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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe praxada

rabiscado pela Gaffe, em 25.09.15

praxe.jpg

À entrada da adolescência, decidi que tinha de ostentar um piercing, algures na paisagem do meu corpito ainda breve. Era uma decisão irrevogável até a ter comunicado à minha mãe.

Fui terminantemente proibida.

A minha revolta entrincheirou-se nas acusações de tirania, de insensibilidade, de falta de cumplicidade e de mais uma ou duas tiradas dramáticas até desabar inútil e acabrunhada.

 

- Sou tua mãe. Sê-lo-ei para sempre, minha querida. Não sou e jamais serei a tua melhor amiga.

Estás proibida de te mutilares.

 

Invoco este incidente com imensa ternura e profunda gratidão. Creio que foi em consequência dele que percebi a dimensão do comprometimento que implica a maternidade e recordo-o quando vejo da varanda, pela noite dentro, um carro empapado em jovens machos universitários fardados e bêbados que retiram da mala – da mala do carro, insisto -, um jovem colega que parece bastante divertido, pese embora os ganidos e a necessidade de ser levado em braços.

 

Os jovens machos de traje académico que ficaram para trás, erguem-lhe agora as pernas e o farrapo é transportado deitado de rosto voltado para o chão, para que vomitar não implique paragem.

 

Estranhamente, pela calada da noite, chega-me à memória o triste episódio do meu frustrado piercing.

Lamento profundamente que a mãe de cada um dos protagonistas da praxe a que assisto nunca lhes tenha negado o que exaltava na minha adolescência e que supunha ser a vitória e a glorificação da maternidade. Foi uma pena que nunca tenham ouvido:

 

- Sou tua mãe. Estás proibido de te mutilares.  

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Gavetas:


18 rabiscos

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De Gaffe a 28.09.2015 às 10:57

Arrepiam-me os piercings.

Nunca volto a casa por razões práticas.
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De Neurótika Webb a 28.09.2015 às 11:00

os piercings não doem nada...ao contrário das tatuagens, foram 4 horas de sofrimento!

ahahahah....calculo que não. :)
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De Gaffe a 28.09.2015 às 11:07

Não simpatizo nada com tatuagens. Lembro-me sempre que aquela águia monumental cravada na bochecha do rabo vai parecer um frango encarquilhado e depenado dali a uns anos.

Conheci um rapagão que tinha o tronco todo desenhado. Tribal, dizia ele. Bonito, achei eu. As tatuagens estavam perfeitas. Passei umas duas horas a tentar sair daquele labirinto... Nunca mais repeti.
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De Neurótika Webb a 28.09.2015 às 11:14

ando a pensar seriamente em remover esta a laser.
só me lembro de um com tatuagens...o meu segundo marido.
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De Gaffe a 28.09.2015 às 11:26

Percebo porque tens um terceiro.
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De Gaffe a 28.09.2015 às 13:05

Diria que um quarto, uma sala - um pavilhão! - são imprescindível.

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