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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe questionável

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.16
Não é de esfacelar os nervos, mas é maçadora a pergunta que fazem quando apanham a Gaffe pela frente: 

- Então estás aqui? 
Há questões, mesmo as retóricas,  que mais valia não serem colocadas e embora esta pergunta tenha o seu quê de pessoano, faz uma pessoa parecer idiota se a fizer com cara de espanto e com um sorriso de madona florentina a acompanhar. 
O que havemos nós de responder, a não ser com um sim, a questões deste calibre? É que há milhionésimas delas! 


- Cortaste o cabelo?

- Já vais andando?

- Estás sentada aí?


São perguntas que só os portugueses sabem fazer com a maior seriedade e que só os portugueses esperam realmente ver respondidas. Não há francês nenhum que as formule e mesmo quando atacado por um qualquer vírus que lhe domina o cérebro obrigando-o a formular idiotices, não fica a aguardar a resposta. Não há inglês que não desande logo que as faz, mesmo que o inquirido tenha a resposta na ponta da língua e vontade de a fornecer. Não há alemão que espere ouvir o que há para discorrer acerca do assunto. Nenhum italiano tem pachorra para se sentar a ouvir o que se pode dissertar sobre estas questões filosóficas.


Não há! 


Os portugueses gostam de arranjar uns minutinhos para surpreender com estas perguntinhas todas primaveris e arranjam sempre um tempito para debater as respostas que esperam ansiosos.

A Gaffe fica sempre com a sensação de que não estão completas, que lhes falta qualquer coisa que acabou colada ao sorriso aparvalhado com que as fazem. 


- Então estás aqui, sua idiota que pensa que é finória e vem calcar bosta à terra com cara de enjoada
- Cortaste o cabelo, sua lingrinhas de treta que agora parece um frango com aquela coisa da gripe? 

- Estás sentada aí, em vez de mexeres o rabo e tratares dos bichos?


Mas talvez seja apenas impressão da Gaffe e os portugueses gostem apenas de passar por parvos disfarçados de Pessoa. 

 photo man_zps989a72a6.png


20 rabiscos

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De Psicogata a 15.09.2016 às 10:10

Penso exatamente o mesmo que depois dessas perguntas retóricas há sempre uma continuação omissa e não é elegante.

É por isso que dependendo da pessoa e do dia às vezes a minha resposta também não é das mais elegantes, embora na maioria das vezes as pessoas não a entendam.
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De Gaffe a 15.09.2016 às 10:50

Eu costumo ficar muito séria, de olhar fixo, durante muito tempo, como se acabasse de ouvir falar Zaratustra.
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De Cecília a 15.09.2016 às 11:39

falo com pouca gente e a pouca gente já sabe que não gosto de conversa fiada. no entanto, para os boçais de primeira viagem, as respostas são sempre estas ( acompanhadas com, e passo a citar, cara de espanto e com um sorriso de madona florentina):

- Então estás aqui? R: Não, isto é um holograma...
- Já vais andando? R: Sim, já vou fugindo...
- Estás sentada aí? R: Sim, abanquei-me aqui, é bom não é?...

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De Gaffe a 15.09.2016 às 12:04

:)))
Apesar de tudo, prefiro continuar silenciosa como se ouvisse Zaratustra. Quase ninguém sabe quem é e deixo pairar o mistério.
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De Cecília a 15.09.2016 às 13:13

quase ninguém sabe quem é e duvido que saibam pronunciar o nome sem se engasgarem!


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De Gaffe a 15.09.2016 às 13:14

Verdade.
Eu que sei, também me engasgo.
:)
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De Maria Araújo a 15.09.2016 às 12:27

São perguntas que transmitem, na minha opinião, algum sarcasmo.


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De Gaffe a 15.09.2016 às 12:30

Não são, minha querida.
Há casos raríssimos em que a entoação pode fornecer-nos algumas pistas de ironia, mas na esmagadora maioria são só daquelas coisas parvas que se dizem quando se fica vazio.
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De Maria Araújo a 15.09.2016 às 12:43


Sim, é isto mesmo:
"são só daquelas coisas parvas que se dizem quando se fica vazio."
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De Pequeno caso sério a 15.09.2016 às 19:07

São os chamados "desbloqueadores de conversa" que na realidade, bloqueiam ainda mais.
Já me debrucei sobre o assunto aqui:

http://pequenocasoserio.blogs.sapo.pt/perguntas-parvas-ou-estas-mesmo-a-35123
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De Gaffe a 15.09.2016 às 19:18

Ah! Eu li.
Mas sw são o que dizes, comigo funcionam em sentido inverso.

Como tu dizes: camada de nerbes!
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De Pequeno caso sério a 15.09.2016 às 19:27

"Nerves" ,sô dona Gaffe , nerves .

;)
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De Gaffe a 15.09.2016 às 21:43

"Nerbes" qu'eu sou do Puarto.
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De Pequeno caso sério a 15.09.2016 às 21:57

Ai 'carago!

Esperta.
Alta.
Magra.
Elegante.
Ruiva.
E ainda por cima do Puarto, onde se pode praguejar à vontade sem ninguém te olhar de lado.

Que é que queres mais desta vida, hein ?!

;)




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De Gaffe a 16.09.2016 às 00:43

Um bocadinho pequenino de felicidade ajudava?
:)
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De Pequeno caso sério a 16.09.2016 às 07:00

Pudesse eu saber fazer essa magia à distância e acredita , terias o problema resolvido.

Como não tenho esse dom, espero sinceramente que as parvoíces que escrevo vão pincelando os teus dias de alegria e distração.

;)
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De Gaffe a 16.09.2016 às 07:28

:)
Cumpres a missão com nota alta.
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De Mam'Zelle a 16.09.2016 às 15:38

Há mesmo perguntas que, no mínimo, fazem sorrir.
Por exemplo, sempre (e, quando digo sempre, é mesmo sempre) que vou buscar o meu pão, acontece-me esta situação caricata.
Depois de indicar qual o pão que quero, a senhora pergunta-me:
- Quer fatiado?
- Não, respondo-lhe.
E, em vez de colocar o pão no saco e estender a mão para mo entregar, questiona:
- Quer inteiro?


Também já me aconteceu fatiar sem perguntar nada.
Pelos vistos, sou a única ave rara que consegue cortar o pão sozinha, às fatias ou não.
;)
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De Gaffe a 16.09.2016 às 15:52

"Eles andam por aí..."

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