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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe praxada

rabiscado pela Gaffe, em 25.09.15

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À entrada da adolescência, decidi que tinha de ostentar um piercing, algures na paisagem do meu corpito ainda breve. Era uma decisão irrevogável até a ter comunicado à minha mãe.

Fui terminantemente proibida.

A minha revolta entrincheirou-se nas acusações de tirania, de insensibilidade, de falta de cumplicidade e de mais uma ou duas tiradas dramáticas até desabar inútil e acabrunhada.

 

- Sou tua mãe. Sê-lo-ei para sempre, minha querida. Não sou e jamais serei a tua melhor amiga.

Estás proibida de te mutilares.

 

Invoco este incidente com imensa ternura e profunda gratidão. Creio que foi em consequência dele que percebi a dimensão do comprometimento que implica a maternidade e recordo-o quando vejo da varanda, pela noite dentro, um carro empapado em jovens machos universitários fardados e bêbados que retiram da mala – da mala do carro, insisto -, um jovem colega que parece bastante divertido, pese embora os ganidos e a necessidade de ser levado em braços.

 

Os jovens machos de traje académico que ficaram para trás, erguem-lhe agora as pernas e o farrapo é transportado deitado de rosto voltado para o chão, para que vomitar não implique paragem.

 

Estranhamente, pela calada da noite, chega-me à memória o triste episódio do meu frustrado piercing.

Lamento profundamente que a mãe de cada um dos protagonistas da praxe a que assisto nunca lhes tenha negado o que exaltava na minha adolescência e que supunha ser a vitória e a glorificação da maternidade. Foi uma pena que nunca tenham ouvido:

 

- Sou tua mãe. Estás proibido de te mutilares.  

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Gavetas:


1 rabisco

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De Neurótika Webb a 25.09.2015 às 14:45

Minha querida amiga, posso dizer-te que, durante a minha adolescência, só do pescoço para cima tinha 25 piercings.
Como fiz piercings com material cirúrgico (e usava piercings no mesmo material), quando os tirei fecharam todos. Nem se nota que algum dia os tive.
Se há alguma coisa que me arrependo é, já com 30 anos, ter feito uma tatuagem nas costas, o que me impede de usar vestidos de noite sem costas. Ou melhor, não interfere, eu é que acho que fica um horror.
Foi bom ter este devaneio rebelde, satisfiz o meu desejo, e hoje nem brinco uso. :)

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