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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe poetisa

rabiscado pela Gaffe, em 11.04.16

 Na adolescência, tive uma paixão, com um ligeiro travo depressivo, por Florbela Espanca.

Sentia a planície das minhas horas mortas, como um brasido torturado e revoltado, sem fontes e sem bênção.

Fui crescendo, pedindo a Deus a minha gota de água.

Florbela foi-se diluindo pouco a pouco. A dolorosa canícula do Alentejo da minha alma foi-se povoando por outros poetas, perdidamente amados.

Há, no entanto, uma subtil perenidade nas paixões adolescentes. Enformam-nos a vida e é a partir delas que renovamos o sentir. Sentimos o inesperado, acreditando que é original e puro, límpido e por contaminar, ignorando que é previsível, porque se enraíza nos sentires passados.

 

Nesta charneca de flores incendiadas, continuo adolescente nesta procura de pousar a alma numa gota de água.   

 photo man_zps989a72a6.png


1 rabisco

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De Salvador a 11.04.2016 às 12:29

Há quem chame a isso Inocência :)

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