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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe quieta

rabiscado pela Gaffe, em 27.09.19

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O primeiro nevoeiro entrançado nas rendas dos ramos das árvores, azula o amanhecer. As folhas movem-se no colo do primeiro vento. O som das folhas é como o bater das asas dos anjos de encontro às grades da eternidade, ou como a descida dos vermes ao útero da terra.

O berro do pavão estilhaça o vidro da água. Um peixe torce o rumo do silêncio. As pedras respiram as horas demoradas de dourado e o azevinho move os dedos recortados numa agonia de súplica, verde escura, como um grito.

Os homens vão chegando para pisar as uvas. De bocas nuas, chegam cobertos de azul maduro. Calados. Trazem pão nos olhos. Vinho aos pés. Migalhas de palavras. Toalhas de tristeza.

O tempo no lagar escorre.

Fecundada pelas primeiras mortes, a terra estanca.

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Gavetas:


11 rabiscos

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De Sarin a 27.09.2019 às 22:57

Um bonito sabor a mosto para guardar num blogue de memórias que tarda.
:*
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De Gaffe a 28.09.2019 às 00:43

É verdade. Acabei por me esquecer. Deixei tombar a ideia. Não sei se tenho paciência para separar estas águas. Nem isto é mar, nem eu sou Moisés.
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De Sarin a 28.09.2019 às 01:12

Não acho que seja necessário, pois todas as memórias ideias imagens são parte de quem és.
Apenas peguei num teu lamento de saudade pelas memórias que (ainda) se não perderam :)

Escreve-as. Todas. E que eu as possa ler.
Tudo o mais é éter :)

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