelo Lagom...
Ou por serem um exemplo no que toca à utilização das bicicletas!
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De Gaffe a 14.03.2019 às 16:26

O aconchego encontramos em qualquer lugar. A felicidade não encontramos em sítio algum. Só pedacinhos.
:)

As bicicletas, são nos países nórdicos, instrumentos de trabalho. Até o rei da Noruega se deslocava em bicicleta para todo o lado.
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De Gaffe a 14.03.2019 às 16:55

:)
Fui ensinada pela mãe da minha sobrinha, uma norueguesa que o imbecil do meu irmão deixou escapar.
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De Pequeno caso sério a 15.03.2019 às 07:13

Vi há uns tempos, um video com uma situação semelhante à que descreves.
Lembro-me de ter pensado na altura que , se fosse por cá, os miúdos eram bem capazes de tirar também as goluseimas às miúdas e comê - las à sua frente.
Hoje, algum tempo passado, penso exatamente da mesma maneira.


De pouco adianta na escola aprenderem que se tem de respeitar quando chegam a casa e têm como exemplo a violência.E atenção que não me refiro apenas à violência física. A violência da ausência de afeto é igualmente destrutiva para as crianças. Continuo a dizer que não se pode exigir mais à escola. Há aquisições que têm de vir de casa/família e enquanto assim não for, continuaremos a ter miúdos egoístas e egocêntricos que mais tarde se transformarão em adultos de capa do "Correio da Manhã".

:/
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De Gaffe a 15.03.2019 às 09:37

Exactamente.
É lamentável que se atribua à escola a responsabilidade de educar, retirando-a dos pais ou familiares em geral.
Creio que a alteração, ao contrário do pensamento mais ou menos corrente, deve ser focada nos adultos. Não adianta grande coisa a tentativa de apagar estas situações mostrando o erro às crianças e modificando-lhes os comportamentos, quando logo a seguir ficam perante exemplos malignos de figuras muito mais importantes e influentes que as anteriores.
É decepcionante quando um miúdo - num exemplo muitíssimo básico e próximo do totó - me trata por "Bocê", mesmo depois de lhe ser dito que não deve tratar um adulto desta forma. Minutos depois, tenho a mãe ou o pai a fazer o mesmo.
-"Bocê" pode atender-me?

Nunca posso.
Custa iniciar a frase por "a senhora"? "a menina"? a "senhora professora arquitecta advogada princesa magistrada investigadora"?

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